terça-feira, 29 de junho de 2010

Ajudando o amigo Zé Mulato a recuperar suas violas roubadas

Olá companheiros do blog da redação de AND!

Nosso amigo, o violeiro Zé Mulato, entrevistado por AND em sua edição nº 62, foi assaltado, e os ladrões levaram além do seu carro, as duas violas que seguem nas fotos abaixo.

Vamos unir nossas forças e divulgar para que a maior quantidade de pessoas saibam, e quem sabe possam ajudar com alguma informação.

Contatos para informações: (61) 3301-5888 , (61) 9994-5889

India: Depoimento de Arundhati Roy às jornalistas Amy Goodman e Anjali Kamat

E ainda dizem que vivemos em uma “democracia...”

Trechos do testemunho da escritora, proeminente democrata e ativista popular indiana Arundhati Roy às jornalistas Amy Goodman e Anjali Kamat.

Extraído da página na internet revolucionnaxalita.blogspot.com, traduzido e adaptado por A Nova Democracia

Pergunta: Seu último artigo publicado na Índia se denomina “Caminhando com os camaradas”. Comece por nos dizer o que está acontecendo nas selvas da Índia. O que é esta guerra que o Estado indiano deflagrou contra alguns dos mais pobres, povos conhecidos como tribais, os adivasis. Quem são os maoístas? O que está se sucedendo ali?

Arundhati Roy: Vejam bem, isto vem ocorrendo há bastante tempo, mas basicamente há uma conexão. Se observarmos o Afeganistão, Waziristão, os estados do nordeste da índia e todo o cordão de minérios que vai de Bengala Ocidental através de Jharkhand, o de Orissa a Chhattisgarh, este lugar que chamam de Corredor Vermelho, nos daremos conta de que estamos diante de uma insurreição tribal.

Estamos falando de uma insurreição radical de esquerda. Mas o ataque que estes pobres sofrem é o mesmo que no Afeganistão. É um ataque corporativo o que se passa contra esta gente. A resistência tem tomado diferentes formas.

Nos últimos cinco anos os governos dos diversos estados por onde passa o Corredor Vermelho, (onde concentram-se as jazidas de minerais, os povos tribais e os maoístas), têm firmado memorandos de acordo, tratados pela sigla MOU, com corporações mineradoras no valor de milhões de dólares. Ironicamente poderíamos dizer que esse é um corredor “MOUista”, tal como por outro lado a resistência forma um “corredor maoísta”.

O intrigante é que muitos desses memorandos foram firmados em 2005. Foi justamente quando este governo havia chegado ao poder e o primeiro ministro Manmohan Singh anunciou que os maoístas constituem na Índia “a maior ameaça para a segurança nacional”. Foi muito estranho que dissesse isso, porque na realidade os maoístas haviam sido dizimados no Estado de Andhra Pradesh. Penso que haviam matado uns 1.600. Mas quando isso ocorreu, as ações das companhias mineradoras subiram de preço. Este foi um sinal óbvio de que o governo estava disposto a fazer algo a respeito. Então começou o ataque contra os maoístas batizado Operação “Caçada Verde”, que agora mobiliza dezenas de milhares de tropas paramilitares contra estas áreas tribais.

Antes da Operação “Caçada Verde”, as forças repressivas formaram uma espécie de milícia tribal, respaldada pela polícia, em um Estado como Chhattisgarh, lugar para onde viajei recentemente. Estas milícias queimaram uma aldeia atrás da outra, umas 640 aldeias foram esvaziadas (e seus moradores expulsos ou massacrados).

O plano era criar o que o Estado indiano chama de “aldeias estratégicas”. O mesmo que os ianques fizeram no Vietnã e os britânicos fizeram na Malásia. Se trata de obrigar a população a ingressar em campos de concentração para poder controlá-los. Dessa forma, as aldeias circundantes se esvaziavam e as selvas ficavam livres para a entada das corporações estrangeiras.

O que aconteceu realmente em Chhattisgarh foi que perto de 350 mil pessoas, ou seja, umas 50 mil famílias, foram deslocadas para esses campos. Algumas foram obrigadas, outras voluntariamente. O certo é que os maoístas estão em toda essa área ao longo de trinta anos trabalhando com o povo.

A Operação “Caçada Verde” foi lançada porque essa milícia paramilitar chamada Salwa Judum fracassou. Agora o Estado indiano está aumentando as apostas pois os famosos “memorandos” estão à espera e as corporações estrangeira não estão acostumadas a esperar. Há muito dinheiro em jogo.

Por isso dizemos que não estamos denominando esta operação de “guerra genocida” livrescamente ou retoricamente. Eu estive nessa área e o que se vê lá é a gente mais pobre deste país, um povo que está fora do alcance do Estado. Não há hospitais, não há educação, não há nada. E agora há uma espécie de cerco no qual o povo não pode sair para ir ao mercado comprar algo porque eles estão cheios de policiais e agentes da inteligência que informam que tal ou qual pessoa está com a resistência.

O povo sofre de fome extrema e desnutrição. De modo que isso não é apenas matar. Não se trata apenas de queimarem e matarem. Eles estão cercando uma população muito vulnerável, isolando-a de seus recursos e expondo-a a uma penosa ameaça.

E ainda dizem que vivemos em uma “democracia...”



Capa da revista Outlook com o relato de Arundhati Roy

"Caminhando com os camaradas"



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Polícia assassina é desmascarada por levante popular em Bariloche

Patrick Granja

No dia 16 de junho, policiais do estado de Bariloche, a 1.100 quilômetros de Buenos Aires, Argentina, assassinaram o menino Bonefoi Diego, de 15 anos, na província de Rio Negro, causando revolta entre os habitantes da região andina que entraram em greve e se levantaram em combativas manifestações em repúdio às ações da polícia fascista sob o comando da família Kirchner e seus aliados locais.

Nos dias seguintes, milhares de pessoas foram às ruas da cidade para protestar. Dezenas de lojas e carros foram atacadas com pedras e coquetéis molotov pela massa enfurecida, que também se voltou contra a Unidade Regional III, um dos maiores quartéis da polícia na região. Os soldados responderam ao ataque com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, porém, no calor do confronto, alguns oficiais dispararam tiros de fuzil contra os manifestantes, matando dois deles e deixando 12 feridos. As mortes de Nicolas Carrasco, de 17 anos, e Sergio Cardenas, de 29 anos, causaram ainda mais revolta. No dia 18 de junho todos os acessos a cidade foram bloqueados pela população que marchou por 30 quarteirões em direção ao Centro Cívico de Rio Negro, onde mais uma vez, houve confronto com a polícia.

Nem o governador da província, Miguel Saiz, escapou da ira da população e foi atingido por uma pedra ao tentar acalmar a massa. Nos dias seguintes, o monopólio dos meios de comunicação ocupou quase todo o espaço dos jornais noticiando uma manifestação de comerciantes em apoio à polícia. Mas segundo sites de movimentos e sindicatos, Bariloche é dividida em áreas paupérrimas, e outras muito ricas voltadas ao turismo. Obviamente, que os crimes cometidos pela polícia, aconteceram em Rio Negro, que é uma das partes mais pobres de Bariloche, e os protestos se espalharam por todo o estado, o que desagradou os comerciantes locais.

Os manifestantes exigem a exoneração dos chefes de polícia, assim como de um dos ministros de Cristina Kirchner, que teria dado ordem aos militares para que atirassem contra a multidão do lado de fora da Unidade Regional III.

La Oroya, Peru: Mineiros e metalúrgicos cercam cidade e enfrentam a polícia

Uma greve de metalúrgicos e mineiros peruanos do estado de La Oroya, a 185 quilômetros de Lima, fez com que o velho Estado peruano mobilizasse um imenso aparato policial para o povoado, que teve todos os seus acessos bloqueados. As manifestações e o bloqueio foram massificados pela população local, simpática aos operários e mineiros, já que as minas, que pertencem a empresa Doe Run, e as indústrias metalúrgicas abastecem grande parte do estado de La Oroya.

Os trabalhadores exigem um Plano de Adaptação Ambiental das Minas e aumentos salariais para todos os operários, que estão de braços cruzados a mais de 20 dias. Após os primeiros dias de paralisação, a empresa Doe Run fechou as portas e interrompeu definitivamente a produção, o que revoltou ainda mais os mineiros e metalúrgicos. Outro motivo para a empresa cessar a produção foi o descumprimento de leis ambientais peruanas. Os conflitos cresceram desde então e os confrontos entre os trabalhadores e a polícia tornaram-se diários.

Nos dias seguintes aos protestos, dez pessoas, entre elas o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Doe Run, Royberto Guzman.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Trabalhadores se levantam em luta na África do Sul

Operários paralisam fábricas em Bangladesh

Mais de 700 fábricas de roupas fecharam as portas por conta de uma gigantesca greve operária no Bangladesh. A greve, que já dura um mês, reúne cerca de 800 mil trabalhadores, sendo a zona industrial de Ashulia o maior foco das manifestações. A burguesia foi obrigada a fechar os portões das indústrias e reforçar o policiamento, quando mais de 100 mil operários ameaçaram invadir os galpões e destruir as máquinas e ferramentas.

As fábricas de roupas do Bangladesh abastecem o comércio mundial de marcas-símbolos do imperialismo, como o Wal-Mart, a H&M, a Tesco, o Carrefour e o Metro, bem como as etiquetas de moda Tommy Hilfiger, GAP e Levi Strauss. O faturamento médio anual de cada uma dessas marcas chega a 35 bilhões de dólares, enquanto que o salário médio dos operários não ultrapassa 200 dólares por mês. Isso quer dizer que os salário de todos os operários, por um ano, custam aos cofres de cada empresa 7% do faturamento anual. E pensar que os protestos em Ashulia, ao norte de Dhaka, fazem parte de uma cansativa jornada de greves operárias por melhores condições de trabalho e aumentos de salários, reivindicações que a burguesia, irredutivelmente, se nega a atender.

Nos protestos de 21 de junho, mesmo com o reforço policial nas fábricas, mais de 50 delas foram invadidas e destruídas pela justa rebelião operária. E mesmo faturando bilhões de dólares por ano, representantes da Associação de Fabricantes e Exportadores do Bangladesh (BGMEA) ainda se queixaram dos prejuízos causados pelos manifestantes.

— Os protestos vão continuar. Vamos fechar todas as fábricas de vestuário, vamos organizar greves por todo o país, em todos os centros industriais do país. Vamos continuar até que as autoridades aumentem os salários dos trabalhadores — disse o líder sindical Mosherefa Mishu.

A greve operária no Bangladesh está prestes a se transformar em uma greve geral, já que a produção das indústrias de vestuários no país representam 80% das exportações e empregam 40% da força de trabalho industrial.


terça-feira, 15 de junho de 2010

Protesto e catraca livre em Brasília contra o péssimo transporte público

Imagem Globo News

No último dia 14 de junho um protesto contra o péssimo transporte público paralisou a Esplanada dos Ministérios em Brasília. Passageiros revoltados com a falta de ônibus no centro da cidade bloquearam a pista com uma barricada em chamas.

Os trabalhadores rodoviários promoveram a “catraca livre” embarcando os passageiros sem que tivessem de pagar pela passagem.

Copa começa com calote aos trabalhadores sul-africanos

Rafael Gomes

No último dia 13 de junho, logo após o jogo Alemanha e Austrália, no estádio Moses Mabhida, em Durban, as ruas da cidade foram palco de um enfrentamento entre centenas de trabalhadores do estádio e a polícia sul-africana.

Os trabalhadores haviam sido enganados pela organização da copa que pagou um valor abaixo do combinado, provocando grande revolta.

A polícia atacou os manifestantes com disparos de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes e prendeu dez pessoas. Os trabalhadores por sua vez responderam com pedras e garrafas contra a tropa de choque.

