sexta-feira, 11 de julho de 2008

E agora? Despreparo de quem?

Uma quadrilha é pega com a boca na botija, roubou milhões de dólares. Cadeia pra eles!

Calma, calma é gente importante, tem até advogado. Aliás, diga-se de passagem que belo advogado, se levantou aos brados contra a deduragem premiada. Quanta ética, afinal dedurar rico merece é punição. Se ao menos fossem bandidos pobres, ou algum bando de camponeses pobres tomando terra de latifundiários, vá lá, afinal cadeia é lugar de pobre mesmo. Mas não, são gente importante, um foi até prefeito!

Enquanto isso a comédia continua, a polícia “prende” a justiça solta. Só falta algum ministro reclamar do despreparo, devem estar reunidos para decidir, despreparo de quem.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Da. verborragia fascista à lamentação hipócrita.

Com o sangue ainda quente no Morro da Mineira nova atrocidade, agora cometida pela Polícia Militar. Da mesma forma, os jornais que defendiam a atuação do Exército na segurança pública e faziam contagem regressiva para o BOPE invadir favelas, depois que os crimes ocorrem, posam de chocados com a barbárie.

Assim foi no Morro da Mineira, e assim é agora no caso do assassinato do menino João Roberto. De nada adiantam a aparente indignação de Tarso Genro e Sérgio Cabral, e o alarde da imprensa, clamando mais uma vez o despreparo.

Tanto a Polícia quanto o Exército estão preparados para a função de reprimir o povo e o tem feito de forma sistemática. Para o hipócrita, o problema não é cometer o crime, mas ser pego com a boca na botija.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Camponês arbritáriamente preso em Pernambuco


Liberdade imediata para o Companheiro Fábio Paraíso da Luz



Companheiros e companheiras, democratas de todo o Brasil,

No dia 3 de julho, quinta-feira, o camponês Fábio Paraíso da Luz foi preso no município de Lagoa dos Gatos (Pernambuco). O companheiro foi vítima de uma armação policial, cujo objetivo era prender o dirigente da LCP (Nordeste) José Ricardo de Oliveira Rodrigues.

Fábio e Ricardo estavam almoçando num estabelecimento comercial em Riachão de Dentro, zona rural de Lagoa dos Gatos, quando 3 políciais militares desceram da viatura, que vinha em alta velocidade, com arma em punho gritando para Ricardo levantar as mãos. Os PMs revistaram Ricardo e deram busca em toda a casa. Fábio estava no interior da casa foi revistado pelos policiais, que também nada encontraram. Então, os policiais apareceram com um revólver dizendo que este pertencia a Ricardo. Para que o companheiro Ricardo não fosse preso Fábio afirmou que aquela arma era sua.
Claramente, o intuito dos policiais era prender Ricardo. Depois que a farsa da arma não deu certo os policiais ameaçaram prender o companheiro porque ele não tinha habilitação. É verdade que a moto da esposa de Ricardo estava estacionada em frente ao restaurante, mas estava desligada e, obviamente, ninguém a dirigia. Como prender alguém por não ter habilitação se este não estava conduzindo nenhum veículo no momento?
Como é de conhecimento de todos, José Ricardo é uma importante liderança camponesa do nordeste. Por sua conduta combativa e honesta foi perseguido inúmeras vezes pelo latifúndio, pelos órgãos do governo e pelo oportunismo. Há três meses Ricardo foi solto após ficar 3 anos preso injustamente. Sua libertação foi resultado de intensa campanha feita em todo o Brasil por sua liberdade e representou um duro golpe para o latifúndio semi-feudal do estado. Pouco depois de sua liberdade uma nova armação é feita contra o companheiro para retirá-lo de perto dos camponeses pobres. Mas o bote do latifúndio falhou contra Ricardo, porém como forma de pressão e de ataque ao povo levaram o companheiro Fábio detido.
Toda esta perseguição em Lago dos Gatos tem uma causa. Como era de conhecimento de todos no município os camponeses do Acampamento Riachão, área coordenada pela LCP, decidiram cortar por conta o latifúndio. Um dia antes da prisão de Fábio o teodolito e outros equipamentos necessários para corte haviam chegado, causando grande entusiasmo nos camponeses e despertando o ódio da "senhora" Célia, concubina de Cordeirinho, o cruel latifundiário ex-proprietário do Riachão.
Mas todas as ameaças e chantagens não impedirão o povo de avançar no caminho da revolução agrária. O corte vai acontecer custe o que custar. E conquistaremos também a liberdade do companheiro Fábio. No próximo dia 9 de julho, quarta-feira, uma grande passeata será realizada no centro de Lagoa dos Gatos exigindo a liberdade do companheiro. O objetivo é que a juíza municipal receba uma comissão de camponeses. Um dia antes, na terça, entraremos com o pedido de liberdade provisória. Solicitamos a todos companheiros que liguem e mandem faxes exigindo a liberdade do companheiro. Que estas mensagens sejam enviadas, de preferência, antes de quarta-feira para aumentar a pressão em cima das autoridades.
O tel/fax do fórum de Lagoa dos Gatos é: (81) 3692-1105. O nome da juíza é Dra. Jacira Jardim de Souza Menezes.
O companheiro Fábio é um jovem camponês, casado e com filhos. Desde muito participa da luta pela terra no estado tendo atuado nos município de Jaqueira, Lagoa dos Gatos e Quipapá. Fábio participou ativamente da organização e realização do 1ºEncontro Regional da Liga dos Camponeses Pobres (Nordeste), realizado nos 13 e 14 de junho, no Acampamento Riachão. Obs: a foto em anexo é do companheiro Fábio.

Saudações democráticas e combativas a todos!

Reprodução da nota da Liga dos Camponeses Pobres

terça-feira, 1 de julho de 2008

O neokantismo dos aliados do “proceso de cambio” na Bolívia

Wilson Enríquez

Nota da Redação: Na edição 43 de AND, publicamos o artigo Do "processo de mudança" ao impulsionamento da semifeudalidade, de autoria do mesmo Wilson Enriquez. Ocorre que no último período recebemos um texto do Sr. Jorge Echazu Alvarado – O debate. O proceso boliviano e seus críticos – no qual ele pretende criticar o artigo anterior, o que é rechaçado no presente texto. Para que se compreenda melhor o conteúdo da crítica do Sr. Echazu, seu texto pode ser encontrado abaixo.


O polemista Echazú inicia suas elucubrações de gabinete – do qual jamais saiu – esgrimindo uma espécie de neokantismo ao clamar e queixar-se por uma inexistente neutralidade valorativa em um meio de comunicação, quando o certo é que a imprensa revolucionária pode assumir políticamente a decisão de publicar os disparates revisionistas sempre e quando perseguir o claro objetivo e aplastá-los e contribuir para varrê-los da face da terra cabalmente, assim como também não fazer eco a vociferações reacionárias ou simplesmente não dar tribuna a cadáveres políticos e carros de reboque do reformismo e do revisionismo.

