quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A Nova Democracia e o Oportunismo

(Resposta à correspondência de Jorge Echazu Alvarado)

Em meados de janeiro recebemos, na redação de AND o artigo “A Nova Democracia y Fascismo”, de autoria de Jorge Echazu Alvarado, 1º secretário do PC-MLM da Bolívia. Em seguida, recebemos também dois documentos internos de seu partido. Como o referido artigo tinha como subtítulo a expressão “Primera parte” aguardamos uma possível continuação, o que não ocorreu. Decidimos fazer logo algumas considerações necessárias. Em anexo, segue o artigo de Alvarado e demais materiais enviados à redação.

Os artigos publicados por AND nº 39, de 6 de janeiro de 2007, “O povo de Sucre derrota a Polícia e rechaça a ‘nova’ Constituição” e “A ‘meia lua’ organiza sua ‘resistência’” são de autoria do Centro de Estudos Populares-CEP de Bolívia. E o “Para entender os protestos” são comentários ao tema da redação do AND e não os três de autoria do CEP, como afirma Alvarado. AND publica o que esteja em conformidade com sua linha editorial, nada mais.

O artigo de Alvarado diz estar surpreso com AND por ter publicado os mencionados artigos, o que nos parece que o mesmo confunde AND com publicações que, dizendo combater o imperialismo e a direita justificam todo tipo de abuso e repressão praticado por supostos “governos populares” contra as massas. AND não é deste tipo de publicação.

Analisando os acontecimentos de Sucre e baseando-se no argumento de que quem estava nas manifestações contra o governo fazia o jogo da extrema direita de Sucre, afirma que o “fascismo boliviano ha conseguido temporalmente poner a explotados contra explotados...”. Não, senhores! Esta já é uma velha questão para o movimento democrático revolucionário. A direita, o fascismo, em qualquer lugar do mundo e em qualquer época fará de tudo, não importando a quem e a quantos atinjam suas negras ações, em favor de seus objetivos criminosos. Isto todos sabemos. As simplificações em política não passam de puro maniqueísmo. Há que ir mais ao fundo. O que houve em Sucre, de explorados contra explorados, é sim resultado da política reformista oportunista do MAS e Morales.

Jogar massas contra massas é tática e resultado inevitável da prática política do oportunismo. Ao negar o caráter de classe proletário-popular das tarefas do processo social e da via revolucionária como única possível para realizá-las, os oportunistas só conduzem a estes resultados desastrosos para as massas, pretendendo através de limitadas reformas dar continuidade, sob nova forma, a subjugação dos explorados aos interesses imperialistas. Que foram e são os governos social-democratas na Europa, que foram e são os governos populistas na América Latina? Que tem ocorrido em Bolívia como a da questão mineira das cooperativas que jogaram assalariados contra cooperados?

E isto sempre foi e é feito para dividir as massas, confundi-las e desviá-las do verdadeiro caminho revolucionário. E o fizeram e o fazem sempre acusando aos revolucionários de as terem provocado. Este é um velho truque que o oportunismo julga sempre ter sido útil e ter dado certo. O que temos de reconhecer que de certa forma deram sim. Pois, os sucessivos “governos progressistas” ou “nacionalistas” na América Latina só trouxeram derrotas e pesadelos para seus povos, atrasando seus processos revolucionários de libertação nacional e social. Esta sim nos parece uma maneira muito cômoda de pretender justificar as ações repressivas contra as massas por parte do governo Morales.

O velho conto oportunista e revisionista, sempre utilizado na história política da América Latina, de se apoiar qualquer governo que se declara progressista, nacionalista, de esquerda, etc., sob o pretexto de combater a direita, segue sendo posto em prática, apesar de todo o desastre que tem significado para nossos povos. Da mesma forma, como parte do velho conto, é o discurso de acusar de fazer o jogo da direita a quem, desde uma posição classista revolucionária, se oponha a ele.

Esta é, na verdade, uma teoria podre predicada pelo revisionismo e todo oportunismo. Na história política da América Latina, com raríssimas exceções, a “esquerda” hegemonizada pelo oportunismo tem se prestado a este papel. A contenda entre as frações burocrática e compradora da grande burguesia tem sido interpretada equivocadamente pela “esquerda” oportunista como uma luta entre certa burguesia nacional e o imperialismo, o que não corresponde à realidade.

Na verdade – uns ingenuamente e outros por má fé – classificam a fração burocrática da grande burguesia (monopolista e atada ao imperialismo) como burguesia nacional, simplesmente pelo fato desta, matreiramente e para arregimentar forças na pugna com a fração compradora pelo controle do aparelho de Estado, levantar bandeiras de aparência nacionalista e mesmo popular. Assim o oportunismo tem servido invariavelmente à essa fração burocrática em sua pugna pelo controle do velho Estado burocrático-latifundiário.

Também, fazer-se de ingênuo, isto sim é, como está formulado o ponto 5 das “Resoluciones del Quinto Pleno Ampliado del PC-MLM” (ver anexo) ao classificar por “debilidad teórica del Gobierno” a posição ideológico-política do MAS e do governo Morales, posição manifesta e assumidamente oportunista reformista burguesa.

Realmente nos é espantoso verificar que quem se reivindica marxista, mais ainda maoísta, tenha uma consideração tão aberrante com respeito a forças repressivas (exército e polícia), irrefutavelmente reconhecidas na história de Bolívia por seus massacres do povo e por genocídios sangrentos para servir os interesses das oligarquias e do imperialismo. Ao invés de condenar suas repulsivas ações (as de Sucre não foram as primeiras e únicas do gerenciamento do MAS), essas forças são reclamadas como “fuerzas realmente democráticas y populares”.

