segunda-feira, 31 de março de 2008

Preparação de um novo massacre em Rondônia

A revista “Istoé” publicada no dia 26/03/2008 estampou em uma de suas reportagens de capa, matéria em que acusa a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia (LCP) de ser um “grupo armado”, “organização guerrilheira”, “responsável por homicídios”, “desmatamento ilegal”, etc., etc. e etc.

Com o título de que “O Brasil tem guerrilha”, a dita revista, baseando-se em depoimentos do delegado de Buritis, Iramar Gonçalves, do grileiro de terras em União Bandeirantes Sebastião Conti Neto, membros da Policia militar Ambiental e do major Enedy Dias, ex comandante da PM em Jaru, a revista Istoé estimulada pelos grandes latifundiários da região requenta as velhas acusações de sempre contra a LCP, sem obviamente apresentar nenhuma prova concreta do que diz ser verdade. Senão vejamos:

- Logo no inicio da matéria a revista diz que o agricultor Paulo Roberto Garcia morto em fevereiro deste ano foi morto pela LCP. Entretanto na própria matéria diz que os assassinos estavam encapuzados, o que obviamente impede o reconhecimento de quem seriam os assassinos. Mas sem pensar duas vezes a revista acusa a LCP.

- Logo à frente a matéria acusa a LCP de ter aberto uma estrada para acesso a Bolívia. Essa referida estrada foi aberta em 2006 por mais de 1000 moradores do distrito de Jacinópolis com apoio da LCP para que a comunidade possa ter acesso à cidade de Nova-Mamoré a quem pertence o distrito de Jacinópolis. Entretanto como não é de costume do pseudo-jornalismo saber a opinião dos moradores do lugar sobre qualquer fato, a revista “Istoé” também não perguntou a nenhum morador de Jacinópolis a história desta estrada.

- A revista também diz que a LCP fecha estradas para que a polícia não entre no local. Ora a policia ambiental é odiada pela população de Jacinópolis pelos abusos que sempre fez naquela região, como parar caminhões carregados de madeiras extraídas da floresta para pedir propina sob ameaça de apreensão do caminhão, fato conhecido pela maioria dos moradores da cidade de Buritis. Parar moradores da região como se fossem bandidos sob a mira de armas, manter pessoas em cárcere privado, como fez em 2006 com um camponês que se perdeu na mata e foi mantido preso por três dias na sede da policia ambiental. Isso são fatos conhecidos de todos moradores de Jacinópolis e ao contrário do que diz “Istoé” é o motivo que tem levado à saída de moradores de Jacinópolis, além das seguidas operações do IBAMA, SEDAM, PF e exército que fechou as poucas madeireiras do projeto acabando com o emprego de muitas pessoas. Os rojões que tanto assustaram os pseudo-jornalistas da “Istoé” é a única defesa da população da região para não perder sua moto-serra, e sofrer abusos por parte da polícia.

- A acusação de “guerrilha” não nos surpreende. Pouco antes do chamado “Massacre de Corumbiara” em 1995, a grande imprensa de Rondônia também acusava os camponeses que ocuparam a fazenda Santa Elina de fazerem “treinamento de guerrilha” e o resultado todos sabem qual foi: homens, mulheres e até crianças assassinadas pela polícia e jagunços da fazenda. É esse o motivo da matéria da “Istoé” reproduzida aqui em Rondônia pelo jornal dos latifundiários Folha de Rondônia, ou seja, preparar o clima para um massacre em Jacinópolis, sonho dos latifundiários de Rondônia.

- Sebastião Conte Neto uma das fontes de “Istoé” é um conhecido grileiro de terras da união em Porto Velho e formador de milícias armadas em União Bandeirantes. Já o delegado Iramar Gonçalves tem vários processos na justiça sendo que em um deles é acusado de trabalho de pistolagem, juntamente com outros policiais civis, para o finado latifundiário Lourival Carlos de Lima responsável pela morte de vários camponeses inclusive pela tentativa de homicídio de uma criança de 12 anos em 2006. Já o major Enedy Dias é uma triste figura que foi forçada a abandonar Jaru após varias prisões sem mandato judicial e apoio a pistolagem.

Responsabilizamos desde já os governos estadual e federal por qualquer ataque que vier a acontecer a população de Jacinópolis.

Abaixo a imprensa marrom, serviçal dos latifundiários!

Abaixo a criminalização da luta pela terra!


Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia

sexta-feira, 28 de março de 2008

Nota de Repúdio da Liga dos Camponeses Pobres à mentirosa "matéria" de Istoé

Nota de Repúdio

Jaru, 25 de março de 2008

Repudiamos a matéria mentirosa, sensacionalista e criminalizadora que a revista “Isto É” tenta passar por reportagem, com chamada de capa na edição de N.º 2003-Ano 31.

Repudiamos que latifundiários bandidos, assassinos, escravocratas, grileiros e os principais responsáveis pela destruição das florestas de nossa região, que moram em mansões e andam de avião, sejam apresentados, neste panfleto do latifúndio travestido de “matéria Jornalística”, como se fossem dóceis velhinhos bem intencionados, que pretendem trazer o progresso para Rondônia, e que são impedidos, ameaçados e aterrorizados por camponeses maus!

Repudiamos uma vez mais, repudiaremos centenas, milhares de vezes, sempre que guaxebas, pistoleiros, jagunços, seguranças privados, contratados para aterrorizar e assassinar camponeses pobres, mulheres e crianças, nós denunciaremos sempre que forem apresentados pela imprensa como humildes trabalhadores inocentes, contratados para serviços diversos.

Repudiamos este tipo de matéria paga que têm o único e exclusivo objetivo de dar repercussão nacional e servir de justificativa para sórdidas campanhas repressivas, com direito a torturas e assassinatos de camponeses pobres, tratados por essa imprensa podre e preconceituosa como “combatente de grupo armado”, “trupe maltrapilha, encapuzada e arredia”, e tudo o mais que transforme estes camponeses da região amazônica, estes brasileiros homens, mulheres e crianças, em alvos para as balas da burguesia, do latifúndio e do imperialismo!

Repudiamos que sejamos acusados de “portar arsenal de guerra”, enquanto o repórter mau caráter coloca a foto de um pistoleiro, jagunço, guaxeba, como que escondido no mato, com uma frase que ocupa quase uma página inteira falando de guerrilha, enquanto a legenda explicando que se trata de pistoleiro do latifúndio é mínima!

Repudiamos a grosseira armação de colocar fotos de companheiros ao lado de cadáveres, com o objetivo de que os leitores reconheçam estes companheiros como os responsáveis por tal assassinato! Que teria ocorrido segundo a “reportagem” em 22/02/2008. Canalhice também tem limite, Sr. Alan Rodrigues!

Estes companheiros, Ruço e Caco, foram injustamente acusados, há anos atrás, pela morte de um pistoleiro do latifundiário e grileiro Galo Velho, que é um dos maiores do ramo da “grilagem” no país, reconhecido como tal oficialmente pelo próprio Estado.