Se dá ênfase a esta aparentemente anódina situação, mas não é a única alusão kantiana do mencionado polemista que, pelo visto, elabora seus argumentos à luz da “Crítica da razão prática”, de autoria do famoso Königsberg, como ilustra o seguinte parágrafo:

“As hordas enlouquecidas de valentões fascistas atacaram brutalmente os camponeses que já se retiravam ante a notícia da suspensão do ato programado. As esquadras fascistas capturaram um grupo grande de camponeses, anciãos, mulheres e crianças e os conduziram em meio a uma chuva de golpes, murros, pauladas e insultos até a Praça 25 de Mato (sic) e a porta da Casa da Liberdade. Paradoxalmente, a frente dessa casa histórica seria o cenário do ato fascista, racista e inumano mais infame da história nacional, cometido contra ese humildes camponeses, obrigados a andar de joelhos, desnudos e permanentemente golpeados (1).”

Donde o autor reclama “humanidade”, ao invés de reconhecer uma clara derrota política dos aliados do MAS. Verdade seja dita, os adeptos ou simpatizantes do partido do governo se reuniram no lugar onde foram espancados não por mera casualidade ou curiosidade, mas para manifestar abertamente sua posição de apoio a Evo Morales, no contexto de um crescente clima de beligerância.

Então, ali onde se asume uma posição política numa situação complexa, deve-se igualmente estar preparado para asumir os custos políticos. As massas camponesas e indígenas da Bolívia, em múltiplas oportunidades, têm dado valiosos exemplos de luta, audácia e sobretudo de perspicácia política. Mas, este segmento do campesinato afim ao MAS só demonstrou a debilidade ideológica deste partido, assim como dos outros partidos que o acompanham no demagogicamente denominado “proceso de mudança”, pois mostraram incapacidade organizativa para planejar uma retirada, conjurar ou neutralizar o ataque dos mercenários da oligarquia sucrense.

Utilizar como carne de canhão a um grupo de camponeses para logo depois apelar para um tom lastimoso de talante humanista, que permita reverter a derrota política em um “triunfo moral”, através de espalhafatos midiáticos e o apoio das ONGs ligadas ao ativismo pelos direitos humanos só demonstra a instrumentalização da masa camponesa e indígena, a qual é anulada em seu papel fundamental de protagonistas, de sujeitos da emancipação, e miseravelmente lhe relega ao papel de tontos úteis do gamonal-sindicalismo.

Algo que deve ficar claro, é que aquí não se nega o caráter fascista dessa corja de bandoleiros e mercenários, verdadeiros exércitos paramilitares das oligarquias dos departamentos que conforman a chamada “Meia Lua” (Santa Cruz, Beni, Pando, Cochabamba, Sucre, Tarija); tão pouco a utilizacão de discursos racistas com os quais se enverniza a luta de classes na Bolivia, retroagindo ao discurso do “sangue puro” espanhol que serviu de pretexto ideológico à invasão da Hispanoamérica. Considerando os séculos de invasão árabe que os espanhóis experimentaram previamente, é uma prova palpável do nível discursivo do tal “sangue puro”, que não suportaria uma explicação científica desde o campo da biología, onde o conceito de raça é uma abstracção sem fundamento prático.

E quanto ao gamonal-sindicalismo, toscamente pretende-se confundir esta categoria com a de sindicalismo gamonal. Porém, quando nos referimos ao gamonal-sindicalismo, estamos falando do gamonalismo ## que é sustentado pelo sindicalismo corrupto exercido pela cúpula sindical que manipula e maneja os cordões do campesinato na Bolivia.

Segundo Mariátegui, o gamonalismo não alude específicamente a uma categoría socio-económica representada pelos gamonais, os mesmos que efectivamente deixaram de existir no ocidente boliviano com a reforma agraria de 1953; acrescentamos que o gamonalismo é uma categoría política fecha a trama hierárquica mediante a qual se mantém sobrevientes as relações sociais de produção exploradoras no ocidente boliviano nos marcos de uma evolução da semifeudalidade. Confundir gamonalismo com latifundismo é obra de Echazú, não nossa.

Echazú desconhece a perenização, na realidade rural do Ocidente boliviano, de alguns medifúndios, como parte de terras consolidadas aos ex-patrões, que hoje se reciclaram como uma casta neo-patronal de “gamonaizinhos”, vinculados aos camponeses pobres ou ao o semi-proletariado rural, através de relações de produção semifeudais, como a parceria (meia) ou a mink’a (jornada paga com alimentos, bebida ou dinheiro). Em outros casos, onde os patrões foram expulsos da área rural, camponeses que exerciam cargos de secretaria geral nos sindicatos se neciclaram como neo-patrões.

Deve-se reconhecer que as comunidades camponesas do Ocidente boliviano desenvolveram dinâmicas históricas, sociais, econômicas e políticas variadas e heterogêneas, considerando o fato de atualmete não exixtir uma só dessas comunidades camponesas onde não seja possível estabelecer uma diferenciação ente os camponeses – se existe, que o polemista dê o nome e as coordenadas.

Pois bem, esta diferenciação entre os camponeses está balizada por situações como as exemplificadas nos parágrafos anteriores, pela forma como as comunidades se vinculam com o mercado e através da agricultura, mineração, processos de venda de força de trabalho sazonal em cidades, processos de migração do campo à cidade, ou ao exterior do país, entre as múltiplas variantes.

Esta situação tampouco é alheia a muitas comunidades de ayllus onde a dotação de terras aos comunários nem sempre é igualitária. As relações entre comunários locais e os residentes em cidades ou no exterior não são necessariamente de reciprocidade ou harmônicas, como pretendem apresentar alguns ideólogos do MAS, repetindo a ladainha da antropologia do Norte e dos membros da renovada religião andina.

Em outras circunstâncias, algumas comunidades de ayllus do Ocidente boliviano vivem sob o jugo dos “vizinhos do povo”, estes últimos só se dedicam a dirigir o processo de produção agrícola em suas terras, mantendo relações de exploração com comunários de aylllus.

De tal modo que a veleidade multiculturalista do pós-modernismo – aparentemente consumido com avidez por Echazu e disfarçada quando ele se esconde em uma leitura revisionista de Lenin ao plantear uma “autodeterminação das nações” – não deve fazer perder de vista a existência de luta da classes nas zonas rurais do ocidente boliviano como subrepticiamente desliza o mencionado polemista.

Desta tribuna queremos ser enfáticos em reiterar a necessidade de considerar o campesinato e os povos indígenas da Bolívia como sujeitos protagônicos da emancipação do capitalismo burocrático, sistema que o MAS e seus aliados se encarregan de aprofundar.