Sinceramente, não compreendemos a razão para o tom furibundo com que tal artigo se refere a AND. É verdade que as manifestas divergências de como se posicionar frente a um governo de oportunistas não é questão menor, porém suspeitamos que a motivação para tal irritação se trata de problemas internos em sua organização política com que nada AND tem que ver. É o que nos dá a entender o referido no 12º parágrafo de dito artigo e nos materiais anexos relativos à resoluções e mensagem de organismos do PC-MLM.

Sobre isto, ademais do que sua correspondência informa, é questão que desconhecemos por completo e que em nada nos diz respeito. Muito ao contrário do que, venenosamente, insinua o final do referido 12º parágrafo. Contudo rechaçamos o afirmado no seguinte 13º parágrafo, bem como todas as insinuações e vinculações pretendidas entre AND e fascismo. Reiterando que a AND se faculta o direito e liberdade de manifestar sobre as questões políticas que importam aos trabalhadores e massas populares em qualquer parte do mundo, segundo os princípios do internacionalismo proletário e definição democrático-popular de sua linha editorial.

Por fim, quanto ao conselho que nos emite, esclarecemos que, assim como antes seguiremos nos esforçando no estudo da realidade a qual procuramos abordar sempre segundo os critérios científicos do materialismo histórico-dialético e não aos convenientes a quem quer que seja. A AND combate e combaterá o imperialismo e todas as forças reacionárias de forma inseparável ao combate a todo oportunismo, esforçando-se sempre por contribuir ao esclarecimento das massas quanto aos seus inimigos, aqueles pronunciadamente assumidos e aqueles que, mistificando a realidade e levantando bandeiras do povo, buscam enganá-las com suas estafas.

A Redação de AND



«A NOVA DEMOCRACIA» y Fascismo.

Primera parte

«A NOVA DEMOCRACIA» es una publicación brasileña independiente de apoyo a la prensa popular y democrática que no es órgano de ningún partido político. Se caracteriza por publicar excelentes trabajos sobre la realidad política, económica y social del Brasil y de América Latina, así como de otros países del mundo desde una perspectiva popular y democrática.

Ahora bien, con profunda extrañeza y gran preocupación hemos leído los artículos “El pueblo de Sucre (Bolivia), derrotó a la policía y rechazó la Nueva Constitución”, “Para entender las protestas” y “La media luna organizar su “resistencia”, en el número 39, año 6 de enero de 2008 y que tiene como autor a un Centro de Estudios Populares de Bolivia (CEP).

Los señalados artículos del “Centro” no tienen ni la honestidad ni el valor civil de nombrar a sus responsables con nombre y apellido concreto (¿Pablo Saba Calero?, conocido por sus provocaciones contra el proceso boliviano.) Demuestra esta falta absoluta de valentía el escudarse en un supuesto “Centro de Estudios” para falsear de un modo increíble la realidad revolucionaria de Bolivia en una publicación de la calidad innegable de “A Nova Democracia”.

Vamos al grano. Resulta que según “A Nova Democracia” el pueblo “revolucionario” y “antiimperialista” de Sucre derrotó a la policía y rechazó la Nueva Constitución. Es muy cierto que el pueblo de Sucre, profundamente engañado por una derecha fascista, se movilizó masivamente con la exigencia de la “capitalidad plena” (que no aparece por ninguna parte en los sesudos análisis del Centro), una aspiración que puede ser comprendida, pero que tiene un profundo contenido provincialista y regionalista sin ninguna significación política y que fue hábilmente aprovechada por la extrema derecha para agredir brutalmente a los humildes campesinos chuquisaqueños que se movilizaron para garantizar y defender la continuación de la Asamblea Constituyente, combatida, agredida y violentada por un pueblo en cuyo seno se movían a sus anchas los Unionistas juveniles fascistas de Santa Cruz, mientras el ustachi Marincovic, llegaba a Sucre con maletines llenos de dólares para fomentar y subvencionar la asonada reaccionaria contra la Constituyente.

Es realmente increíble que el CEP y AND, no sepan que el proceso boliviano logrado con sangre y sacrificio por los campesinos, indígenas originarios, obreros, pobladores, cocaleros y otros sectores siempre marginados en Bolivia, está siendo objeto de una brutal y francamente fascista ofensiva reaccionaria sobre todo en Santa Cruz, Cochabamba y Sucre, mediante provocaciones típicamente nazis de apaleamiento de campesinos y trabajadores, incendios de domicilios, agresiones físicas contra constituyentes en Sucre y golpizas brutales por parte de fascistas declarados, de anti-comunistas confesos que acusan al Gobierno de comunizar a Bolivia.

El extravío del CEP es realmente alarmante. ¿Acaso no conocen cómo la demagogia fascista de un Goebbels, logró que todo el pueblo alemán cazara comunistas y los quemara en las calles de Berlín, cómo los fascistas italianos a la cabeza del “pueblo” italiano perseguían a los comunistas después de la Marcha sobre Roma?