Ruço, depois de mais de 4 anos preso injustamente, foi ABSOLVIDO em Júri Popular, junto com Joel. Caco, após permanecer por três meses preso, foi absurdamente condenado, junto com o Dr. Ermógenes, advogado que presta serviço a alguns acampamentos, pela LEI DE IMPRENSA! Esta condenação impediu Caco de se defender junto com Ruço e Joel. Caco tem advogado constituído, inclusive apoiado por manifestação, pública, em abaixo assinado, de mais de 500 personalidades jurídicas e intelectuais de pelo menos 21 estados brasileiros e países espalhados pelos 5 continentes.

Esse processo infame contra Caco foi movido justamente por um dos protagonistas da matéria da “Isto É”, o Major Enedy. O mesmo que foi denunciado por camponeses de receber estranhos “presentes” após ações de reintegração de posse. O mesmo que, como um pavão, uma estrela de televisão, foi de colete a prova de balas no julgamento de Ruço e Joel, como testemunha de acusação, e acabou desmoralizado ao reconhecer que seus comandados, “nas horas de folga”, prestavam serviços de “segurança” para o latifúndio na região! Mas talvez na busca pela verdade, verificar suas fontes não estava na pauta do Sr. Alan.

QUEM MERECE SER REPUDIADO, EXECRADO E PUNIDO PELA SOCIEDADE, INCLUSIVE PELA PRÓPRIA LEI DE IMPRENSA UTILIZADA CONTRA O MOVIMENTO CAMPONÊS, é a revista “Isto É”.

E mais: repudiamos também veementemente as declarações do Major Josenildo Jacinto, Comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental. Este Major acusa a Liga de tudo o quanto pode e enxerga, porque a sua “polícia ambiental” é ODIADA PELA MASSA DE TODOS OS CAMPONESES DE RONDÔNIA! Esta polícia é odiada porque persegue camponeses e pequenos madeireiros, enquanto protege latifundiários e grandes madeireiros. Esta polícia é odiada porque protege os agentes do IBAMA, verdadeiros agentes do imperialismo na região, que chegam passando por cima de tudo e de todos. Até o próprio governador de Rondônia andou protestando contra o IBAMA na região.

Conclamamos todos os democratas de Rondônia a se unirem contra mais esse sórdido ataque contra a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, que também é um ataque covarde contra o movimento camponês combativo, que é um ataque a todos os camponeses pobres da região amazônica, que é um ataque aos heróicos camponeses de Rondônia, que vieram de todas as partes do Brasil para esta terra, onde resistem há décadas aos ataques do latifúndio e à cobiça devastadora dos imperialistas estrangeiros, principalmente norte-americanos.

Cobramos a punição deste repórter e desta revista, e conclamamos todo o movimento popular a fazer o mesmo, na justiça!

Àqueles que, assustados com as calúnias e o sensacionalismo barato desta matéria paga, silenciam sobre tantas mentiras, acabarão por se tornar cúmplices do banho de sangue pretendido pela reação e já planejado, que está em processo acelerado de ser deflagrado.

Que todos os democratas sinceros e amantes da verdade e da justiça, se unam!

A verdade vencerá a mentira!

Viva a luta combativa dos camponeses de Rondônia!

Terra para quem nela vive e trabalha!

Viva a luta heróica dos camponeses brasileiros da região amazônica. A Amazônia é nossa!

Viva a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia!

Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia

quinta-feira, 27 de março de 2008

Os donos da passarela

Marcelo Salles

O carnaval do Rio de Janeiro continua monopolizado pela TV Globo, que é parceira de entidade controlada por bicheiros. Segundo CPI da Câmara dos Vereadores, contratos oneram os cofres públicos em R$ 100 milhões.

É domingo de carnaval, dia três de fevereiro. O relógio da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, marca 22h quando o puxador da São Clemente pega o microfone e se dirige ao público. Enquanto fazia uma saudação sobre a alegria de estar ali e coisas afins, a câmera da única emissora de televisão que transmitiu o evento captou uma imagem simplesmente impagável: um funcionário da TV Globo, devidamente identificado pela camiseta azul com a logomarca da empresa estampada, pega o puxador da Escola pelo braço e tenta posicioná-lo de frente para a câmera, o que só é conseguido após demorados e constrangedores segundos. Suam os dois: um pela emoção de falar para tanta gente e ter a oportunidade de abrir a maior festa popular do planeta; outro porque temia pelo emprego, já que os donos da Globo não gostariam de ter investido milhões de reais para ver uma saudação de abertura que não estivesse no melhor ângulo que suas câmeras pudessem captar.

Mas o funcionário em questão é exemplar. Além do puxador da São Clemente ele puxa pelo braço os homens da equipe de apoio, que trazem na camisa a inscrição “Controle” sob o logotipo da Prefeitura do Rio. Nada mais significativo: era a Globo dizendo onde, quando e como o poder público deveria se posicionar.

Dia seis de fevereiro, quarta-feira de cinzas. Novamente as câmeras da TV Globo voltam suas atenções para a Praça da Apoteose. Dessa vez, o foco principal é a mesa da Beija-Flor de Nilópolis, que lidera a competição até o final. Com o samba-enredo sobre Macapá, capital do Amapá, a escola da Baixada Fluminense arrancou o quinto título em seis anos – sendo que o anterior foi marcado por muitas suspeitas de corrupção, ameaças e chantagens contra os jurados. Aliás, falando nos jurados, é bom ressaltar que um deles, esse ano, foi Bruno Chateaubriand, que ganhou notoriedade ao declarar, em vídeo veiculado pela internet ano passado, que adora atirar ovos contra pobres da janela de sua cobertura na zona sul carioca.

Entretanto, mais interessante que a escolha de uma figura desta estirpe para o corpo de jurados do carnaval carioca, dançado e escrito por pobres, foi a narração da Globo. Custa a acreditar que os locutores conseguiram a proeza de não mencionar o nome de Aniz Abrahão David, o Anísio, que estava no centro da mesa da Escola de Nilópolis e ao lado do cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor, este sim mencionado à exaustão pela Globo. Anísio não é um desconhecido para os locutores da Globo. E o foco da câmera, que insistia em focalizar seu rosto, contrastou com o silêncio daqueles que deveriam informar ao público o que lhes era apresentado pela imagem. Trata-se de um indivíduo que foi preso pela Operação Hurricane da Polícia Federal, no ano passado junto com Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, por envolvimento com caça-níqueis, jogo do bicho e as ramificações criminosas daí advindas, como geralmente tráfico de drogas e armas e grupos paramilitares. O bicheiro está solto por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello.

Ao lado dos bicheiros sapatearam os governadores do Rio e de São Paulo, Sérgio Cabral e José Serra, além do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do prefeito do Rio, e o ministro do Trabalho Carlos Lupi. Até o secretário de Segurança Pública do Rio, o policial federal José Mariano Beltrame esteve presente. O machão da Sapucaí. Autoridades, no dizer de certa imprensa, mas que não foram capazes de exercer suas funções públicas em meio a tanto esplendor, pois não houve notícia de flagrantes contra os artistas e empresários que faziam uso de substâncias ilícitas em seus camarotes privados. Não porque a cocaína seja coisa do demo ou coisa que o valha, mas porque esse hábito costuma ser violentamente reprimido quando é o pobre favelado quem o pratica.