O outro é ir pelo mundo reconhecendo nações de pouco mais de dez pessoas (ex. Toromonas), etnias cujas estratégias de manter viva suas culturas tem sido a fusão com outros grupos étnicos, como já ocorreu na Amazônia boliviana (ex. Pachauaras com Chacobos); ou ir obsequiando títulos de Terras Comunitárias de Origem (TCO) a etnias itinerantes que consideram como invadidos seus territórios sobre os quais não renunciam a seguir transitando (ex. Ayerosos), considerando que a invasão pela modernidade é inexoravelmente irreverssível. Ou por outro lado, inscrever uma TCO que posteriormente será manipulada pela oligarquia fascista crucenha, como é o caso da TCO Guarayos, completamente manipulada pelo atual Presidente do Comitê Cívico Pro Santa Cruz: Banco Marinkovic. Pese o que diz a ONU, que santificou tantas intervenções imperialistas, mas ainda assim merece a veneração de Echazú.

De volta ao sindicalismo corrupto na Bolívia, não só nos referíamos ao de Jaime Solares, sobre quem coincidimos com Echazú em sua tipificação. Só que em sua miopia intelectual, o polemista não é capaz de atinar que em nosso juízo, os heróis e heroínas de outubro de 2003 são gente anônima do povo e não figurões como está acustumada a identificar a historiografia positivista.

Também nos referíamos às “maletinhas” com dinheiro dos governos de turno que circularam e circulam nos Congressos da COB e dos que o mencionado senhor deve ter conhecimento. Mas à margem desses fatos, fundamentalmente a necessidade de independência sindical atavés da auto-sustentação, como assinalava Mariátegui em Ideologia e Política, mas ao que parece, para o polemista isso é um assunto irrelevante.

Finalmente, se para Echazú a Assembéia Popular de 1971 é um paradigma revolucionário, em clara repetição do receituário do trotskismo boliviano sobre o chamado “Poder Dual”, com o qual o “PC-MLM” compartilhou assentos na referida Assembléia, o problema é dele. Nós reafirmamos que tal Assembléia se tratou de um conciliábulo de charlatães com pompas revolucionárias entre quatro paredes, que não aportou uma linha aos revolucionários bolivianos e do mundo no caminho democrático da transformação de nossas sociedades.

Então que o senhor Echazú avalie e tome posição sobre a experiência da Assembéia Popular de 1971 e deixe de fazer ginástica elusiva e demagógica falando de outro fato como a resistência antifascista de Laikakota, da qual nem fizemos menção, pois a Assembléia Popular não se organizou precisamente para resistir ao golpe de Estado ou para realizar “os outros atos revolucionários” que efetivamente desconhecemos.


EL DEBATE. EL PROCESO BOLIVIANO Y SUS CRÍTICOS


Como previmos en una anterior respuesta a los artículos de “A Nova Democracia”, consideramos muy conveniente la continuación de un debate que nos permite poner nuestros puntos de vista sobre el proceso de cambio boliviano, frente a las críticas que surgen de todos los costados, incluyendo aquellos que se dicen revolucionarios pero que en realidad lo único que hacen es repetir como papagayos toda la propaganda de la derecha reaccionaria y el trotskismo provocador.

La siguiente es nuestra respuesta al artículo aparecido en “A Nova Democracia” en junio de 2008. Año 6 No. 43, que nos ha sido enviado directamente a nuestra dirección, con el título de “Do +processo de mudanza+ ao impulsionamento da semifeudalidade”. Hacemos conocer, por otra parte, que “A Nova Democracia” se nos envía directamente para nuestro conocimiento y por lo tanto no se trata de una respuesta comedida de nuestra parte.

Como estamos seguros que “A Nova Democracia” no publicará nunca nuestras respuestas, en imitación de la política de la gran prensa reaccionaria que silencia las respuestas a sus ofensivas mediáticas contrarrevolucionarias, no nos queda otro recurso que mandar esta respuesta por vía Internet.

PUNTO 1. LAS AUTONOMÍAS.

Efectivamente, el señor Wilson Enríquez toca uno de los problemas más álgidos y controvertidos de la coyuntura política boliviana. Empero su análisis está tan alejado del materialismo histórico que demuestra la inermidad ideológica de los críticos del proceso boliviano, precisamente por su total desconocimiento de la realidad nacional.

El Estado nacional boliviano no pudo en el transcurso de casi dos centurias, constituirse plenamente como tal. Ya en el siglo XXI, surgen las oligarquías que provienen de la inmigración fascista europea que hacen su nido en Santa Cruz, reciben de parte de los gobiernos del MNR, de las dictaduras militares y del neoliberalismo, extensas tierras gratuitamente y enormes créditos para la implantación de la actual agroindustria cruceña. Echadas en 2003-2005 de una buena parte del aparato del Estado, estas oligarquías encuentran en el regionalismo provinciano su arma eficaz para oponerse al proceso de cambio gestado en El Alto por parte de las masas populares más explotadas y por las naciones oprimidas de la Formación Social Boliviana.

Enterrados como estaban los viejos partidos tradicionales, la oligarquía asentada en Santa Cruz se atrinchera en el oriente y levanta la bandera “autonomista departamental” en clara oposición al gobierno central. El regionalismo, el racismo, el anti-comunismo y otras expresiones reaccionarias, constituyen las armas preferidas de la oligarquía cruceña que finalmente logra articular, además, la capitalidad de la ciudad de Sucre como otro argumento contra el proceso y el gobierno.

La Agenda de octubre que había sido concebida por la mayor insurgencia popular y revolucionaria de la historia de Bolivia, no podía menos que provocar la reacción furiosa de la derecha que inmediatamente comenzó a rearticularse ya no en base a partidos políticos sino a regionalismos departamentales donde tenía y tiene apoyo masivo. La lucha de clases en Bolivia, no es como quisiera nuestro buen amigo Wilson, la misma es muy complicada y no merece ser tratada de la forma ridícula como lo hace este sabiondo señor.

Como el mismo lo explicita, en Bolivia NO SE HA PRODUCIDO NINGUNA REVOLUCION, EL GOBIERNO NO TIENE EL PODER POLITICO SUFICIENTE PARA NACIONALIZARLO TODO, PARA EXPROPIAR Y EXPULSAR A LAS TRANSNACIONALES Y MUCHO MENOS PARA DECLARAR LA GUERRA AL IMPERIALISMO YANQUI, como parece desear nuestro crítico. ESTO DEBE SER COMPRENDIDO MINIMAMENTE POR LOS GRATUITOS CRÍTICOS.