La derecha recalcitrante y rabiosamente anti-popular es la autora de los argumentos que A Nova Democracia hace suyos responsabilizando a la Policía y al Ejército de los tres (no cuatro) muertos de Sucre. Estas víctimas, nosotros lo aseguramos, fueron producto de disparos de francotiradores fascistas llegados desde Santa Cruz para echarle la culpa al Gobierno, pues la derecha está buscando afanosamente “muertos” con sus provocaciones para adjudicarlos al gobierno. ¿Acaso no sabemos cómo actúa la CIA en nuestras tierras? ¿Serán tan ingenuos nuestros amigos de AND?

A Nova Democracia no puede compatibilizar sus correctas apreciaciones sobre la “Media Luna” en su artículo sobre su “resistencia” en el que reconocen ingenuamente la “solidaridad” de la Media Luna con la asonada de Sucre. ¿Qué significa esa famosa “solidaridad”? Nada más que una complicidad de ambos movimientos contra el proceso, el gobierno y las fuerzas realmente democráticas y populares. A renglón seguido se desentiende de esa íntima relación que tienen los acontecimientos de Santa Cruz, Cochabamba y Sucre. Empero prosigue el desvarío del CEP cuando sostiene que el asalto al Servicio de Impuestos Internos protagonizado por las hordas delincuenciales del la Unión Juvenil Cruceñista, se produjo como respuesta y después de conocerse la “represión” de la policía a los sucrenses. ¡Qué manera más cómoda de justificar las provocaciones fascistas?

Aconsejamos a ND, observar la ingente producción televisiva que existe en torno a las brutalidades cometidas por las escuadras fascistas en Cochabamba un 11 de enero de 2007 y la golpiza infame de René Vargas en las calles de Santa Cruz.

AND sostiene falsamente que los campesinos chuquisaqueños (camponeses) combatieron junto a estudiantes y población de Sucre. ¡Eso es totalmente falso! Los humildes campesinos chuquisaqueños fueron víctimas del más infame racismo cuando mestizos y cholos de Sucre escupían a sus madres campesinas y las llamaban agresivamente ¡”Kollas”! (Recuérdese aquel escupitajo infame de un joven indígena contra una anciana campesina llamándola “india” y “kolla”), como si esos cholos no fueran en realidad hijos de indios y de cholas, todo esto en beneficio de la oligarquía cruceña que ha conseguido transitoriamente una victoria en Sucre. El fascismo boliviano ha conseguido temporalmente poner a explotados contra explotados, a pobres contra pobres, a indios contra indios. La población sucrense es mayoritariamente quechua y por ello resulta ridículo observar a los cholos sucrenses agredir a los campesinos chuquisaqueños.

Serán los campesinos de Chuquisaca, los descendientes de los “Leales” de Juana Azurduy de Padilla, los que restablezcan el prestigio de ese pueblo que fue el precursor de la independencia de América Latina.

AND, debe saber que la dirigencia universitaria de Sucre estaba constituida por estudiantes de militancia maoísta, pero al confabularse éstos con la extrema derecha de Sucre y Santa Cruz, serán severamente sancionados por nuestro partido al tomar una actitud que sugestivamente coincide con los puntos de vista del CEP y AND.

Nuestro Partido jamás se ha permitido criticar la posición de los marxistas brasileños porque son ellos los que conocen a fondo sus propios problemas. Empero AND, sin siquiera requerir la opinión de los maoístas bolivianos, se expiden con artículos que el fascismo criminal y genocida de Bolivia les agradecerá profundamente.

Aconsejamos a AND estudiar las condiciones concretas de la realidad boliviana para no extraviarse tan gravemente como lo está haciendo. Y finalmente desafiamos a un debate público en la propia AND sobre el problema boliviano.

Cuando en Bolivia estamos recibiendo verdadera solidaridad por parte de nuestros camaradas de Argentina, Chile, Uruguay, Italia, Noruega y otros movimientos marxistas de todo el mundo, nuestros “amigos” de Brasil, hacen causa común con nuestros enemigos. Ojalá en el futuro cambien su posición.

Cuando en Bolivia estamos preparando las trincheras anti-fascistas para detener y derrotar la arremetida nazi-fascista, “agradecemos” infinitamente la “colaboración” entusiasta de AND.

Jorge Echazú Alvarado.

1er. Secretario del PC MLM.



RESOLUCIONES DEL

QUINTO PLENO AMPLIADO DEL PC-MLM

El 5to. Pleno del Comité Central Ampliado del nuestro Partido, reunido en la ciudad de la Paz, el día 19 de enero de 2008 y con la asistencia de 18 miembros titulares y representantes de Comités Regionales, aprobó las siguientes resoluciones partidarias.

1. El Partido ratificó plenamente su concepción marxista, leninista y maoísta que le permite tener una política consecuente con el proceso de cambios profundos que vive el país.

2. El pleno ratificó la línea política del Partido respecto al apoyo, participación y profundización del proceso de cambios profundos que vive el país a raíz de la gran insurrección desarmada de octubre de 2003.

3. El pleno aprobó el informe político presentado por la Comisión Política del Comité Central complementado por todas y cada una de las contribuciones del debate que siguió a la lectura del informe.

4. El pleno del C.C., respaldó y aprobó la política concreta de la dirección del Partido en su participación política, lo más profunda que pueda ser, en las decisiones gubernamentales, reservándose el derecho de crítica constructiva respecto de las mismas.

5. El pleno ratificó completamente su reconocimiento de que el peligro principal contra el proceso lo constituye el FASCISMO ABIERTO que se hace presente en algunas regiones del país como Santa Cruz y Sucre que se aprovecha de la debilidad teórica del Gobierno para frenarlo. El Partido hace suyas las consignas: “El fascismo separatista, no pasara” y “La izquierda se une en defensa de la Patria”.