Apoteose da criminalidade

Segundo o jornal O Globo (4 de fevereiro de 2008), a Liga Independente das Escolas de Samba, entidade que controla o carnaval carioca, é dirigida por criminosos. “Apesar da sucessão de processos na Justiça, os bicheiros parecem ter cada vez mais prestígio com os órgãos públicos. Comandada por contraventores, a Liesa receberá neste ano R$ 85 milhões em contratos com órgãos públicos e a iniciativa privada. A Liga recebe recursos dos governos federal, estadual e municipal, totalizando R$ 25 milhões. São R$ 12 milhões da União, através de patrocínios da Petrobrás e de empresas da qual a estatal é sócia; R$ 4 milhões de subsídios do governo estadual; e R$ 8,8 milhões da prefeitura. Segundo as investigações da PF para a Operação Hurricane, a Liga era usada para atender os interesses de uma quadrilha. Em 2006, além do Sambódromo, a Liga passou a administrar um patrimônio de R$ 100 milhões: a Cidade do Samba. Um filho de Capitão Guimarães foi nomeado prefeito”.

A reportagem do Globo é correta, até onde a tinta alcança. Se continuasse a investigação, o jornalão descobriria que existe uma CPI do Carnaval em andamento na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, cujo relatório aponta:

— O contrato entre o Município e a contratada (Liesa) permite, ainda, que a mesma negocie, direta e livremente, o milionário direito de imagem com as emissoras de televisão. Nesta questão, causam estranheza dois fatos: o de a Liesa realizar e assinar um contrato válido por cinco anos com a REDE GLOBO (até 2009), quando o contrato firmado entre a Liga e a Prefeitura é realizado anualmente; e o da coincidência do término deste contrato entre a Liesa e a REDE GLOBO e o término do mandato da atual administração municipal, considerando que o contrato entre a Prefeitura e a contratada para o Carnaval de 2009 é firmado ainda em 2008.

Contextualizando

Compreensível. Depois de afirmar que a Liesa é “comandada por contraventores”, o jornal O Globo não poderia incluir em suas páginas que outra empresa das Organizações Globo mantém um contrato com a mesma Liesa. Nenhuma novidade. O escritor Roméro da Costa Machado (ver entrevista na edição X), que trabalhou durante 10 anos na Fundação Roberto Marinho na década de 90, já divulgara em artigo publicado no jornal eletrônico Fazendo Media (http://www.fazendomedia.com/globo40/romero15.htm) a proximidade do então vice-presidente da Globo, José Bonifácio de Oliveira, o Boni, com o submundo do crime:

— Fui chamado pelo Vice-Presidente José Bonifácio de Oliveira (o Boni) para assessorá-lo pessoalmente, com uma proposta super vantajosa, a qual aceitei sem pestanejar. Mas, em muito pouco tempo não tardou que eu descobrisse que nós dois (Eu e Boni) não teríamos muito sucesso juntos, isto porque ele mesmo, Boni, também era um dos que tinham notas enfiadas na Fundação, sem falar de sua porção "bandido" com ligações com o submundo do crime (bicheiros, gângsteres, etc.) onde o grande "capo" da criminalidade, Castor de Andrade, era simplesmente "irmãozinho" do Boni. Isso foi mais do que suficiente para se tornar um ponto intransponível e incontornável no nosso relacionamento. Tanto que nossas brigas tornaram-se tão inevitáveis até que chegamos ao insustentável, a ponto de dizermos coisas muito desagradáveis um ao outro, culminando com a minha saída voluntária da Globo, onde eu sequer fui buscar o que tinha direito, mas me dando o direito de contar tudo em livro ("Afundação Roberto Marinho", hoje na 12ª Edição). E não sem antes dizer ao Boni que cedo ou tarde os filhos do Roberto Marinho iriam se desfazer dele, como um pesado e incômodo fardo, e que ele só não seria demitido sumariamente naquele momento pelo tanto que ele tinha de ações, participações, e o quanto sabia e estava envolvido nas operações "sigilosas" da Rede Globo.

De lá pra cá, o monopólio da Globo sobre o carnaval carioca aprofundou-se. De modo que um mês antes dos desfiles a Cidade do Samba já se assemelhava a um set de filmagens. Funcionários vestidos com uniforme da Rede Globo estendiam cabos e mais cabos de fios, num emaranhado de fazer inveja a gravação de uma novela. O aparato contava também com três furgões para entradas ao vivo.

Qualquer outra TV que quiser entrar aqui tem que pedir autorização para a Globo, a administração (da Cidade do Samba) já manda direto perguntar para a Globo — relata um trabalhador da Cidade do Samba, onde são acomodados os carros alegóricos das escolas do grupo especial.

Em entrevista concedida à edição de fevereiro do jornal eletrônico Fazendo Media, o professor de Linguagem Impressa e Audiovisual da Faculdade Helio Alonso (FACHA) Ivo Lucchesi declarou a respeito dessa situação:

— Qualquer tipo de monopólio, principalmente em se tratando de meios de comunicação, é nefasto. A Rede Globo assim procede não apenas em relação ao Carnaval, igualmente o faz quanto à Copa do Mundo, extensivo a todos os profissionais que lá atuam. Portanto, as implicações dessas estratégias de controle, no melhor estilo do que conceituou Gilles Deleuze, são graves. Elas favorecem o congelamento de modelos, deixando a falsa sensação de que outros não há. Há tédio maior do que assistir ao desfile das Escolas de Samba com aqueles sucessivos cortes narrativos?

Enquanto a profusão de imagens se sobrepuser à indignação e a criatividade infinita do povo brasileiro não for utilizada para o enfrentamento, dificilmente livraremos nossas manifestações culturais — e o próprio país — daqueles poucos que lucram com a exploração de muitos.

Quadro — o carnaval deste ano também foi marcado pela perseguição da imprensa a determinadas escolas de samba e a proteção de outras. Como anotou o professor Ivo Lucchesi em 2005, havia uma nítida preferência da Globo por Beija-Flor, Grande Rio e Imperatriz Leopoldinense. Curiosamente, as três obtiveram respectivamente, os 1°, 3° e 4° lugares. Na época, a agremiação a integrar a novela Senhora do Destino conquistou, na ficção, a mesma colocação da escola de samba que, na realidade, desfilou. Este ano, as quatro primeiras colocadas foram Beija-Flor, Salgueiro, Grande Rio e Portela, sendo que esta última foi utilizada para a gravação de um capítulo da novela Duas Caras.