El proceso de cambio, popular, democrático, progresista que tiene una base revolucionaria porque es el resultado de una lucha abnegada de medio siglo contra la impostura movimientista, las dictaduras militares fascistas y el neoliberalismo genocida y vende patria, es también nuestro como patrimonio de los pueblos, las clases, las naciones y los patriotas bolivianos por que fueron todos ellos los que lo conquistaron y en consecuencia, no pueden menos que sostenerlo, apoyarlo, profundizarlo y radicalizarlo, hasta alcanzar las metas estratégicas de la construcción socialista. Meta ésta que no aparece, efectivamente, en el programa del MAS, pero que está profundamente enraizada en el corazón de todos los bolivianos revolucionarios. Debemos pues luchar en las condiciones concretas que se dan en la realidad objetiva y no en los deseos de unos cuantos iluminados.

La derecha fascista logró amplio apoyo en sus departamentos para la idea autonomista que, en realidad, tiene como objetivo la separación de Bolivia de la llamada Media Luna. Se debe concluir que la idea de una descentralización administrativa es una necesidad de algunas regiones muy apartadas del territorio cuyos habitantes deben ir hasta la ciudad de La Paz para lograr determinaciones menudas de carácter local. Efectivamente, desde el punto de vista revolucionario, lo que corresponde es el fortalecimiento del estado nacional para el desarrollo socio-económico del país. Sin embargo, la unidad de Bolivia no puede hacerse realidad sino con el reconocimiento de la existencia de comunidades indígenas que son mayoría poblacional.

Es cierto que la derecha logró imponer con fuerza social el criterio de las autonomías departamentales y que una fracción del propio ejecutivo llegó a una conciliación. Sin embargo el carácter mismo de esas autonomías jamás fue aceptado por las competencias y atribuciones desmesuradas y separatistas que contenían sus documentos.

PUNTO 2. EL GOBIERNO GAMONAL-SINDICALISTA.

No podemos comprender cómo se puede levantar un cargo tan insólito como el de gobierno “gamonal-sindicalista” para el actual gobierno del MAS. El gamonalismo es equivalente al de terratenientismo o latifundismo y finalmente semi-feudalidad o feudalidad plena. No conocemos en absoluto alguna autoridad del gobierno, de los movimientos sociales que posean grandes extensiones de tierras en el occidente, donde no existen grandes latifundios pues la Reforma Agraria de 1953 extinguió la casi totalidad de los viejos latifundios derivados de la Colonia y la república temprana del siglo XIX.

Por lo mismo resulta sumamente ridículo sostener la idea de una oligarquía gamonal-sindical porque hasta conceptualmente resulta anacrónica.

PUNTO 3. LAS AUTONOMÍAS INDÍGENAS.

El marxismo-leninismo reconoce desde comienzos del siglo XIX, el derecho que tienen las naciones oprimidas a su autodeterminación que puede incluso llevarlas a la independencia nacional. Es importante estudiar el gran aporte leniniano-staliniano sobre el problema nacional y colonial en los casos austro-húngaro y ruso.

El Estado nacional no tiene futuro y enfrenta una disyuntiva: o se transforma en un Estado Multinacional democrático o se diluye en una balcanización a la que propenden las oligarquías de la llamada “Nación Camba”. Empero, ¿quién o quiénes son los que están trabajando todos los días para desmembrar Bolivia? Para “Enríquez” es el gobierno con sus propuestas de treinta y tantas naciones y nacionalidades indígenas con autonomía e incluso con autodeterminación.

Para dilucidar este problema, es bueno que “Enríquez” estudie a Lenin y a Stalín, en sus trabajos sobre el Estado multinacional soviético y el derecho inalienable de las naciones a su autodeterminación. En el caso boliviano, el viejo Estado nacional no se percataba de la existencia de esas naciones y nacionalidades oprimidas que estaban fuera de toda consideración. Los indígenas y pongos bolivianos eran bestias de carga, podían ser vendidos junto con la tierra a nuevos amos que compraban latifundios, eran sometidos a vejámenes idénticos a los del 24 de mayo de 2008 en Sucre (ver fotografías), se los podía matar sin que nadie reclame por ellos.

En la nueva Constitución Política, las naciones originarias sean mayoritarias como la quechua o la aymará o menores como la guaraní, la guaraya o la moxeña, tienen derecho a la autonomía plena y ese derecho no es “robinsoniana”, sino una atribución legítima reconocida hasta por las NN UU, la misma que reivindicamos los marxistas y maoístas, mientras los trotskistas, como Enríquez, abominan al campesinado y mucho más a los indígenas.

PUNTO 4. LA SEMI-FEUDALIDAD.

Este punto tiene que ver con el Gobierno gamonal-sindicalista. Según el articulista, el gobierno boliviano está compuesto por una oligarquía terrateniente occidental cuyos integrantes serían sindicalistas corruptos (¿Solares?)

Quisiéramos encontrar a esos gamonales masistas con grandes extensiones de tierras en el occidente de La Paz, Oruro y Potosí. Si comprobamos que por ahí se encuentra alguna autoridad del gobierno con tierras en estos departamentos o en el oriente, se nos haga conocer porque de semejante fenómeno no tenemos la menor noticia. Comparemos las propiedades de los croatas, alemanes, y norteamericanos que detentan propiedades de cien mil hectáreas y más en Santa Cruz, El Chaco, Beni y Pando. Sin embargo la crítica de “Enríquez” no va por ese camino. No importa que el gamonalismo cruceño y oriental sea escandaloso, de lo que se trata es de encontrar “gamonales” masistas en el occidente.

PUNTO 5. LA COSTRA SINDICAL. LA ASAMBLEA POPULAR DE 1971.

Sorpresivamente, aparece una rememoración histórica sobre el gobierno de Juan José Torres, la Asamblea Popular y la resistencia de agosto-21 en la Paz. Resulta que para nuestro crítico, ese hecho constituye la “vergüenza mayúscula” de la historia universal.

Por primera vez en la historia boliviana, un intento tímido de constituir un órgano legislativo popular que reemplace al Congreso tradicional, es interpretado como una “vergüenza” y la causa del ascenso al poder de Bánzer Suárez. El pobre Enríquez no conoce en absoluto los acontecimientos de agosto de 1971, cuando, efectivamente, una Asamblea Popular discutía los problemas del nuevo Estado mientras el fascismo militar amenazaba en el horizonte; son efectivamente errores, pero no por ello se va a descalificar una experiencia que, con deficiencias, constituye un ensayo de estructurar un poder popular. Además la Asamblea y sus integrantes en su mayoría participaron activamente en la resistencia armada del pueblo paceño contra el golpe fascista y en sus victorias de Laikakota, la toma de la Intendencia de Guerra y otros actos revolucionarios que “Enríquez “ no conoce y califica de vergüenza internacional. Seguramente para su esmirriada inteligencia, la resistencia anti-fascista de agosto de 71, fue algo vergonzoso.