6. El pleno resolvió continuar la política de UNIDAD del Partido con todas las fuerzas revolucionarias y de izquierda y hacer que la clase obrera, orgánicamente, se incorporé militantemente en el proceso de cambios. Apoyo resuelto a la Alianza Revolucionaria Anti-imperialista (ARA).

7. Habiéndose detectado una infiltración oportunista y traidora de parte de un “Centro de Estudios” en el seno del C.R. de Sucre se resolvió realizar una investigación exhaustiva para determinar responsabilidades.

8. Se resolvió la expulsión ignominiosa del militante MARCELO (C.R. Sucre), por su traición a la concepción revolucionaria del marxismo-leninismo-maoísmo y a la línea política del partido.

9. El pleno, igualmente, determinó la expulsión del dirigente JUAN CARLOS (Sucre), con cargo a su ratificación en el próximo Congreso Nacional del Partido.

10. En el plano orgánico se aprobó la realización, en el plazo de dos meses, de Conferencias regionales para la reorganización de todos los Comités Regionales.

11. Se aprobó, igualmente, la reconstitución de la Comisión Nacional de Organización para cumplir la tarea de reconstrucción del Partido.

El Presidium del Pleno.


Mensaje al CC de las células “Lenin” y “Rosa Luxemburgo” del Comité Regional de Sucre del PC-MLM

Ante la caracterización del Estado por parte de los compañeros de la Federación Universitaria Local de Sucre y algunos compañeros de carácter maoísta de la ciudad que tratan de ver las oportunidades políticas de crecimiento en cantidad para dicho movimiento por la defensa de una “champa guerra” llamada “capitalía plena”, tenemos la obligación de aclarar algunos hechos suscitados en dichos enfrentamientos para retomar el carácter revolucionario de la poderosa ideología marxista-leninista-maoísta.

En dicho movimiento de defensa de la democracia burguesa del Estado de Derecho y la legalidad como así lo planteaba el ejecutivo de la FUL-RUGE Juan Antonio Jesús vemos en un principio la caracterización de solamente un movimiento chauvinista sin ninguna característica revolucionaria sino más bien reaccionaria y de carácter atentatoria hacia la clase obrera y campesina.

Es en este sentir es que a través de la reunión ampliada del movimiento antiimperialista Organizado se decide enmarcándonos en el centralismo democrático entrando en dicho movimiento conjuntamente con la FUL RUGE se hace notar que desde el principio la conducta de algunos compañeros que manifestaron su desacuerdo con dicho movimiento por estar estrechamente unido a la burguesía compradora de Santa Cruz además, al sentimiento conservador de Sucre y por ser simplemente un tema de forma ante la realidad nacional que nos aqueja y poniendo su desacuerdo en reiteradas ocasiones en muchas reuniones ampliadas de MAO (Movimiento Antiimperialista Organizado), es decisión personal de muchos camaradas estar en repliegue teniendo en cuenta los siguientes aspectos:

Primero. La ideología marxista-leninista-maoísta que no ilumina y nos hace notar que simplemente éramos tontos útiles para la derecha reaccionaria de nuestro país (burguesía compradora)

Segundo. Al tornarse dicho movimiento solamente en muestras de racismo e intolerancia por la población chuquisaqueña.

Tercero. Por caracterizarnos internacionalistas y no regionalistas como así es la demanda de capitalidad.

Cuarto. Al ser testigos fieles de la actuación del Comité Inter-Institucional que no era más que un títere del Comité pro Santa Cruz.

Por tanto hacemos notar que como se nos ha tildado de primero traicioneros y habernos alejado de la FUL RUGE y además cobardes, queremos hacer notar que la decisión fue tomando primeramente ante las constantes reuniones del Comité Regional en los cuales pedíamos urgentemente el repliegue de todos los maoístas dirigiéndose a las bases dicho pedido no se tomó en cuenta para nada dentro del Comité Regional.

Además que como maoístas dentro de la FUL RUGE no se estaba haciendo los cambios que así se lo había planteado y el frente MAO entraba en una degeneración y había olvidado la todopoderosa ideología marxista-leninista- maoísta y no se había crecido tanto en lo teórico ni en lo práctico es que de esta manera que vimos conveniente el alejamiento y el repliegue hacia las bases de parte de los camaradas que siguen el verdadero maoísmo.

Atentamente. Encargados de las células “Lenin” y “Rosa Luxemburgo”.

Camarada Pigui. Camarada Espinal.

Sucre, 19 de enero de 2008.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Estudantes são expulsos de universidade pública

O carnaval não começou com festa para os moradores do acampamento Maria Júlia Braga, na Universidade Federal Fluminense (UFF) situado no campus do Gragoatá em Niterói. Em dois anos de luta por moradia estudantil, os moradores acampados no gramado da universidade sofreram um de seus maiores golpes na tarde do dia primeiro de fevereiro, em plena sexta-feira de carnaval. Um despejo contra o acampamento reuniu o apoio das polícias federal e militar, sob coordenação da Justiça Federal em ação de reintegração de posse solicitada pela reitoria.