Por outro lado, a Mangueira foi perseguida não apenas pela polícia, mas também pelo noticiário. Além de amargar a décima posição, a escola teve que conviver antes, durante e depois do desfile com a presença constante de policiais e repórteres que tinham objetivos comuns: prejudicar o desempenho da escola com a desculpa de noticiar a vida de Francisco Paulo Testas Monteiro, preso por tráfico e libertado após cumprir mais de um terço da pena estabelecida: 43 anos de prisão. Vulgo Tuchinha saiu da prisão e voltou para a Mangueira, onde tentava restabelecer a vida compondo. Dedicou-se à música, venceu dois concorridos festivais e assumiu o nome artístico de Francisco do Pagode. Mas para o monopólio da imprensa ele será sempre um traficante, ao contrário dos criminosos de colarinho branco que pulam o carnaval sem se preocupar em serem importunados. Nem pela polícia, nem por repórteres.

terça-feira, 25 de março de 2008

Índios retomam latifúndio com a ajuda de mil camponeses


Hoje 400 índios acompanhados de mil famílias de camponeses pobres retornaram a área conhecida como Lagoa Azul, no quilômetro 17 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara). Segundo a líder do povo Wai-wai, a índia Mirihu Wai de 47 anos, os índios — agora com a ajuda dos camponeses e em número bem maior — não vão desistir enquanto não tiverem a posse definitiva da propriedade, de onde eles já haviam sido expulsos pela PM em uma ação de reintegração de posse.

Na ocasião (11/3) a polícia militar agrediu com cacetadas, bombas e pontapés os índios que ocupavam a área. Até crianças e mulheres foram vítimas das agressões, umas delas grávida. A área improdutiva estava ocupada por camponeses e mais de 100 índios de diversas tribos

Tratores derrubaram as moradias construídas pelos índios e demais camponeses, que resistiram com paus, pedras e arco-e-flexas. Foram presas 17 pessoas, entre elas quatro índios.

Segundo o cacique do povo Sateré-Mawé, Luiz Sateré, a área pertence aos índios há séculos, porém nos últimos anos foi negociada por latifundiários da região e hoje pertence a Mitishu Inoue, um truculento engenheiro que em 25 de fevereiro, sem qualquer autorização da justiça, mandou tratores demolirem as mesmas moradias, que foram reconstruídas e agora derrubadas pela segunda vez. Também de acordo com o cacique Luiz Sateré, os PMs nem ao menos apresentaram o mandato de reintegração de posse e chutaram uma mulher grávida como uma bola.

Em apenas 15 dias, o latifundiário Inoue, conseguiu um mandato na justiça para que as famílias fossem expulsas das terras e suas casas fossem demolidas — o que ele já havia feito uma vez — comprovando a cumplicidade do Estado, corrupto e decadente, com os interesses do latifúndio.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A Nova Democracia e o Oportunismo

(Resposta à correspondência de Jorge Echazu Alvarado)

Em meados de janeiro recebemos, na redação de AND o artigo “A Nova Democracia y Fascismo”, de autoria de Jorge Echazu Alvarado, 1º secretário do PC-MLM da Bolívia. Em seguida, recebemos também dois documentos internos de seu partido. Como o referido artigo tinha como subtítulo a expressão “Primera parte” aguardamos uma possível continuação, o que não ocorreu. Decidimos fazer logo algumas considerações necessárias. Em anexo, segue o artigo de Alvarado e demais materiais enviados à redação.

Os artigos publicados por AND nº 39, de 6 de janeiro de 2007, “O povo de Sucre derrota a Polícia e rechaça a ‘nova’ Constituição” e “A ‘meia lua’ organiza sua ‘resistência’” são de autoria do Centro de Estudos Populares-CEP de Bolívia. E o “Para entender os protestos” são comentários ao tema da redação do AND e não os três de autoria do CEP, como afirma Alvarado. AND publica o que esteja em conformidade com sua linha editorial, nada mais.

O artigo de Alvarado diz estar surpreso com AND por ter publicado os mencionados artigos, o que nos parece que o mesmo confunde AND com publicações que, dizendo combater o imperialismo e a direita justificam todo tipo de abuso e repressão praticado por supostos “governos populares” contra as massas. AND não é deste tipo de publicação.

Analisando os acontecimentos de Sucre e baseando-se no argumento de que quem estava nas manifestações contra o governo fazia o jogo da extrema direita de Sucre, afirma que o “fascismo boliviano ha conseguido temporalmente poner a explotados contra explotados...”. Não, senhores! Esta já é uma velha questão para o movimento democrático revolucionário. A direita, o fascismo, em qualquer lugar do mundo e em qualquer época fará de tudo, não importando a quem e a quantos atinjam suas negras ações, em favor de seus objetivos criminosos. Isto todos sabemos. As simplificações em política não passam de puro maniqueísmo. Há que ir mais ao fundo. O que houve em Sucre, de explorados contra explorados, é sim resultado da política reformista oportunista do MAS e Morales.

Jogar massas contra massas é tática e resultado inevitável da prática política do oportunismo. Ao negar o caráter de classe proletário-popular das tarefas do processo social e da via revolucionária como única possível para realizá-las, os oportunistas só conduzem a estes resultados desastrosos para as massas, pretendendo através de limitadas reformas dar continuidade, sob nova forma, a subjugação dos explorados aos interesses imperialistas. Que foram e são os governos social-democratas na Europa, que foram e são os governos populistas na América Latina? Que tem ocorrido em Bolívia como a da questão mineira das cooperativas que jogaram assalariados contra cooperados?

E isto sempre foi e é feito para dividir as massas, confundi-las e desviá-las do verdadeiro caminho revolucionário. E o fizeram e o fazem sempre acusando aos revolucionários de as terem provocado. Este é um velho truque que o oportunismo julga sempre ter sido útil e ter dado certo. O que temos de reconhecer que de certa forma deram sim. Pois, os sucessivos “governos progressistas” ou “nacionalistas” na América Latina só trouxeram derrotas e pesadelos para seus povos, atrasando seus processos revolucionários de libertação nacional e social. Esta sim nos parece uma maneira muito cômoda de pretender justificar as ações repressivas contra as massas por parte do governo Morales.

O velho conto oportunista e revisionista, sempre utilizado na história política da América Latina, de se apoiar qualquer governo que se declara progressista, nacionalista, de esquerda, etc., sob o pretexto de combater a direita, segue sendo posto em prática, apesar de todo o desastre que tem significado para nossos povos. Da mesma forma, como parte do velho conto, é o discurso de acusar de fazer o jogo da direita a quem, desde uma posição classista revolucionária, se oponha a ele.

Esta é, na verdade, uma teoria podre predicada pelo revisionismo e todo oportunismo. Na história política da América Latina, com raríssimas exceções, a “esquerda” hegemonizada pelo oportunismo tem se prestado a este papel. A contenda entre as frações burocrática e compradora da grande burguesia tem sido interpretada equivocadamente pela “esquerda” oportunista como uma luta entre certa burguesia nacional e o imperialismo, o que não corresponde à realidade.

Na verdade – uns ingenuamente e outros por má fé – classificam a fração burocrática da grande burguesia (monopolista e atada ao imperialismo) como burguesia nacional, simplesmente pelo fato desta, matreiramente e para arregimentar forças na pugna com a fração compradora pelo controle do aparelho de Estado, levantar bandeiras de aparência nacionalista e mesmo popular. Assim o oportunismo tem servido invariavelmente à essa fração burocrática em sua pugna pelo controle do velho Estado burocrático-latifundiário.

Também, fazer-se de ingênuo, isto sim é, como está formulado o ponto 5 das “Resoluciones del Quinto Pleno Ampliado del PC-MLM” (ver anexo) ao classificar por “debilidad teórica del Gobierno” a posição ideológico-política do MAS e do governo Morales, posição manifesta e assumidamente oportunista reformista burguesa.