Pero, por otra parte, “Enríquez”, se introduce en una miserable disquisición sobre las sedes sindicales que tenía y tiene el movimiento sindical boliviano. Increíblemente sostiene el susodicho autor del artículo que la posesión de unos viejos y destartalados inmuebles que efectivamente tiene la Central Obrera Boliviana y el edificio bombardeado de la Federación de Mineros, convierte al movimiento obrero en una costra corrupta y en una burguesía gamonal-sindicalista. Es tan ridículo el cargo que no sabemos cómo refutarlo, pero demuestra hasta qué punto existe en el señor Enríquez la mala intención de criticarlo todo, incluso levantando ridiculeces como su denuncia insulsa contra Abel Mamani y Román Loayza por ocupar el primero un ministerio y el segundo su situación en la Asamblea Constituyente.

PUNTO 6. LOS ENFRENTAMIENTOS ACTUALES.

SUCRE-COCHABAMBA-ALTO PARAPETI-HUANUNI. Etc.

Se insiste en cargar sobre el gobierno la responsabilidad plena de los enfrentamientos sociales y políticos que se dieron en los últimos tiempos.

Primero está Huanuni.

Los falsos “cooperativistas”, en realidad pequeños empresarios que se dedican a dar ocupación a humildes mineros que trabajan con sus manos, con todos los riesgos, para beneficio de sus patrones; pretendían apoderarse del cerro Posokoni para explotarlo en las mismas condiciones pre-capitalistas más miserables. Los asalariados de Huanuni, plantearon la resistencia y se produjo el enfrentamiento. El gobierno, a la cabeza del compañero Dalence hizo todo lo inimaginable para evitar el encuentro fratricida sin resultados positivos y más bien con muchas bajas de ambos lados. Inculpar al Gobierno por esos hechos es la falacia más grande que repiten todos los días los reaccionarios y manifiestamente también “A Nova Democracia” a través de su corresponsal en Bolivia Saba Calero.

Segundo. Sucre. 24 de mayo, el día de la ignominia.

Cuando el gobierno preparaba en Sucre una asamblea con los diversos municipios del departamento para hacer entrega de un lote de ambulancias, la dirigencia reaccionaria de Sucre, aliada del Comité Cívico cruceño y la Unión Juvenil Cruceñista, conocida estructura paramilitar fascista (que no aparece en ningún análisis del Enríquez), organizó una asonada “prohibiendo” al presidente llegar a la ciudad. Las hordas enloquecidas de matones fascistas atacaron brutalmente a los campesinos que ya se retiraban ante la noticia de la suspensión del acto programado. Las escuadras fascistas capturaron a un grupo grande de campesinos, ancianos, mujeres y niños y los condujeron en medio de una lluvia de golpes, patadas, apaleamientos e insultos hasta la Plaza 25 de Mato y la puerta de la Casa de la Libertad. Paradójicamente, el frontis de esa Casa histórica sería el escenario del acto fascista, racista e inhumano más infame de la historia nacional, cometido contra esos humildes campesinos, obligados a caminar de rodillas, desnudos y permanentemente golpeados. Se quemó sus banderas y sus ponchos, se les obligó a vociferar contra el Evo, se les obligó a besar el suelo en “sumisión” a Sucre bajo el alarido de “Sucre se respeta, carajo”.

Las imágenes transmitidas por todos los canales de televisión nacionales y extranjeros mostraron, mal que les pese, la infamia del accionar de bandas de jóvenes drogados y enloquecidos por la demagogia. No pudieron los medios eludir la obligación de hacer conocer a todo el país y el mundo las atrocidades que se cometían en nombre de la “libertad” y la “democracia” y en realidad como comprobación del nazi-fascismo reinante en la “capital”.

Como se ve, en Bolivia existen ya organismos paramilitares de carácter fascista que tienen como objetivo final o el derrocamiento violento del Gobierno o la división del país para crear un nuevo Estado vasallo del Imperialismo. No podemos perder de vista esta realidad. Por su parte el Gobierno que, a pesar de toda la propaganda, hace todos los esfuerzos para evitar los enfrentamientos, no comprende plenamente que con el fascismo no se dialoga, se lo aplasta o nos aplasta, eso nos enseñó nuestro inolvidable camarada Stalin.

Tercero. El caso del Chaco-Alto Parapetí.

Cuando una Comisión del Instituto Nacional de Reforma Agraria, acompañada por dirigentes de la Asamblea del Pueblo Guaraní, se hacía presente en el Alto Parapetí, un municipio de la región chaqueña, los verdaderos gamonales extranjeros, concretamente la familia Larsen de origen norteamericano, cuyas “propiedades” de miles de hectáreas, son resguardadas por mercenarios colombianos y brasileños armados hasta los dientes, atacaron brutalmente a la Comisión y a los periodistas que la acompañaban. La Comisión fue agredida, los periodistas golpeados y los indígenas conducidos a la plaza de Camiri donde fueron humillados y torturados. La Comisión ante la imposibilidad de cumplir su misión legal de saneamiento de la tierra tuvo que retirarse. Se puede efectivamente criticar al Gobierno por no haber dado protección policial a la comisión, pero la crítica reaccionaria y de nuestro crítico, se dirige contra la Comisión que habría “agredido” a la población civil.

Vemos cómo coincide exactamente la versión de la derecha reaccionaria y la versión que sostiene nuestro “amigo” Enríquez.

Cuarto. Cochabamba.

El departamento de Cochabamba, lamentablemente ha elegido por voto citadino al señor Manfred Reyes Villa, un paramilitar, edecán del Gobierno de García Meza. Este señor tuvo la desvergüenza de proclamar a voz en cuello: “Adelante Santa Cruz con su independencia”. Dicha proclama sublevó y enardeció a la población trabajadora y campesina de Cochabamba que, efectivamente, tomó las instalaciones de la prefectura y les prendió fuego. Unos días después Reyes Villa organizó a las escuadras fascistas de la ciudad y su complemento las bandas de la Unión Juvenil Cruceñista (que ya actúa a nivel nacional y no solamente en Santa Cruz), agrediendo brutalmente a una concentración de regantes campesinos. El resultado fue un muerto a bala de los campesinos y un muerto de los fascistas que cayó víctima de la furia campesina que sufría brutales agresiones en el centro de la ciudad.

Ahora bien acusar al gobierno de una masacre contra el pueblo en Cochabamba es otra de las falacias de la reacción que repite maliciosamente nuestro “crítico”.


PUNTO 7. EL ASUNTO JAIME SOLARES.

Para el señor Wilson Enríquez, el héroe de las luchas “revolucionarias” de Bolivia que se oponen al gobierno “gamonal-sindicalista”, “reaccionario”, “pro-imperialista”, “indigenista a la robinsson”, y “cocalero”, es el minero “sindicalista” Jaime Solares. Empero, ¿quién es Jaime Solares? Naturalmente Wilson no sabe o se hace el que no sabe. Bueno, he aquí un breve prontuario de Jaime Solares.