O local foi invadido e a ordem de despejo foi dada. Os moradores estavam dormindo quando a polícia chegou e foram obrigados, num prazo de 10 minutos, a retirarem-se sem ao menos levar seus pertences. Os estudantes só podiam levar o que conseguissem carregar. Eletrodomésticos, geladeiras e armários eram confiscados. No momento da invasão da área, estavam apenas quatro moradores, porque os demais estavam viajando.

A ação capitaneada pelo reitor Roberto Salles, de acordo com os estudantes foi apenas mais uma maneira brutal de tentar desestruturar o movimento organizado. Intitulado Maria Júlia Braga, o movimento é composto em grande parte por estudantes da UFF que precisam de moradia para manter seus estudos. O sindicato dos trabalhadores da universidade, a associação dos docentes e o DCE está há anos lutando pela moradia que possibilite aos estudantes concluírem seus cursos. As principais reivindicações giram em torno do aumentos dos recursos públicos para educação aliado a políticas contundentes de assistência ao estudante universitário.

Os moradores do acampamento estão alojados no DCE. Até agora nenhuma solução foi apresentada pela administração da UFF no que se refere a um alojamento digno para os estudantes necessitados.

Grande parte dos acampados é remanescente da Casa do Estudante Fluminense, de onde foram expulsos há cerca de dois anos, depois de muita perseguição por parte da reitoria da UFF. Maria Júlia Braga é o nome da senhora que doou há muitos anos o edifício onde funcionava a Casa do Estudante, que abrigava também estudantes de outras universidades e escolas públicas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Nas fábricas, pelegos entregam trabalhadores aos patrões

Pelegos denunciam trabalhadores para o departamento pessoal das empresas. A difícil vida do operariado brasileiro torna-se, então, mais difícil. A organização da resistência a crescente exploração do trabalho assume formas dramáticas. A propaganda oficial das empresas e do governo mostra fábricas, como paraísos. E isso custa milhões. Mas muitas empresas estão deixando de fabricar as mercadorias e preferindo, apenas, revender produtos chineses. O lucro aumenta, porque na China seus trabalhadores, não tem direitos trabalhistas. Trabalham muito e ganham muito pouco, sem condições adequadas de trabalho. Então, a importação de produtos chineses e sua revenda torna-se um excelente negócio.

E se as empresas continuam produzindo, no Brasil, pioram salários e as condições de trabalho, para se tornarem mais competitivas ou, simplesmente, para seus proprietários, por não se importarem com os trabalhadores, aumentarem seus lucros. Um dos grandes negócios do momento está na venda de automóveis financiados a perder de vista. Muita gente está comprando carros novos e, sem se dar conta, vão caindo nas malhas dos bancos. Financiamentos que prenderão o financiado por anos e anos ao sistema financeiro. O que se pergunta é o que acontecerá quando essa fatia de mercado se esgotar? As fábricas fecharão suas portas? Demitirão milhares de trabalhadores? Como a indústria automobilística é um dos carros-chefe da economia, o efeito cascata será inevitável. Quantos mais ficarão desempregados e, desses, quantos não poderão mais pagar seus financiamentos, inclusive, de automóveis? Falidos e humilhados prisioneiros do sistema bancário e de seus juros escabrosos!

Hoje, nas fábricas, os salários não sobem, devidamente, apesar do aquecimento da economia. Exigem-se mais horas-extras dos trabalhadores, com base na estratégia do banco de horas. O operário, preso à produção mais e mais horas, acaba extenuado e doente e os acidentes de trabalho se multiplicam. E para o acidentado poderá começar um calvário sem fim. Para o patrão não haverá problemas, porque, com o desemprego em massa, sempre alguém pode aceitar qualquer condição insalubre de trabalho, desde que possa levar o pão para casa. Também, não há preocupação com a pontualidade nos pagamentos, seja de salário ou de 13º. O atraso pode se estender por meses.

O ambiente de trabalho que deveria ser agradável, mesmo se a tarefa fosse complicada ou pesada, se degenera a cada dia. Os banheiros imundos põem em risco a saúde daqueles que precisam utilizá-lo. A novidade é que agora os patrões restringem, inclusive, a ida a sanitários e mesmo as saídas para beber água. E a água é uma das bases fundamentais da vida humana. Quem não bebe água adoece, tem a produtividade rebaixada, se degrada. Os mais velhos se ressentem mais diante de tanta violência, praticada por aqueles, para quem a vida humana do outro é um detalhe irrelevante. Operário não é ser humano. Peão não é ser humano. Trabalhador não é ser humano. Humano é apenas o empresário, o burguês.

E aqueles que mais deveriam defender as classes trabalhadoras, os sindicalistas, acabam mudando de lado, ou porque desde antes já tinham o objetivo de, sem escrúpulos, usar os companheiros para seus objetivos pessoais, ou porque foram convencidos, no decorrer da luta, que a traição e seus prêmios valem mais. É o que tem acontecido com os líderes das centrais sindicais. Nas empresas, quando percebem o surgimento de focos de organização e resistência de trabalhadores, correm ao departamento pessoal da empresa, exigindo que sejam demitidos. Tem sido esse o papel da CUT, Força Sindical e CGT. A única saída é a organização na surdina e a explosão do movimento num momento que nem os patrões nem os capatazes nem os traidores estejam esperando. Estes últimos não traem por sete moedas, mas pelas montanhas de dinheiro que circulam, principalmente, nos grandes sindicatos, acrescidos ultimamente de mais 50 milhões, tomados do trabalhador, sem que se possa impedir, pois o desconto é feito a revelia.


(Este texto foi baseado no panfleto com o título Luta operária, que circulou em algumas fábricas do ABC, em São Paulo)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O reacionário monopólio de comunicação

Não há nada que ele não pontue. Cumpre com denodada acuidade seu papel na luta de classes, marcação cerrada. Seja um acontecimento numa pequena cidade do interior, um fato acontecido em outro país ou continente, um ato da burocracia, uma manifestação reivindicativa, tudo vira alvo de sua esgrima reacionária. Seus editoriais ou os artigos assinados por seus escribas pretendem sempre ser a última palavra ou verdadeiros éditos imperiais. Seus epítetos são definidores do bem e do mal aos quais vão alocando pessoas e instituições conforme seu rigoroso filtro ideológico.

São sete famílias que “produzem” a informação no Brasil e algumas dezenas de deputados federais e senadores que as reproduzem nos estados e centenas de chefetes políticos que o fazem nos municípios. Todos ligados linearmente às quatro grandes redes internacionais de comunicação que exercem o monopólio a nível mundial, buscando a todo custo estabelecer o pensamento único no planeta.

A manipulação da informação, dando-lhe o caráter de sua classe é a marca do monopólio de comunicação:os camponeses pobres são bandidos; os latifundiários são empreendedores do agronegócio; os patriotas da resistência iraquiana são terroristas; Bush é paladino da luta pela paz; as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são narco-traficantes; O Papa é santo; o comunismo morreu e o capitalismo é o fim da história.

Fortalecer a imprensa democrática e popular é a maneira que temos de nos contrapor ao monopólio de comunicação. Ler e divulgar jornais como A Nova Democracia, estimular entre os amigos a compra em bancas, solicitar cotas para repassá-los, fazer assinatura de apoio, efetuar doações e difundir seu sítio na internet, são ações positivas no sentido de manter esta trincheira de luta pela informação verdadeira e pela análise científica dos fatos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Vem greve por aí, e pode ser geral

Segundo cálculo realizado pelo Dieese, com base no valor da cesta básica paulistana, o salário mínimo deveria corresponder a R$ 1.803,11 em dezembro para suprir todas as despesas básicas de um trabalhador e sua família, dentro do que diz a Constituição. Quase cinco vezes o valor do atual salário mínimo de R$ 380,00.

O aumento geral da cesta básica em 2007 chegou a quase 25% em algumas capitais brasileiras. Isto significa que as famílias de baixa renda, cujo salário é destinado em sua maior parte à alimentação, são afetadas em maior grau pela carestia. Como o cálculo da inflação abrange uma série de outros itens que muitas vezes nem fazem parte do universo dos pobres, as reposições de salário com base nos índices de inflação do governo, transformam-se num instrumento da política de arrocho salarial.

O ano de 2008, portanto, aponta para um cenário de muitas lutas salariais em todas as categorias. Mais uma vez o decantado crescimento da economia se dá às custas do aumento da super exploração da classe operária. Uma inquietação, porém, já se faz sentir no seio do operariado. Isto pode ser detectado através de panfletos e boletins que circulam dentro das fábricas, à revelia dos pelegos encastelados nos sindicatos e nas centrais atrelados à gerência FMI/PT.

Não é à toa que empresários e burocratas dos ministérios do Planejamento e Fazenda retomam a Lei de Greve, ou seja, a lei que impede a greve, para ameaçar as categorias que iniciam sua mobilização.

O ministro do Planejamento Paulo Bernardo já se adiantou a afirmar que a administração federal irá se valer da decisão tomada o ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para as greves de servidores públicos. Por tal decisão, será aplicada aos servidores públicos a mesma legislação que regula a greve nas categorias que trabalham para empresas privadas, ou seja, exigências tais que inviabilizam a realização de qualquer greve.

Escudando-se na não aprovação da CPMF, a administração FMI-PT já anunciou que mesmo as negociações salariais feitas no ano passado serão revistas e o mais provável é que não haja reajuste para os servidores públicos neste ano de 2008.

O agravamento da crise ianque, que certamente terá sérias repercussões aqui na semicolônia, é o maior indicador de que grandes mobilizações virão e que não vão adiantar as ameaças patronais nem dos burocratas e, muito menos o berreiro dos monopólios dos meios de comunicação. Neste quadro se coloca com grande possibilidade a realização de uma greve geral. O obstáculo para que a mesma se torne realidade, por incrível que possa parecer, está nas direções das centrais pelegas encasteladas no ministério do trabalho.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Queda das bolsas revela crise do imperialismo

As principais bolsas de valores do mundo vem despencando dia a dia. Entre elas estavam as dos BRICs (Rússia 7,40%, China 5,14% e Brasil 6,60 em 21 de janeiro). A Bovespa já acumula uma queda de cerca de 16% em 2008. O Fed (Banco Central do USA) reduziu quase um por cento a sua taxa básica de juros no dia 22, trazendo de 4,25 para 3,50% os juros para socorrer os endividados, tanto pessoas físicas como jurídicas. Esta redução na taxa de juros do USA pode dar um pequeno alento à crise de credibilidade que de repente tomou conta de todo o mercado financeiro.

A anarquia que caracteriza o capitalismo é assim mesmo: em um momento, como no primeiro semestre do ano passado, a economia mundial ia a todo vapor e os fundamentos da economia ianque eram bastante sólidos. De repente o paraíso se transforma em um verdadeiro inferno, arrastando para dentro de um buraco negro instituições como Citi Corp e Merryll Linch, cujos prejuízos não têm parâmetro nos últimos cem anos.