Realmente nos é espantoso verificar que quem se reivindica marxista, mais ainda maoísta, tenha uma consideração tão aberrante com respeito a forças repressivas (exército e polícia), irrefutavelmente reconhecidas na história de Bolívia por seus massacres do povo e por genocídios sangrentos para servir os interesses das oligarquias e do imperialismo. Ao invés de condenar suas repulsivas ações (as de Sucre não foram as primeiras e únicas do gerenciamento do MAS), essas forças são reclamadas como “fuerzas realmente democráticas y populares”.

Sinceramente, não compreendemos a razão para o tom furibundo com que tal artigo se refere a AND. É verdade que as manifestas divergências de como se posicionar frente a um governo de oportunistas não é questão menor, porém suspeitamos que a motivação para tal irritação se trata de problemas internos em sua organização política com que nada AND tem que ver. É o que nos dá a entender o referido no 12º parágrafo de dito artigo e nos materiais anexos relativos à resoluções e mensagem de organismos do PC-MLM.

Sobre isto, ademais do que sua correspondência informa, é questão que desconhecemos por completo e que em nada nos diz respeito. Muito ao contrário do que, venenosamente, insinua o final do referido 12º parágrafo. Contudo rechaçamos o afirmado no seguinte 13º parágrafo, bem como todas as insinuações e vinculações pretendidas entre AND e fascismo. Reiterando que a AND se faculta o direito e liberdade de manifestar sobre as questões políticas que importam aos trabalhadores e massas populares em qualquer parte do mundo, segundo os princípios do internacionalismo proletário e definição democrático-popular de sua linha editorial.

Por fim, quanto ao conselho que nos emite, esclarecemos que, assim como antes seguiremos nos esforçando no estudo da realidade a qual procuramos abordar sempre segundo os critérios científicos do materialismo histórico-dialético e não aos convenientes a quem quer que seja. A AND combate e combaterá o imperialismo e todas as forças reacionárias de forma inseparável ao combate a todo oportunismo, esforçando-se sempre por contribuir ao esclarecimento das massas quanto aos seus inimigos, aqueles pronunciadamente assumidos e aqueles que, mistificando a realidade e levantando bandeiras do povo, buscam enganá-las com suas estafas.

A Redação de AND



«A NOVA DEMOCRACIA» y Fascismo.

Primera parte

«A NOVA DEMOCRACIA» es una publicación brasileña independiente de apoyo a la prensa popular y democrática que no es órgano de ningún partido político. Se caracteriza por publicar excelentes trabajos sobre la realidad política, económica y social del Brasil y de América Latina, así como de otros países del mundo desde una perspectiva popular y democrática.

Ahora bien, con profunda extrañeza y gran preocupación hemos leído los artículos “El pueblo de Sucre (Bolivia), derrotó a la policía y rechazó la Nueva Constitución”, “Para entender las protestas” y “La media luna organizar su “resistencia”, en el número 39, año 6 de enero de 2008 y que tiene como autor a un Centro de Estudios Populares de Bolivia (CEP).

Los señalados artículos del “Centro” no tienen ni la honestidad ni el valor civil de nombrar a sus responsables con nombre y apellido concreto (¿Pablo Saba Calero?, conocido por sus provocaciones contra el proceso boliviano.) Demuestra esta falta absoluta de valentía el escudarse en un supuesto “Centro de Estudios” para falsear de un modo increíble la realidad revolucionaria de Bolivia en una publicación de la calidad innegable de “A Nova Democracia”.

Vamos al grano. Resulta que según “A Nova Democracia” el pueblo “revolucionario” y “antiimperialista” de Sucre derrotó a la policía y rechazó la Nueva Constitución. Es muy cierto que el pueblo de Sucre, profundamente engañado por una derecha fascista, se movilizó masivamente con la exigencia de la “capitalidad plena” (que no aparece por ninguna parte en los sesudos análisis del Centro), una aspiración que puede ser comprendida, pero que tiene un profundo contenido provincialista y regionalista sin ninguna significación política y que fue hábilmente aprovechada por la extrema derecha para agredir brutalmente a los humildes campesinos chuquisaqueños que se movilizaron para garantizar y defender la continuación de la Asamblea Constituyente, combatida, agredida y violentada por un pueblo en cuyo seno se movían a sus anchas los Unionistas juveniles fascistas de Santa Cruz, mientras el ustachi Marincovic, llegaba a Sucre con maletines llenos de dólares para fomentar y subvencionar la asonada reaccionaria contra la Constituyente.

Es realmente increíble que el CEP y AND, no sepan que el proceso boliviano logrado con sangre y sacrificio por los campesinos, indígenas originarios, obreros, pobladores, cocaleros y otros sectores siempre marginados en Bolivia, está siendo objeto de una brutal y francamente fascista ofensiva reaccionaria sobre todo en Santa Cruz, Cochabamba y Sucre, mediante provocaciones típicamente nazis de apaleamiento de campesinos y trabajadores, incendios de domicilios, agresiones físicas contra constituyentes en Sucre y golpizas brutales por parte de fascistas declarados, de anti-comunistas confesos que acusan al Gobierno de comunizar a Bolivia.

El extravío del CEP es realmente alarmante. ¿Acaso no conocen cómo la demagogia fascista de un Goebbels, logró que todo el pueblo alemán cazara comunistas y los quemara en las calles de Berlín, cómo los fascistas italianos a la cabeza del “pueblo” italiano perseguían a los comunistas después de la Marcha sobre Roma?

La derecha recalcitrante y rabiosamente anti-popular es la autora de los argumentos que A Nova Democracia hace suyos responsabilizando a la Policía y al Ejército de los tres (no cuatro) muertos de Sucre. Estas víctimas, nosotros lo aseguramos, fueron producto de disparos de francotiradores fascistas llegados desde Santa Cruz para echarle la culpa al Gobierno, pues la derecha está buscando afanosamente “muertos” con sus provocaciones para adjudicarlos al gobierno. ¿Acaso no sabemos cómo actúa la CIA en nuestras tierras? ¿Serán tan ingenuos nuestros amigos de AND?

A Nova Democracia no puede compatibilizar sus correctas apreciaciones sobre la “Media Luna” en su artículo sobre su “resistencia” en el que reconocen ingenuamente la “solidaridad” de la Media Luna con la asonada de Sucre. ¿Qué significa esa famosa “solidaridad”? Nada más que una complicidad de ambos movimientos contra el proceso, el gobierno y las fuerzas realmente democráticas y populares. A renglón seguido se desentiende de esa íntima relación que tienen los acontecimientos de Santa Cruz, Cochabamba y Sucre. Empero prosigue el desvarío del CEP cuando sostiene que el asalto al Servicio de Impuestos Internos protagonizado por las hordas delincuenciales del la Unión Juvenil Cruceñista, se produjo como respuesta y después de conocerse la “represión” de la policía a los sucrenses. ¡Qué manera más cómoda de justificar las provocaciones fascistas?

Aconsejamos a ND, observar la ingente producción televisiva que existe en torno a las brutalidades cometidas por las escuadras fascistas en Cochabamba un 11 de enero de 2007 y la golpiza infame de René Vargas en las calles de Santa Cruz.