Apodado “El Baldarachi”, de origen trotskista (POR de pie), fue un agente represor del ministerio de gobierno del narcotraficante, fascista y masacrador Luís García Mezza, torturador de comunistas y resistentes a ese régimen nefasto. Se cuentan y son públicas fotografías de la actuación represiva sobre todo contra los mineros de parte de ese infame impostor que, justamente por la decadencia lamentable del movimiento proletario minero, llegó a ser Secretario Ejecutivo de la COB y de la Central Obrera de Oruro en la actualidad.

Resulta risible la catalogación de “sindicalistas” corruptos, cuando Solares es el prototipo más connotado de ese espécimen humano.

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En resumen, la actual respuesta que podría ser mucho más extensa en vista de la cantidad de pruebas que existen sobre el carácter de nuestro proceso y las grandes dificultades que debe enfrentar en una enconada lucha de clases, sirve para continuar una polémica que no solamente se refiere al Sr. “Enríquez” y “A Nova Democracia”, sino también a todos aquellos que, confundidos por la propaganda reaccionaria, se colocan consciente o inconscientemente de lado de las fuerzas reaccionarias enemigas de Bolivia y de su UNIDAD.

Jorge Echazú Alvarado.

PCmlm.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Coordenador fascista da UFBA renúncia ao cargo

Dias depois de tentar justificar a incompetência de sua gestão fazendo afirmações criminosas que desmerecem o valor da cultura e do povo baiano, Antonio Dantas foi obrigado a renunciar ao cargo de coordenador da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.

Dia 30 de abril o Ministério da Educação divulgou a lista dos 17 cursos que vão ser supervisionados pelo MEC devido às baixas notas no Enade (Exame nacional de desempenho de estudantes). Antes mesmo da sua realização, o exame já era contestado por estudantes de todo o país por gerar uma futura descriminação aos alunos das faculdades mal-avaliadas no mercado de trabalho. Entre os cursos reprovados na avaliação está a Faculdade de Medicina da UFBA (Fameb), até então coordenada por Antônio Dantas, de 67 anos.

Em uma frustrada tentativa de justificar a ineficiência de sua gestão e esconder a insatisfação e boicote dos estudantes ao Enade, o ex-coordenador afirmou que o péssimo resultado — nota 2 em uma escala até 5 — é conseqüência do baixo QI (quociente de inteligência) dos estudantes baianos.

Se não houve boicote dos estudantes, o que não acredito, o resultado mostra a baixa inteligência dos baianos — afirmou Dantas, que ainda justificou suas palavras fazendo referência à colonização do Brasil, “que no Sul do país foi privilegiada pela presença de outros povos, como o europeu, diferente do nordeste, que foi prejudicado pela predominância dos negros”. De todas, essa foi a alegação do ex-coordenador que melhor configura o ato de racismo, mas que porém está sendo ocultada pelo monopólio dos meios de comunicação, provavelmente para amenizar a repercussão do caso em meio à tantos escândalos de corrupção nas universidades federais.

Com ares de superioridade, ele disse ainda que o resultado jamais poderia ser reflexo do desempenho dos profissionais ou dos coordenadores do curso, incluindo ele mesmo, e só pode ser justificado pela “falta de inteligência hereditária” dos baianos.

— O corpo docente da faculdade é qualificado e não seria justificativa para o mau resultado no exame. O baixo QI dos baianos é hereditário e verificado "por quem convive” [com os Baianos]. O que a gente pode fazer para melhorar a capacidade cognitiva das pessoas? Não tenho como mudar a genética. A prova do Enade não foi ruim. Ruins são os nossos alunos — disse o ex-coordenador, que não-satisfeito, ainda exemplificou suas palavras de maneira irônica.

O baiano toca berimbau [instrumento de capoeira] porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria — alegou Dantas em um ato de preconceito sem proporções, que desmerece o valor da cultura baiana para o povo brasileiro e suas influências africanas, como a capoeira e o berimbau, lembrando que a Bahia possuí a maior população negra do Brasil.

As declarações criminosas do ex-coordenador levaram-no a renunciar ao cargo nesse domingo, dia 4 de abril, sob forte pressão da comunidade acadêmica.

Depois de reitores que compram mobília de luxo com verbas da universidade, que desviam dinheiro público através de cartões corporativos ou que dão ordens para que a tropa de choque agrida estudantes; agora outros muitos criminosos começam a aparecer no comando de cursos e universidades públicas brasileiras. Mais uma vez a insignificante pena da renúncia substitui a prisão, desta vez pelo crime de preconceito, injúria, racismo e discriminação.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Chacinas policiais nas favelas do Rio deixam cada vez mais mortos

Em outubro de 2007, dados ainda parciais já apontavam a gerencia de Sérgio Cabral como a mais sangrenta da história (1.260 pessoas mortas pela polícia). Em 2008, com o apoio de Lula e o prosseguimento pontual da cartilha imperialista de extermínio da pobreza, Cabral quer se superar mais uma vez. As invasões policiais tornaram-se diárias e o número de inocentes mortos cada vez maior. Em apenas três favelas 40 pessoas foram mortas.

Em Bangu, dia 3 de abril, a polícia invadiu as favelas da Coréia e da Vila Aliança e matou pelo menos 12 pessoas. A chacina, que durou quase metade do dia, teve a participação de várias delegacias, entre elas a CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais). De acordo com a diretora da creche comunitária da favela da Coréia, que ficou com medo de se identificar, crianças e educadores foram surpreendidos quando chegaram ao local antes das 7h da manhã e se depararam com uma base da polícia montada dentro da creche. O pátio, onde as crianças brincam, era usado pela CORE como local de pouso para os helicópteros. Além disso, os policiais teriam prendido todos em uma pequena sala proibindo funcionários e professores de usar o telefone. De acordo com a diretora em nota da Secretaria Municipal de Educação, professores e pais de alunos foram desrespeitados pela polícia, que arrombou os portões da creche e agrediu funcionários.

Dias depois da invasão, uma senhora foi até a Ordem dos Advogados do Brasil com a carteira de motorista, carteira de trabalho e contra-cheque do filho de 31 anos, executado pela polícia. De acordo com Margarida Pressburguer, presidente da comissão de direitos humanos da OAB, Clecio Amaral de Souza era motorista de vã e saia para trabalhar às 7h da manhã. Por causa do intenso tiroteio Clecio pediu abrigo na casa de um vizinho para se proteger. Policiais em um helicóptero viram Clecio entrando no barraco e ordenaram que policiais, em terra, invadissem o local. Depois de capturado, Clecio foi executado com um tiro na nuca e outro no peito, na frente de uma criança e de um homem, que seria o dono do barraco. O motorista que, mesmo desarmado, foi covardemente assassinado tinha anotações em sua carteira de trabalho desde os 15 anos, a última delas como gari da COMLURB.