Quando a crise deu seus primeiros sinais, os economistas dos BRICs, como Mantega no Brasil, logo se apressaram em dizer que estes países não seriam afetados pela crise, pois suas economias estavam cada vez mais descoladas da economia do USA. O Sr. Luiz Inácio deitou falação sobre o assunto garantindo que “a crise americana não atravessaria o Atlântico”, que isso era um problema deles e que o Brasil não seria atingido.

Com a virada do ano veio a virada no discurso. Agora o que eles dizem é que “o Brasil está preparado para enfrentar a crise”, admitem que a valorização do dólar poderá influir na inflação e, portanto, a taxa básica de juros poderá aumentar. Admitem também que os preços dos produtos agrícolas poderão cair, em face da recessão no USA, afetando o nosso balanço de pagamentos.

Em bom português, o que acontece é o seguinte: nós somos uma semi-colônia e nesta condição não há como nos livrarmos das crises do imperialismo. Pelo contrário, todas as vezes em que as economias hegemônicas entram em crise, elas buscam a superação da crise aumentando a taxa de exploração sobre as colônias e semi colônias. È por isso que Meirelles, o agente ianque no Banco Central, já toma as providências para manter as mais elevadas taxas de juros do mundo, em tendência de alta, para fazer a festa da oligarquia financeira internacional.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Favelas do Rio continuam sendo atacadas

Na segunda semana de 2008, a polícia militar do Rio de Janeiro realizou quatro operações em favelas da zona Norte da cidade para “reprimir o tráfico varejista” (aterrorizar a população das favelas). Como sempre, as incursões tiveram um desfecho trágico para os moradores dessas comunidades.

Somente no Jacaré, no dia 10 de janeiro, uma operação do BOPE que durou quase 24h, deixou sete pessoas mortas, entre elas uma criança de 3 anos, Wesley Damião da Silva, que foi levada ao Hospital Salgado Filho, mas não resistiu ao ferimento.

Testemunhas disseram à Rede de jornalistas populares que jovens foram torturados e executados pela polícia. Representantes do Movimento Jacaré pela Paz, acusam policiais do BOPE de terem baleado uma criança de três anos com três tiros de pistola. Para eles uma simples investigação seria suficiente para provar o que de fato aconteceu. De acordo com moradores, policiais do BOPE, aclamados pelo filme Tropa de Elite, se esconderam em uma casa da favela sem serem percebidos. Quando a favela voltou ao normal, os policiais saíram da casa pela laje, atirando para todos lados. O resultado foram quatro pessoas mortas, entre elas a criança de três anos que saia de um supermercado de mãos dadas com a mãe, que ainda levava outra criança de 6 meses no colo. A mãe confirma a versão dos moradores.

A família de Augusto de Oliveira Serrano, de 16 anos está desolada pelo assassinato do filho, que de acordo com eles era trabalhador e também estudava e não usava drogas. Mais uma vez, o gerente Sérgio Cabral escancara a sua política fascista de extermínio da pobreza e derrama o sangue do proletariado nas comunidades carentes.

Na Vila Cruzeiro, duas operações, uma na segunda (7), outra na sexta (11), deixaram um total de 5 pessoas mortas. Já na favela Kelson’s, na Penha, os policiais mataram um homem durante invasão na segunda-feira, dia 7. Como sempre, a versão da polícia, reforçada pelo monopólio dos meios de comunicação, é de que todos os homens mortos eram traficantes e morreram trocando tiros com a polícia. Tudo dito sem provas ou investigações.

No Jacarezinho, suspeitos que tiveram a sorte de não ser mortos ou torturados, foram obrigados pelos policiais a carregar a droga apreendida na operação para a viatura. Ao chegar à delegacia os quatro suspeitos foram liberados por falta de provas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Reféns das FARC são resgatadas na Colômbia

Finalmente a missão humanitária comandada por Hugo Chávez resgatou Clara Rojas e Consuelo González, Que estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia há vários anos.

A primeira tentativa de resgate, no fim de dezembro último fracassou porque Uribe, o gerente colombiano, ameaçou com manobras militares na região onde as reféns seriam libertadas, numa clara sabotagem à missão comandada por Chávez e acompanhada por observadores internacionais.

Após o fracasso, os governos fascistas e os monopólios dos meios de comunicação a seu serviço intensificaram a campanha de difamação de Chávez, atribuindo a ele o fracasso da operação.

Confirmado que o menino em um orfanato de Bogotá era mesmo Emanuel, filho de Clara, as FARC informaram que retiraram o menino da selva para proteger sua vida e evitar uma tentativa de resgate pelo exército colombiano/ianque.

Por fim, Uribe e até a Casa Branca (quem diria!) – os principais responsáveis pelo anterior fracasso – tiveram que agradecer ao presidente venezuelano pelo êxito da operação.

A Nova Democracia não apóia nem as FARC nem Chávez, tendo publicado críticas freqüentemente a eles. Sobre as FARC, em AND nº 10, Luis Arce Borja faz uma brilhante análise em O oportunismo armado das FARC. Sobre Chávez, entre outros, no último número há um artigo caracterizando seu governo: Chávez: o tênue fio entre o conluio e pugna com o imperialismo, de autoria de Wilson Enríquez

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ministério Público visita Providência para ouvir denúncias de abusos da PM e do Exército nesta sexta (11)


Esta nota foi publicada pela Rede de comunidades e movimentos contra a violência e repercute texto do A Nova Democracia nº 39, Fuzil e trator contra o povo trabalhador, de autoria de Marcelo Salles.