AND sostiene falsamente que los campesinos chuquisaqueños (camponeses) combatieron junto a estudiantes y población de Sucre. ¡Eso es totalmente falso! Los humildes campesinos chuquisaqueños fueron víctimas del más infame racismo cuando mestizos y cholos de Sucre escupían a sus madres campesinas y las llamaban agresivamente ¡”Kollas”! (Recuérdese aquel escupitajo infame de un joven indígena contra una anciana campesina llamándola “india” y “kolla”), como si esos cholos no fueran en realidad hijos de indios y de cholas, todo esto en beneficio de la oligarquía cruceña que ha conseguido transitoriamente una victoria en Sucre. El fascismo boliviano ha conseguido temporalmente poner a explotados contra explotados, a pobres contra pobres, a indios contra indios. La población sucrense es mayoritariamente quechua y por ello resulta ridículo observar a los cholos sucrenses agredir a los campesinos chuquisaqueños.

Serán los campesinos de Chuquisaca, los descendientes de los “Leales” de Juana Azurduy de Padilla, los que restablezcan el prestigio de ese pueblo que fue el precursor de la independencia de América Latina.

AND, debe saber que la dirigencia universitaria de Sucre estaba constituida por estudiantes de militancia maoísta, pero al confabularse éstos con la extrema derecha de Sucre y Santa Cruz, serán severamente sancionados por nuestro partido al tomar una actitud que sugestivamente coincide con los puntos de vista del CEP y AND.

Nuestro Partido jamás se ha permitido criticar la posición de los marxistas brasileños porque son ellos los que conocen a fondo sus propios problemas. Empero AND, sin siquiera requerir la opinión de los maoístas bolivianos, se expiden con artículos que el fascismo criminal y genocida de Bolivia les agradecerá profundamente.

Aconsejamos a AND estudiar las condiciones concretas de la realidad boliviana para no extraviarse tan gravemente como lo está haciendo. Y finalmente desafiamos a un debate público en la propia AND sobre el problema boliviano.

Cuando en Bolivia estamos recibiendo verdadera solidaridad por parte de nuestros camaradas de Argentina, Chile, Uruguay, Italia, Noruega y otros movimientos marxistas de todo el mundo, nuestros “amigos” de Brasil, hacen causa común con nuestros enemigos. Ojalá en el futuro cambien su posición.

Cuando en Bolivia estamos preparando las trincheras anti-fascistas para detener y derrotar la arremetida nazi-fascista, “agradecemos” infinitamente la “colaboración” entusiasta de AND.

Jorge Echazú Alvarado.

1er. Secretario del PC MLM.



RESOLUCIONES DEL

QUINTO PLENO AMPLIADO DEL PC-MLM

El 5to. Pleno del Comité Central Ampliado del nuestro Partido, reunido en la ciudad de la Paz, el día 19 de enero de 2008 y con la asistencia de 18 miembros titulares y representantes de Comités Regionales, aprobó las siguientes resoluciones partidarias.

1. El Partido ratificó plenamente su concepción marxista, leninista y maoísta que le permite tener una política consecuente con el proceso de cambios profundos que vive el país.

2. El pleno ratificó la línea política del Partido respecto al apoyo, participación y profundización del proceso de cambios profundos que vive el país a raíz de la gran insurrección desarmada de octubre de 2003.

3. El pleno aprobó el informe político presentado por la Comisión Política del Comité Central complementado por todas y cada una de las contribuciones del debate que siguió a la lectura del informe.

4. El pleno del C.C., respaldó y aprobó la política concreta de la dirección del Partido en su participación política, lo más profunda que pueda ser, en las decisiones gubernamentales, reservándose el derecho de crítica constructiva respecto de las mismas.

5. El pleno ratificó completamente su reconocimiento de que el peligro principal contra el proceso lo constituye el FASCISMO ABIERTO que se hace presente en algunas regiones del país como Santa Cruz y Sucre que se aprovecha de la debilidad teórica del Gobierno para frenarlo. El Partido hace suyas las consignas: “El fascismo separatista, no pasara” y “La izquierda se une en defensa de la Patria”.

6. El pleno resolvió continuar la política de UNIDAD del Partido con todas las fuerzas revolucionarias y de izquierda y hacer que la clase obrera, orgánicamente, se incorporé militantemente en el proceso de cambios. Apoyo resuelto a la Alianza Revolucionaria Anti-imperialista (ARA).

7. Habiéndose detectado una infiltración oportunista y traidora de parte de un “Centro de Estudios” en el seno del C.R. de Sucre se resolvió realizar una investigación exhaustiva para determinar responsabilidades.

8. Se resolvió la expulsión ignominiosa del militante MARCELO (C.R. Sucre), por su traición a la concepción revolucionaria del marxismo-leninismo-maoísmo y a la línea política del partido.

9. El pleno, igualmente, determinó la expulsión del dirigente JUAN CARLOS (Sucre), con cargo a su ratificación en el próximo Congreso Nacional del Partido.

10. En el plano orgánico se aprobó la realización, en el plazo de dos meses, de Conferencias regionales para la reorganización de todos los Comités Regionales.

11. Se aprobó, igualmente, la reconstitución de la Comisión Nacional de Organización para cumplir la tarea de reconstrucción del Partido.

El Presidium del Pleno.


Mensaje al CC de las células “Lenin” y “Rosa Luxemburgo” del Comité Regional de Sucre del PC-MLM

Ante la caracterización del Estado por parte de los compañeros de la Federación Universitaria Local de Sucre y algunos compañeros de carácter maoísta de la ciudad que tratan de ver las oportunidades políticas de crecimiento en cantidad para dicho movimiento por la defensa de una “champa guerra” llamada “capitalía plena”, tenemos la obligación de aclarar algunos hechos suscitados en dichos enfrentamientos para retomar el carácter revolucionario de la poderosa ideología marxista-leninista-maoísta.

En dicho movimiento de defensa de la democracia burguesa del Estado de Derecho y la legalidad como así lo planteaba el ejecutivo de la FUL-RUGE Juan Antonio Jesús vemos en un principio la caracterización de solamente un movimiento chauvinista sin ninguna característica revolucionaria sino más bien reaccionaria y de carácter atentatoria hacia la clase obrera y campesina.

Es en este sentir es que a través de la reunión ampliada del movimiento antiimperialista Organizado se decide enmarcándonos en el centralismo democrático entrando en dicho movimiento conjuntamente con la FUL RUGE se hace notar que desde el principio la conducta de algunos compañeros que manifestaron su desacuerdo con dicho movimiento por estar estrechamente unido a la burguesía compradora de Santa Cruz además, al sentimiento conservador de Sucre y por ser simplemente un tema de forma ante la realidad nacional que nos aqueja y poniendo su desacuerdo en reiteradas ocasiones en muchas reuniones ampliadas de MAO (Movimiento Antiimperialista Organizado), es decisión personal de muchos camaradas estar en repliegue teniendo en cuenta los siguientes aspectos:

Primero. La ideología marxista-leninista-maoísta que no ilumina y nos hace notar que simplemente éramos tontos útiles para la derecha reaccionaria de nuestro país (burguesía compradora)

Segundo. Al tornarse dicho movimiento solamente en muestras de racismo e intolerancia por la población chuquisaqueña.