Na manhã de terça-feira, dia 15 de abril o BOPE invadiu a Vila Cruzeiro, matou 9 pessoas e feriu outras 6. Nos dias seguintes à invasão o BOPE ocupou a favela e montou base no Posto de Policiamento Comunitário (PPC). Os traficantes fugiram para as comunidades vizinhas e os moradores, sem outra opção, seguiram suas vidas normalmente. Porém circular na favela com a presença do BOPE tornou-se um risco de vida iminente. Até agora outras 7 pessoas já foram mortas sem que se saiba a culpa de qualquer uma delas, já que nenhuma investigação foi, nem será feita.

Na tarde de sexta-feira, dia 25 de abril, policiais do BOPE invadiram a Cidade de Deus deixando onze mortos e pelo menos 5 feridos. Entre os feridos estavam duas senhoras, Maria José Silva foi baleada no glúteo, no braço e na perna, e Maria dos Anjos Mendes Cruz foi atingida no glúteo. Elas foram levadas para o hospital Lourenço Jorge e liberadas depois um período em observação. Já uma outra senhora, Jozélia Barros Afonso, de 70 anos, não teve a mesma sorte. Ela foi baleada quando estava dormindo e faleceu momentos depois, no hospital. O seu marido, Valdair da Conceição Afonso, era casado há 51 anos com Jozélia e disse ter certeza de que o tiro partiu dos policiais.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Acampados da fazenda Catâneo relatam 30 desaparecidos

Jaru, 11 de abril de 2008

Atualizada em 06/05/08
Veja reportagem completa sobre o ataque aos camponeses em
A Nova Democracia 42

O acampamento Conquista da União, localizado próximo à cidade de Campo Novo-RO, foi atacado na manhã do dia 9 de abril por cerca de 100 jagunços fortemente armados, com coletes a prova de balas, coturno e capuz preto. Os camponeses saíram correndo sob disparos, deixando todos seus pertences para trás. Após expulsarem as famílias, os pistoleiros queimaram barracos com roupas, documentos pessoais e mantimentos e a polícia apreendeu depois cerca de 20 motos que ficaram no acampamento destruído.

O acampamento não é dirigido pela Liga, mas independente disso, apoiamos toda e qualquer luta camponesa e do povo por uma vida digna de trabalho, terra, justiça e nova democracia e contra mais de 500 anos de exploração, massacres e injustiças no nosso País.

Ainda na quarta-feira, recebemos vários telefonemas denunciando o ataque covarde e alguns companheiros que sobreviveram conseguiram chegar até a sede da Liga em Jaru confirmando as informações. Denunciamos imediatamente a grave situação a vários órgãos de imprensa e entidades populares. Também repassamos o relato de camponeses que foram expulsos do local de que cerca de 15 pessoas teriam morrido no acampamento pelas balas dos jagunços, o que também havia sido denunciado em vários meios de imprensa de nosso estado.

Assim que foi possível, também verificamos in loco a situação da área. No momento, os acampados estão na linha 02 próximo à BR 421, dormindo no relento, só com a roupa do corpo e se alimentando graças à ajuda de moradores do local, solidários com os camponeses. Eles confirmam o fato que já havíamos denunciado e ainda informaram que do dia 9 para o dia 10 uma caminhonete da fazenda movimentou-se a noite toda no local onde era o acampamento. É possível que estivessem pegando corpos para esconder em outro local, assim como fizeram em Santa Elina, logo após o massacre de 1995 para não deixar pistas do verdadeiro número de camponeses assassinados pelos pistoleiros e policiais a mando do latifúndio.

Alguns jornalistas foram até a área do acampamento Conquista da União para acompanhar a situação, sendo que alguns deles foram recebidos com hostilidade pelos pistoleiros da fazenda, como relatou o próprio Roberto Gutierrez, da Folha de Rondônia.

Outra situação estranha é que, mesmo com todas as denúncias e com os tiros tendo sido ouvidos a vários quilômetros de distância, a polícia só compareceu no local no dia 10 às 16 horas. E mesmo assim os policiais que compareceram no local foram os membros da polícia ambiental que trabalham dentro da fazenda Condor e que são conhecidos na região pelos abusos cometidos contra a população da região, em especial aos camponeses sem-terra.

Até agora nenhum corpo foi encontrado, mas os camponeses sobreviventes do ataque dizem que existem até 30 pessoas desaparecidas. Este número não é preciso, pois os camponeses se espalharam enquanto fugiam do ataque. Ainda não podemos afirmar com certeza que houveram mortes, mas também não podemos afirmar que não houve nenhuma. A região de Buritis tem um histórico de massacres e ataques de pistoleiros a mando de latifundiários contra camponeses e nas últimas semanas a campanha difamatória de setores vendidos da imprensa nacional e estadual nos indicam a tentativa de prepararem a opinião pública para um aumento da repressão e até a execução de um massacre contra os camponeses pobres em luta pela terra.

Discordamos veementemente das afirmações de alguns veículos de imprensa que querem insinuar que “não foram achados mortos, portanto está tudo bem”.

Perguntamos se está tudo bem que pistoleiros invadam acampamentos queimando pertences do povo, atirando para todos os lados?

Rechaçamos também outra mentira de que o ataque foi disputa entre próprios camponeses.

Estamos todos alertas. Muitas dúvidas ainda não foram esclarecidas. A situação do campo em Rondônia é muito grave. As calúnias e difamações na imprensa contra os camponeses e a LCP seguem em curso no estado.

Mas por outro lado, temos recebido apoio de entidades e democratas de todas as partes do país.

Conclamamos a todos verdadeiros democratas a se unirem contra a campanha de difamação e repressão ao movimento camponês em Rondônia e pela punição imediata dos autores de mais esta ação covarde do latifúndio.

INVESTIGAÇÃO IMEDIATA DOS DESAPARECIMENTOS NA FAZENDA CATÂNEO!
LUTAR PELA TERRA NÃO É CRIME!
TERRA PARA QUEM NELA TRABALHA!

LCP – LIGA DOS CAMPONESES POBRES DE RONDÔNIA

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Latifúndio promove novo massacre em Rondônia

Na manhã desta quarta-feira, 9 de abril, cerca de cem homens encapuzados invadiram o acampamento Conquista da União, no município de Campo Novo, em Rondônia, e abriram fogo contra os camponeses. Os pistoleiros estavam encapuzados, com coletes a prova de balas e fortemente armados. Suspeita-se da participação de policiais na ação contra os camponeses.

Os primeiros relatos dão conta de 15 camponeses mortos (ainda não confirmados), inclusive uma mulher grávida, nesta nova barbárie cometida contra os camponeses pobres do estado. Os barracos foram incendiados junto com todos os pertences das famílias e inclusive cerca de 20 motos foram queimadas. A preparação desse novo massacre vinha sendo denunciado frequentemente pela Liga dos Camponeses Pobres, que apontava todos os preparativos feitos pelos latifundiários, assessorados pelas forças de repressão do velho Estado. Inúmeros panfletos, boletins e notas à imprensa foram enviados para os órgãos de imprensa, Ouvidoria Agrária e outras instituições. Esta era uma barbárie anunciada e nenhuma “autoridade” tomou qualquer atitude para evitá-la.