Na próxima sexta-feira, 11 de janeiro, o subprocurador de Direitos Humanos do Ministério Público, Leonardo Chaves, irá à comunidade da Providência para ouvir denúncias e propostas da comunidade sobre freqüentes e repetidos abusos cometidos pela Polícia Militar e, mais recentemente, pelo Exército, que ocupa o morro desde dezembro.

Conforme a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência denunciou em diversas ocasiões desde outubro de 2007, o nível de violência policial na favela aumentou muito desde que o capitão Leonardo Zuma assumiu o comando do Gpae local. Gozando aparentemente de algum tipo de apoio político, Zuma chegou a desacatar ordens abertamente e não sofreu qualquer tipo de punição.

Pouco depois veio a inesperada notícia: o Exército ocuparia o morro por pelo menos um ano para garantir polêmicas obras, fruto de um acordo entre o senador Marcelo Crivella e o presidente Lula. Embora os militares estejam lá desde 12 de dezembro, somente na última terça (08/01) as obras realmente começaram.

Como a Associação e moradores denunciaram, por exemplo, ao jornal A Nova Democracia, desde o início da ocupação militar têm sido freqüentes os casos de invasão de domicílios, revistas indiscriminadas (inclusive de crianças) e intimidação. O caso mais recente foi na última sexta, 4 de janeiro, quando garis comunitários tiveram suas roupas rasgadas em revistas do Exército.

Dois jovens baleados por PMs
Ao mesmo tempo, continuam as atrocidades da PM. Na mesma sexta 04, por volta das 18h, uma viatura do 5o BPM com dois PMs entrou no Morro do Pinto (favela vizinha à Providência) e baleou dois jovens. Edson, de 16 anos, morreu na hora com um tiro na nuca (indício claro de execução sumária) Wesley, de 14 anos, foi atingido no abdômen. O tiro perfurou seus intestinos e ele encontra-se internado no hospital Souza Aguiar.

Os policiais não deixaram os moradores socorrer os jovens, colocaram os corpos na viatura e levaram ao hospital. Moradores revoltados seguiram até o Souza Aguiar e fizeram um protesto em frente ao hospital contra essa violência logo no início do ano. Inicialmente a polícia apresentou a versão de sempre, que os jovens foram atingidos numa "troca de tiros", mas já agora dizem que Wesley foi baleado "acidentalmente".

Esses e outros casos serão apresentados ao MP, e serão pedidas garantias de que o Exército respeite os direitos dos moradores durante a longa ocupação planejada. A reunião será às 14h do dia 11 de janeiro e o endereço da Associação é Rua da Gamboa, 21.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Camponeses relatam torturas e exigem terra em Audiência Pública

No dia 08 de janeiro de 2007, às 15 horas, em Redenção (PA), foi realizada uma Audiência pública, convocada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Pará, atendendo ao pedido da Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins, para ouvir os camponeses atingidos pela violência da Operação “Paz no Campo”. A audiência teve lugar na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Redenção.

A Liga dos Camponeses Pobres promoveu uma ampla mobilização na região. Carros de som rodavam por toda a cidade, anunciando a Audiência Pública. Os presos foram libertados, criando um clima de otimismo com a vitória e revolta contra o Estado, a polícia e o latifúndio.

Os operários do Frigorífico Redenção, em greve há 17 dias, também anunciaram seu apoio aos camponeses da Forkilha. No dia 8, pela manhã, a L.CP foi convidada a participar em um programa de rádio local. O programa foi escutado por grande parte da população, que participou amplamente pelo telefone.

Toda essa agitação fez com que os latifundiários locais promovessem uma resposta política. Várias entidades patronais assinaram um documento em defesa da Operação “Paz no campo”, inclusive em out doors. Espalharam faixas em defesa da polícia por toda a cidade.

O auditório ficou lotado durante toda a Audiência e centenas de camponeses e trabalhadores da cidade se concentraram em frente a OAB para ouvir os relatos. A massa se apertava no auditório, com o objetivo de denunciar tudo que estava guardado no peito. Um carro de som transmitia ao vivo toda a Audiência. Mesmo com calor intenso, os camponeses e a população local permaneceram na praça até o final do evento.

A rua foi fechada pelos camponeses, que colocaram faixas, exigindo a desapropriação imediata das Fazendas Forkilha e Bradesco e condenando a Operação “Paz no Campo”.

A Liga convidou vários acampamentos que sofreram a ação da Operação “Paz no campo”. As intervenções denunciaram a ação do Estado. Os representantes dos acampamentos contaram de forma emocionante o sofrimento pelo qual passaram.

Todo o comando da polícia participou da Audiência, incluindo Polícia Civil, Militar e Federal, além do Ibama. O advogado do latifundiário Tarcísio Andrade, filho de Jairo Andeade, também esteve presente e defendeu a Operação “Paz no campo”. Mas ele foi obrigado a engolir suas palavras depois dos protestos dos camponeses presentes. Todos foram obrigados a ouvir os relatos e denúncias dos camponeses, que não se amedrontaram diante deles.

No final da audiência, os camponeses continuaram na porta da OAB, onde usaram o microfone para fazer mais denúncias e reafirmar o desejo de conquistar uma terra para viver com dignidade.