Patrick Granja
Apenas dois dias depois que Cabral e Beltrame anunciaram a transferência da sede do Batalhão de Operações Especiais da PM, o BOPE, do Catete — na zona Sul do Rio — para Ramos — no complexo de favelas da Maré — centenas de policiais invadiram em plena manhã de domingo, duas das 17 favelas que compõe o conjunto. Durante a ocupação das favelas Parque União e Nova Holanda, seis pessoas foram mortas e segundo a assessoria de imprensa da PM, todas eram ligadas ao tráfico. Mas, de acordo com moradores, todos foram executados a sangue frio por policiais civis. O gráfico Márcio Marinho, um dos morador da Nova Holanda assassinado durante a ação foi executado com um tiro nas costas. Segundo testemunhas, antes do assassinato, ao revistá-lo, os policiais ainda roubaram dinheiro do trabalhador.


— Ele estava no bar quando os policiais chegaram. Perguntaram por que ele não correu. Ele disse que estava esperando acalmar. Quando ele saiu, atiraram covardemente e mataram um inocente — disse uma de suas vizinhas.
Perto de onde Márcio morreu estava Adriana Alves, de 25 anos, atingida por um tiro no braço. Segundo ela, quando os policiais apareceram, houve intensa correria dentro da favela, e as tropas fascistas de Cabral e Beltrame não hesitaram em disparar centenas de tiros a esmo em direção às estreitas vielas da Nova Holanda, por onde circulavam várias crianças e trabalhadores.
— Quando escutei tiros, corri para me abrigar numa padaria. De repente, senti impacto e vi a mão sangrando. Estou preocupada em ficar com seqüelas — disse a enfermeira ao mesmo tempo em que caminhava para o hospital sem receber qualquer ajuda da polícia, que segundo ela, foi responsável pelo disparo que atingiu seu braço.
Já na Vila da Penha, subúrbio do Rio, outros cinco homens foram mortos por PMs nas proximidades do Complexo do Alemão.
As emissoras de TV do monopólio da comunicação, regurgitando a mais peçonhenta linha editorial, tentam atenuar o genocídio nos bairros pobres e favelas com o argumento tacanho de que os mortos seriam “bandidos”, como se isso permitisse as bestialidades praticadas pela polícia no Rio e em todo o país. Enquanto os bandidos de colarinho são agraciados com “prisões domiciliares”, “habeas corpus preventivos”, e outros recursos do gênero para operarem outros crimes contra o povo livremente, nos bairros pobres a ordem é matar.