A grande campanha no monopólio dos meios de comunicação visando criminalizar o movimento camponês da região teve finalmente o desfecho que o latifúndio e as demais classes reacionárias desejavam. IstoÉ, Folha de Rondônia e outros veículos, o governador Ivo Cassol, a Polícia de Rondônia e os latifundiários do estado são os responsáveis por mais este crime contra o povo. As freqüentes e falsas acusações de que a Liga dos Camponeses Pobres fazia treinamento de guerrilha, possuía grande quantidade de armamentos e era composta por terroristas servem para tentar desmobilizar o apoio às famílias de camponeses pobres em luta pela terra na região e orientar a ação do Estado para a repressão aos trabalhadores. Se os camponeses estão assim tão treinados e armados, porque não responderam ao fogo dos jagunços?

Por telefone, a reportagem de AND ouviu denúncias de um camponês de que o tiroteio foi ouvido até a noite e que a polícia foi avisada desde ontem e até agora, 12 hrs, não se dirigiu ao local, o que facilita a ocultação dos cadáveres, uma vez que os jagunços ainda estão no local. As famílias que conseguiram fugir estão acampadas apenas com a roupa do corpo na cidade de Buritis. Outras permanecem às margens da RO 421, rodovia estadual que passa perto do local.

O acampamento ficava na fazenda Catâneo e não era dirigido pela Liga dos Camponeses Pobres, mas este movimento solidarizava com a luta dos camponeses que tomaram a fazenda independentemente de qualquer movimento.

Numa clara tentativa de esconder os fatos, a secretaria de defesa do estado de Rondônia convocou uma entrevista coletiva às 10h de hoje, quando negou que a ação dos pistoleiros tenha ocorrido e que tudo não passa de boatos.

Há ainda informações de que forças do Exército e da Força Nacional de Segurança se dirigiram para a localidade de Jacinópolis para a repressão ao movimento camponês da região, principalmente à Liga dos Camponeses Pobres.

Entidades populares, de defesa dos direitos humanos, jornalistas honestos estão se dirigindo para o local para documentação do fato e realização de ampla denúncia no Brasil e no exterior, para que se conheça a ação do Estado criminoso contra os camponeses.

Mumia Abu Jamal terá novo julgamento

Igor Chaves

Na última semana de março deste ano, a Corte Federal de Apelações anulou a sentença de morte do jornalista e militante do grupo Panteras Negras Mumia Abu Jamal, convertendo-a em prisão perpétua. O Tribunal de Apelação dos Estados Unidos deu um prazo de três a seis meses para o estado da Pensilvânia tomar um decisão sobre o futuro do jornalista e ativista do movimento negro: a pena de morte ou a prisão perpétua. A defesa alega inúmeras irregularidades no processo.

Com o julgamento cercado de várias imprecisões no processo, a execução foi suspensa em 2001 uma vez que o tribunal considerou inconstitucional a exclusão de jurados negros, a constatação de instruções duvidosas ao réu, além de utilização de testemunhas pouco confiáveis.

Jamal foi preso em 9 de dezembro de 1981 e condenado em 1982, sob a acusação de ter assassinado o oficial de polícia Daniel Faulkner, na Filadélfia quando interveio para socorrer seu jovem irmão, que estava sendo terrivelmente espancado por Faulkner. Ele dirigia se táxi quando viu a cena. No curso da briga, havia um outro homem, não identificado. Resultado: confusão, gritos e disparos. Quando outros policiais chegaram ao local, Jamal estava ferido e Faulkner morto. As testemunhas admitiram ter presenciado o homem não identificado – que nada parecia com Jamal – fugir do local.

Ao longo de duas décadas, uma initerrupta batalha judicial foi desencadeada, cercada de apelos por um julgamento justo e transparente. Mas mesmo com a verificação de irregularidades no processo estendido há décadas, a data de execução costuma ser marcada e, por conseguinte, suspensa.

Milhares de protestos ocorreram no mundo todo exigindo a libertação e novo julgamento de Abu Jamal, um preso político claramente vítima de uma armadilha. Também jornalista, Jamal jamais se furtou de atacar o poder, mesmo sob cárcere.

O Comitê Internacional de Amigos e Família de Mumia Abu-Jamal (ICFFMAJ) realizou uma conferência de imprensa e manifestação na Filadélfia para expressar seu repúdio ao novo julgamento para Mumia pelo Tribunal Federal de Apelações. De acordo com o comitê, será convocada uma grande marcha na Filadélfia em 26 de abril para recusar as opções de prisão perpétua ou morte.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

ATO NA UNIR DENUNCIA PERSEGUIÇÃO A CAMPONESES

Nesta sexta-feira, 04 de abril, às 09:30 no Campus da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) será realizado "Ato contra a criminalização e repressão ao Movimento Camponês". O evento organizado pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), terá a participação de inúmeras Entidades classistas, de Direitos Humanos, estudantes e intelectualidade. A Universidade Federal de Rondônia será representada pela Vice-Reitora da UNIR, Profª Drª Ivonete Barbosa Tamboril e pela Pró-Reitora de Extensão, Assuntos Comunitários e Estudantil Profª Josélia Neves.Confirmaram presença ao ato inúmeros sindicatos, dentre eles o ANDES - Sindicato Nacional dos Docentes, ADUNIR - Seção Sindical do ANDES e Sindicato dos Previdenciários de Rondônia (SINDSPREV), Sindicato dos Técnicos da UNIR (SINTUNIR), além de uma vasta representação de entidades estudantis. Entre ativistas e entidades confirmaram presença o Núcleo de Advogados do Povo (NAP), o Comitê Popular de Lutas, além de inúmeros intelectuais e ativistas.

Por iniciativa do Advogado Padre Afonso Chagas (CPT), uma das proposições do Ato será a constituição de uma comissão ampla para se dirigir às áreas da fictícia guerrilha, para averiguar a situação dos camponeses e recolher depoimentos sobre a perseguição de pistoleiros e jagunços na região de Jacinópolis. Outra iniciativa, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UNIR), será o lançamento de uma Carta Aberta assinada pelas Entidades presentes, e inclusive com a assinatura de personalidades reconhecidas a nível nacional e internacional.

É prevista também uma ampla campanha de denúncia contra a "campanha difamatória de setores da mídia e latifúndio que atacam os camponeses". O cartaz do evento está disponível na página da UNIR (www.unir.br), além do convite ser estendido a toda imprensa estadual e para organizações nacionais e internacionais. Há uma campanha de solidariedade sendo que as manifestações por e-mail deverão ser enviadas para os seguintes e-mails: cebraspo_ro@yahoo.com.br e cebraspo@uol.com.br.

Fonte: Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos