terça-feira, 24 de março de 2009

O trabalho doméstico só acabará com o fim do sistema de exploração

Centro de Estudos Populares - Bolívia

A pesar das tentativas por meios legais para aumentar os direitos das mulheres, nada muda a realidade de opressão vivida por milhões delas e que se desenvolve diante de nossos narizes. O trabalho doméstico das mulheres, tão útil ao sistema de exploração dos assalariados, só será eliminado pela ação e luta política das próprias mulheres junto com as classes populares, atuando unidas para transformar a sociedade.

A “nova” Constituição Política diz que “o Estado reconhece o valor econômico do trabalho do lar como fonte de riqueza e deverá ser quantificado nas contas públicas”. Segundo a propaganda do governo, nunca uma norma foi tão avançada em reconhecer o trabalho das mulheres dedicado à família.

No momento, porém, nem o governo nem ninguém sabe como estabelecer um valor para esse trabalho realizado geralmente pelas mulheres. As investigadoras em temas de gênero levantam que essa medida só será possível através de uma pesquisa de tempo gasto no lar, que em alguns países ajudou a estimar quanto, em minutos e horas, colaboram os membros da família nos afazeres domésticos.

Para que quantificar o trabalho nas tarefas domésticas? Alguns tecnocratas têm a ilusão de que algum dia o Estado possa pôr um preço no trabalho das mulheres e remunerá-las com um salário. Isto é, transformá-las em assalariadas.

Ainda que conseguissem algo, o máximo que poderiam alcançar seria que as mulheres continuariam trabalhando entre quatro paredes a troco de migalhas por sua contribuição para as contas públicas. Em outros termos, um tapinha nas costas para que aguentem com entusiasmo a opressão que o sistema lhes impõe.

O fardo, no entanto não vem só. Junto dele está uma soma de aspectos que vão desde a violência exercida por seus companheiros contra elas até a impossibilidade de participar em atividades políticas. Os funcionários atribuem esta situação à “desigualdade” e à “pobreza”, mas o correto é que a opressão sobre as mulheres constitui uma questão principal que aparece com a sociedade dividida em classes.

Por isso, a emancipação das mulheres só pode ocorrer com o desaparecimento do patriarcado, o fim da divisão sexual do trabalho e inclusive na eliminação total da divisão entre trabalho manual e intelectual, própria desta velha sociedade. Na atualidade, corresponde em acabar com o sistema de exploração vigente.

Em nosso país implica em combater uma das características da semifeudalidade que é a escravidão. Milhares de mulheres e meninas dos setores populares se empregam em casas de família para se prestar as tarefas domésticas. As jornadas de trabalho das “trabalhadoras do lar” pode passar de 12 horas diárias, por um salário menor que o mínimo oficial. Em muitos casos, inclusive não recebem remuneração, principalmente quando se trata de meninas ou mulheres provenientes do campo que querem de alguma forma se fixar na cidade. E até adotou formas que a legislação do velho Estado chama “comércio e tráfico de pessoas”.

As leis, tratados e convenções sobre os direitos das mulheres não mostram resultados porque a partir de uma visão liberal, tentam normalizar uma sociedade que possui fortes características semifeudais. Por isso os tecnocratas e funcionários do velho Estado estão empenhados em seu marco institucional e na negativa de identificar relações de classe neste problema.

A supressão da opressão das mulheres só pode vir da luta política e ideológica contra o patriarcado e seus fundamentos. Uma luta que demanda a participação das próprias mulheres, mas não só exclusivamente delas. Os setores populares tem a responsabilidade de lutar para transformar estas relações, e aos companheiros cabe a tarefa de renunciar aos privilégios que a velha sociedade lhes concede a respeito do trabalho doméstico.

Protesto antiimperialista do MFP no Rio

sexta-feira, 6 de março de 2009

Como a Polícia trata o povo: "O GOE atira é pra matar."

Líder de ocupação urbana no Rio é assassinado

A ocupação Serra do Sol, em Santa Cruz , amanheceu manchada de sangue, nessa quarta, 4 de março. O ferroviário aposentado José Carlos de Moraes, um dos líderes do movimento de ocupações da zona oeste do Rio, foi encontrado assassinado às 7:00 com três tiros na porta da sede da associação de moradores do local. Os demais integrantes do movimento suspeitam de crime político. Ninguém presenciou o crime.

Localizada na Av. Brasil, esquina com aterrado do Leme, em Santa Cruz , bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, a ocupação Serra do Sol existe desde 22 de junho de 2008. A Polícia Militar há bastante tempo reprime os moradores sob a alegação de prestar segurança. Mais recentemente, a prefeitura do Rio de Janeiro intensificou as represálias ao movimento, segundo informações da comunidade.

José Carlos, de 67 anos, recebeu um tiro na cabeça e dois na barriga. O Pepé, como era mais conhecido, destacava-se como o principal articulador do movimento e tinha a função de verificar as áreas abandonadas e sem utilização social para a implementação de novas ocupações. O corpo está no Instituto Médico Legal e deve ser liberado ao meio-dia.

“Conversei com ele às 6:15 da manhã dessa quarta. Poucos minutos depois ele estava morto. A comunidade está chocada. Temos convicção que foi um crime político pois a arama tinha até silenciador, tanto que ninguém ouviu tiro” – afirma Emília da Silva, outra liderança do movimento que continua: “A irmã dele está esperando o corpo ser liberado para providenciar o enterro que deve acontecer no fim da tarde dessa quarta ou na manhã de quinta no cemitério de Campo Grande. Não vamos deixar um ataque desse passar despercebido. Pretendemos fazer uma manifestação solene no enterro do Pepé.”

Os responsáveis pela 36ª Delegacia de Polícia Civil e pela Polícia Militar, ambos de Santa Cruz, não foram encontrados pela equipe da Agência Petroleira de Notícias para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

segunda-feira, 2 de março de 2009

Nota de solidariedade às famílias de São Joaquim do Monte (Pernambuco)

27 de fevereiro de 2009



No dia 19 de fevereiro, mais uma reintegração de posse foi executada pela “justiça” pernambucana. Desta vez, contra as famílias acampadas nos latifúndios Jabuticaba e Consulta, no município de São Joaquim do Monte, agreste de Pernambuco. Um efetivo de 300 policiais e pistoleiros do latifúndio retiraram as dezenas de famílias acampadas.



No sábado dia 21 de fevereiro as famílias organizadas pelo MST reocuparam as áreas. Pistoleiros do latifúndio tentaram expulsar novamente as famílias, armados com escopeta e revólveres foram ao acampamento ameaçar as famílias, mas as estas não se intimidaram e tiraram fotos dos pistoleiros exibindo suas armas.



Depois, os pistoleiros voltaram ao Acampamento para tomar a máquina fotográfica. Agrediram o companheiro Aluciano e chegaram a sacar uma arma contra ele. Foi aí que os camponeses reagiram em legítima defesa e mataram 4 dos 5 pistoleiros que invadiram o acampamento.

Somente depois do ocorrido a Polícia Militar chegou no local e ainda prendeu dois companheiros Aluciano Ferreira dos Santos (31 anos) e Paulo Cursino Alves (62 anos). Os dois companheiros estão sendo acusados de homicídio e se encontram detidos em Caruaru.



Este conflito é mais um resultado da violência do latifúndio e do fracasso da política de “reforma agrária” do governo Lula. As famílias de São Joaquim do Monte há mais de seis anos esperavam pela ação do Incra, mas nada foi feito.



Diante da reação justa dos camponeses à covardia do latifúndio, todo o monopólio de comunicação se levanta em ódio contra a luta pela terra e os movimentos camponeses. Todos os meses companheiros tombam na luta pela terra Brasil à fora. No Pará, 11 camponeses que participaram da tomada da fazenda Forkilha, em 2007, foram assassinados no período de 12 meses. Centenas de camponeses estão presos por lutarem pela terra, como é o caso de nosso companheiro Fábio Paraíso da Luz, preso há 8 meses e condenado a 4 anos por porte ilegal de armas. Contra estas injustiças ninguém se pronuncia, nenhum jornal as denuncia. Mas basta que o povo reaja para que o governador, o presidente do Supremo Tribunal e o presidente da Câmara se manifestem para atacar o povo em luta.