Esta é a verdadeira face da copa para os trabalhadores e as massas populares sul-africanas: a mesma violência, exploração, miséria e desrespeito de sempre, tudo acobertado pela maquiagem do monopólio da imprensa que tenta apagar a realidade com vuvuzelas e o conto de uma África do Sul exótica e “reconciliada”.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Rio de Janeiro: ato em solidariedade ao povo palestino

Comitê de apoio AND RJ

Foto: Rafael Gomes

O comitê de apoio de AND do Rio de Janeiro esteve presente, na tarde do dia 8 de junho, no ato em solidariedade ao povo palestino convocado pelo Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino, realizado na Cinelândia, Centro do Rio. Dezenas de pessoas manifestaram seu repúdio ao ataque sanguinário do Estado sionista de Israel à frota Gaza Livre.

Uma das manifestantes, que esteve na Faixa de Gaza há pouco tempo, denunciou que o ataque à frota Gaza Livre foi comemorado pela juventude sionista nas ruas de várias cidades israelenses e que o Estado de Israel trabalha noite e dia para introduzir sua mentalidade fascista na consciência da população.

O comitê de apoio de AND fez a distribuição de exemplares da edição? 64 do jornal com a manchete Resistência promove dia de fúria contra a invasão sionista na Cisjordânia.

Bandeiras, faixas e cartazes erguidos pelos manifestantes marcaram o apoio dos lutadores e democratas brasileiros à causa da libertação palestina.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Greve e ocupação na Universidade de Porto Rico

  • Há sete semanas a combativa greve estudantil mantém-se firme
  • Apesar das ameaças da reitoria, a assembléia geral do último dia 8 de junho decidiu manter a luta



Os estudantes da Universidade de Porto Rico sustentam uma combativa greve e ocupação da universidade há quase dois meses. A ocupação é um protesto estudantil contra “reformas” impostas pelo imperialismo ianque para o ensino superior, particularmente no que diz respeito à privatização de vários setores da universidade.

O quadro de mercantilização e destruição do ensino em Porto Rico é agravado por sua condição colonial. Porto Rico, ou Estado Libre Asociado de Puerto Rico, não é um país livre, é uma colônia do USA. Este arquipélago caribenho, tem gerente de turno (“governador”) Luís Fortuño, mas seu presidente de fato é o ianque Barack Obama.

E como Porto Rico não é um país autônomo, da mesma forma a Universidade de Porto Rico – UPR também não é uma universidade autônoma. Seus estudantes, professores e funcionários estão sujeitos a todo tipo de ingerência ianque. O governador de turno tem o poder de eleger e/ou destituir os reitores e Obama, por sua vez, pode fazer o mesmo com dito governador.

O deflagrar de uma greve estudantil em uma universidade nessas condições tem importância ainda maior e nota-se pelo fato de o monopólio da imprensa praticamente ignorar a importante greve na UPR, de que ela significa um grande incômodo para o imperialismo.

Milhares de estudantes participam das mobilizações no campus Rio Piedras promovendo atividades culturais e artísticas, assim como debates políticos e combativas manifestações, enfrentando a repressão policial. A polícia cercou a universidade e cortou o fornecimento de água, luz e o apoio externo da população. Populares que apoiam a ocupação realizam verdadeira peripécias para driblar o cerco policial enviando alimentos, água e apoio aos estudantes em luta. Professores e funcionários apoiam a luta. Pais de alunos participam dos piquetes e diversos setores do movimento sindical portorriquenho convocaram greves de solidariedade à ocupação.

— A solidariedade nos mantém vivos. Queremos construir uma universidade do povo e isso não é uma fantasia — disse o estudante de Ciências Sociais, Arturo Ríos Escribano, em protesto promovido às portas do campus Rio Piedras da UPR.

A Associação Coalizão, que congrega sindicatos e organizações populares de Porto Rico, divulgou uma nota de apoio que diz:

“Nossos estudantes seguraram a bandeira em defesa de uma universidade cujo propósito é servir o povo, servir os filhos e filhas de trabalhadores. Eles têm sido capazes de identificar claramente a forma como a administração da universidade, entregue aos interesses e propósitos imperialistas do atual Governo, pretende aplicar à faculdade critérios estritamente econômicos”.