Tercero. Por caracterizarnos internacionalistas y no regionalistas como así es la demanda de capitalidad.

Cuarto. Al ser testigos fieles de la actuación del Comité Inter-Institucional que no era más que un títere del Comité pro Santa Cruz.

Por tanto hacemos notar que como se nos ha tildado de primero traicioneros y habernos alejado de la FUL RUGE y además cobardes, queremos hacer notar que la decisión fue tomando primeramente ante las constantes reuniones del Comité Regional en los cuales pedíamos urgentemente el repliegue de todos los maoístas dirigiéndose a las bases dicho pedido no se tomó en cuenta para nada dentro del Comité Regional.

Además que como maoístas dentro de la FUL RUGE no se estaba haciendo los cambios que así se lo había planteado y el frente MAO entraba en una degeneración y había olvidado la todopoderosa ideología marxista-leninista- maoísta y no se había crecido tanto en lo teórico ni en lo práctico es que de esta manera que vimos conveniente el alejamiento y el repliegue hacia las bases de parte de los camaradas que siguen el verdadero maoísmo.

Atentamente. Encargados de las células “Lenin” y “Rosa Luxemburgo”.

Camarada Pigui. Camarada Espinal.

Sucre, 19 de enero de 2008.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Estudantes são expulsos de universidade pública

O carnaval não começou com festa para os moradores do acampamento Maria Júlia Braga, na Universidade Federal Fluminense (UFF) situado no campus do Gragoatá em Niterói. Em dois anos de luta por moradia estudantil, os moradores acampados no gramado da universidade sofreram um de seus maiores golpes na tarde do dia primeiro de fevereiro, em plena sexta-feira de carnaval. Um despejo contra o acampamento reuniu o apoio das polícias federal e militar, sob coordenação da Justiça Federal em ação de reintegração de posse solicitada pela reitoria.

O local foi invadido e a ordem de despejo foi dada. Os moradores estavam dormindo quando a polícia chegou e foram obrigados, num prazo de 10 minutos, a retirarem-se sem ao menos levar seus pertences. Os estudantes só podiam levar o que conseguissem carregar. Eletrodomésticos, geladeiras e armários eram confiscados. No momento da invasão da área, estavam apenas quatro moradores, porque os demais estavam viajando.

A ação capitaneada pelo reitor Roberto Salles, de acordo com os estudantes foi apenas mais uma maneira brutal de tentar desestruturar o movimento organizado. Intitulado Maria Júlia Braga, o movimento é composto em grande parte por estudantes da UFF que precisam de moradia para manter seus estudos. O sindicato dos trabalhadores da universidade, a associação dos docentes e o DCE está há anos lutando pela moradia que possibilite aos estudantes concluírem seus cursos. As principais reivindicações giram em torno do aumentos dos recursos públicos para educação aliado a políticas contundentes de assistência ao estudante universitário.

Os moradores do acampamento estão alojados no DCE. Até agora nenhuma solução foi apresentada pela administração da UFF no que se refere a um alojamento digno para os estudantes necessitados.

Grande parte dos acampados é remanescente da Casa do Estudante Fluminense, de onde foram expulsos há cerca de dois anos, depois de muita perseguição por parte da reitoria da UFF. Maria Júlia Braga é o nome da senhora que doou há muitos anos o edifício onde funcionava a Casa do Estudante, que abrigava também estudantes de outras universidades e escolas públicas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Nas fábricas, pelegos entregam trabalhadores aos patrões

Pelegos denunciam trabalhadores para o departamento pessoal das empresas. A difícil vida do operariado brasileiro torna-se, então, mais difícil. A organização da resistência a crescente exploração do trabalho assume formas dramáticas. A propaganda oficial das empresas e do governo mostra fábricas, como paraísos. E isso custa milhões. Mas muitas empresas estão deixando de fabricar as mercadorias e preferindo, apenas, revender produtos chineses. O lucro aumenta, porque na China seus trabalhadores, não tem direitos trabalhistas. Trabalham muito e ganham muito pouco, sem condições adequadas de trabalho. Então, a importação de produtos chineses e sua revenda torna-se um excelente negócio.

E se as empresas continuam produzindo, no Brasil, pioram salários e as condições de trabalho, para se tornarem mais competitivas ou, simplesmente, para seus proprietários, por não se importarem com os trabalhadores, aumentarem seus lucros. Um dos grandes negócios do momento está na venda de automóveis financiados a perder de vista. Muita gente está comprando carros novos e, sem se dar conta, vão caindo nas malhas dos bancos. Financiamentos que prenderão o financiado por anos e anos ao sistema financeiro. O que se pergunta é o que acontecerá quando essa fatia de mercado se esgotar? As fábricas fecharão suas portas? Demitirão milhares de trabalhadores? Como a indústria automobilística é um dos carros-chefe da economia, o efeito cascata será inevitável. Quantos mais ficarão desempregados e, desses, quantos não poderão mais pagar seus financiamentos, inclusive, de automóveis? Falidos e humilhados prisioneiros do sistema bancário e de seus juros escabrosos!

Hoje, nas fábricas, os salários não sobem, devidamente, apesar do aquecimento da economia. Exigem-se mais horas-extras dos trabalhadores, com base na estratégia do banco de horas. O operário, preso à produção mais e mais horas, acaba extenuado e doente e os acidentes de trabalho se multiplicam. E para o acidentado poderá começar um calvário sem fim. Para o patrão não haverá problemas, porque, com o desemprego em massa, sempre alguém pode aceitar qualquer condição insalubre de trabalho, desde que possa levar o pão para casa. Também, não há preocupação com a pontualidade nos pagamentos, seja de salário ou de 13º. O atraso pode se estender por meses.

O ambiente de trabalho que deveria ser agradável, mesmo se a tarefa fosse complicada ou pesada, se degenera a cada dia. Os banheiros imundos põem em risco a saúde daqueles que precisam utilizá-lo. A novidade é que agora os patrões restringem, inclusive, a ida a sanitários e mesmo as saídas para beber água. E a água é uma das bases fundamentais da vida humana. Quem não bebe água adoece, tem a produtividade rebaixada, se degrada. Os mais velhos se ressentem mais diante de tanta violência, praticada por aqueles, para quem a vida humana do outro é um detalhe irrelevante. Operário não é ser humano. Peão não é ser humano. Trabalhador não é ser humano. Humano é apenas o empresário, o burguês.

E aqueles que mais deveriam defender as classes trabalhadoras, os sindicalistas, acabam mudando de lado, ou porque desde antes já tinham o objetivo de, sem escrúpulos, usar os companheiros para seus objetivos pessoais, ou porque foram convencidos, no decorrer da luta, que a traição e seus prêmios valem mais. É o que tem acontecido com os líderes das centrais sindicais. Nas empresas, quando percebem o surgimento de focos de organização e resistência de trabalhadores, correm ao departamento pessoal da empresa, exigindo que sejam demitidos. Tem sido esse o papel da CUT, Força Sindical e CGT. A única saída é a organização na surdina e a explosão do movimento num momento que nem os patrões nem os capatazes nem os traidores estejam esperando. Estes últimos não traem por sete moedas, mas pelas montanhas de dinheiro que circulam, principalmente, nos grandes sindicatos, acrescidos ultimamente de mais 50 milhões, tomados do trabalhador, sem que se possa impedir, pois o desconto é feito a revelia.