Nós da Liga dos Camponeses Pobre nos solidarizamos com as famílias de São Joaquim do Monte e com os companheiros Aluciano e Paulo, presos injustamente. Nos somamos à luta dos companheiros por um pedaço de terra para viver e trabalhar. E repudiamos todas as tentativas de criminalizar a luta camponesa.



A luta pela terra não é crime!

Abaixo a criminalização do movimento camponês!

Liberdade para os companheiros Aluciano e Paulo!

Terra para quem nela trabalha!

Viva a Recolução Agrária!

LCP - Nordeste

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Comício da Revolução Agrária em Pernambuco

No dia 30 de janeiro a Liga dos Camponeses Pobres – Nordeste realizou seu primeiro Comício da Revolução Agrária em Pernambuco. Mais de 70 camponeses ergueram bem alto as bandeiras vermelhas da Liga em passeata pela cidade e vilarejos de Lagoa dos Gatos. Faixas com os dizeres “Viva a Revolução Agrária”, “Abaixo o oportunismo do governo Lula/FMI” e “Viva a aliança operário-camponesa” abriam a manifestação. Na retaguarda, motociclistas e fogos de artifício anunciavam em cada vilarejo a chegada dos camponeses pobres em luta. Estudantes de Maceió e Recife, integrantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário participaram do bonito e organizado protesto.

O primeiro ponto de parada da manifestação foi no Fórum da cidade para exigir a libertação de Fábio Paraíso da Luz, preso injustamente desde julho passado. Os camponeses demonstraram que não descansarão enquanto o companheiro não for solto! Todos gritaram indignados “Liberdade já, para o nosso companheiro!”. Demonstrando mais uma vez o caráter de classe burguês e latifundiário deste Estado a polícia rapidamente chegou para impedir os camponeses de entrarem no Fórum. Uma carta exigindo a libertação de Fábio foi entregue e, principalmente, a disposição dos companheiros de lutar até o fim pela sua liberdade ficou novamente demonstrada.

Após o almoço no acampamento Peri-peri a manifestação se reorganizou e marchou até o acampamento Riachão. Logo na saída, todos chegaram até as portas da casa grande da fazenda e os companheiros deram seu recado de que cedo ou tarde aquela fazenda será toda dos camponeses!

Seguindo o caminho, os camponeses passaram por diversos vilarejos povoados por centenas de camponeses pobres sem terra ou com pouca terra e pequenos comerciantes. A alegria e simpatia com que a passeata era recebida demonstrava o grande apoio que a Revolução Agrária tem conquistado na região. Em frente a cada conjunto de casas, famílias inteiras saiam para assistir o comício e recebiam os panfletos, que explicavam a justeza desta luta e a necessidade de unir todo o povo no campo para destruir o latifúndio. Os camponeses faziam uso da palavra, cantavam canções de luta e gritavam as palavras de ordem com muita animação e convicção.

Ao contrário dos comícios das eleições burguesas, cheios de políticos demagogos e falsas promessas, o Comício da Revolução convocou todo o povo à luta e anunciou que somente a Revolução Agrária entregará terra aos camponeses pobres! Em Riachão, onde o Corte Popular já foi iniciado, as parcelas serão entregues em breve aos companheiros e haverá uma grande festa! Sem esperar pela enrolação do INCRA e do governo, assim será feito com todo o latifúndio: tomar e cortar todas as terras! Plantar lavoura, verduras, frutas, onde antes só tinha capim ou cana! O Comício da Revolução Agrária semeou esperanças de uma nova vida e uma nova sociedade, sem latifúndio, sem miséria, sem exploração. Revigorou o ânimo e disposição para a luta dos companheiros que dele participaram, e sem dúvida, fez tremer o latifúndio da região!