(Este texto foi baseado no panfleto com o título Luta operária, que circulou em algumas fábricas do ABC, em São Paulo)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O reacionário monopólio de comunicação

Não há nada que ele não pontue. Cumpre com denodada acuidade seu papel na luta de classes, marcação cerrada. Seja um acontecimento numa pequena cidade do interior, um fato acontecido em outro país ou continente, um ato da burocracia, uma manifestação reivindicativa, tudo vira alvo de sua esgrima reacionária. Seus editoriais ou os artigos assinados por seus escribas pretendem sempre ser a última palavra ou verdadeiros éditos imperiais. Seus epítetos são definidores do bem e do mal aos quais vão alocando pessoas e instituições conforme seu rigoroso filtro ideológico.

São sete famílias que “produzem” a informação no Brasil e algumas dezenas de deputados federais e senadores que as reproduzem nos estados e centenas de chefetes políticos que o fazem nos municípios. Todos ligados linearmente às quatro grandes redes internacionais de comunicação que exercem o monopólio a nível mundial, buscando a todo custo estabelecer o pensamento único no planeta.

A manipulação da informação, dando-lhe o caráter de sua classe é a marca do monopólio de comunicação:os camponeses pobres são bandidos; os latifundiários são empreendedores do agronegócio; os patriotas da resistência iraquiana são terroristas; Bush é paladino da luta pela paz; as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são narco-traficantes; O Papa é santo; o comunismo morreu e o capitalismo é o fim da história.

Fortalecer a imprensa democrática e popular é a maneira que temos de nos contrapor ao monopólio de comunicação. Ler e divulgar jornais como A Nova Democracia, estimular entre os amigos a compra em bancas, solicitar cotas para repassá-los, fazer assinatura de apoio, efetuar doações e difundir seu sítio na internet, são ações positivas no sentido de manter esta trincheira de luta pela informação verdadeira e pela análise científica dos fatos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Vem greve por aí, e pode ser geral

Segundo cálculo realizado pelo Dieese, com base no valor da cesta básica paulistana, o salário mínimo deveria corresponder a R$ 1.803,11 em dezembro para suprir todas as despesas básicas de um trabalhador e sua família, dentro do que diz a Constituição. Quase cinco vezes o valor do atual salário mínimo de R$ 380,00.

O aumento geral da cesta básica em 2007 chegou a quase 25% em algumas capitais brasileiras. Isto significa que as famílias de baixa renda, cujo salário é destinado em sua maior parte à alimentação, são afetadas em maior grau pela carestia. Como o cálculo da inflação abrange uma série de outros itens que muitas vezes nem fazem parte do universo dos pobres, as reposições de salário com base nos índices de inflação do governo, transformam-se num instrumento da política de arrocho salarial.

O ano de 2008, portanto, aponta para um cenário de muitas lutas salariais em todas as categorias. Mais uma vez o decantado crescimento da economia se dá às custas do aumento da super exploração da classe operária. Uma inquietação, porém, já se faz sentir no seio do operariado. Isto pode ser detectado através de panfletos e boletins que circulam dentro das fábricas, à revelia dos pelegos encastelados nos sindicatos e nas centrais atrelados à gerência FMI/PT.

Não é à toa que empresários e burocratas dos ministérios do Planejamento e Fazenda retomam a Lei de Greve, ou seja, a lei que impede a greve, para ameaçar as categorias que iniciam sua mobilização.

O ministro do Planejamento Paulo Bernardo já se adiantou a afirmar que a administração federal irá se valer da decisão tomada o ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para as greves de servidores públicos. Por tal decisão, será aplicada aos servidores públicos a mesma legislação que regula a greve nas categorias que trabalham para empresas privadas, ou seja, exigências tais que inviabilizam a realização de qualquer greve.

Escudando-se na não aprovação da CPMF, a administração FMI-PT já anunciou que mesmo as negociações salariais feitas no ano passado serão revistas e o mais provável é que não haja reajuste para os servidores públicos neste ano de 2008.

O agravamento da crise ianque, que certamente terá sérias repercussões aqui na semicolônia, é o maior indicador de que grandes mobilizações virão e que não vão adiantar as ameaças patronais nem dos burocratas e, muito menos o berreiro dos monopólios dos meios de comunicação. Neste quadro se coloca com grande possibilidade a realização de uma greve geral. O obstáculo para que a mesma se torne realidade, por incrível que possa parecer, está nas direções das centrais pelegas encasteladas no ministério do trabalho.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Queda das bolsas revela crise do imperialismo

As principais bolsas de valores do mundo vem despencando dia a dia. Entre elas estavam as dos BRICs (Rússia 7,40%, China 5,14% e Brasil 6,60 em 21 de janeiro). A Bovespa já acumula uma queda de cerca de 16% em 2008. O Fed (Banco Central do USA) reduziu quase um por cento a sua taxa básica de juros no dia 22, trazendo de 4,25 para 3,50% os juros para socorrer os endividados, tanto pessoas físicas como jurídicas. Esta redução na taxa de juros do USA pode dar um pequeno alento à crise de credibilidade que de repente tomou conta de todo o mercado financeiro.

A anarquia que caracteriza o capitalismo é assim mesmo: em um momento, como no primeiro semestre do ano passado, a economia mundial ia a todo vapor e os fundamentos da economia ianque eram bastante sólidos. De repente o paraíso se transforma em um verdadeiro inferno, arrastando para dentro de um buraco negro instituições como Citi Corp e Merryll Linch, cujos prejuízos não têm parâmetro nos últimos cem anos.

Quando a crise deu seus primeiros sinais, os economistas dos BRICs, como Mantega no Brasil, logo se apressaram em dizer que estes países não seriam afetados pela crise, pois suas economias estavam cada vez mais descoladas da economia do USA. O Sr. Luiz Inácio deitou falação sobre o assunto garantindo que “a crise americana não atravessaria o Atlântico”, que isso era um problema deles e que o Brasil não seria atingido.

Com a virada do ano veio a virada no discurso. Agora o que eles dizem é que “o Brasil está preparado para enfrentar a crise”, admitem que a valorização do dólar poderá influir na inflação e, portanto, a taxa básica de juros poderá aumentar. Admitem também que os preços dos produtos agrícolas poderão cair, em face da recessão no USA, afetando o nosso balanço de pagamentos.

Em bom português, o que acontece é o seguinte: nós somos uma semi-colônia e nesta condição não há como nos livrarmos das crises do imperialismo. Pelo contrário, todas as vezes em que as economias hegemônicas entram em crise, elas buscam a superação da crise aumentando a taxa de exploração sobre as colônias e semi colônias. È por isso que Meirelles, o agente ianque no Banco Central, já toma as providências para manter as mais elevadas taxas de juros do mundo, em tendência de alta, para fazer a festa da oligarquia financeira internacional.