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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Se isso não for fascismo...

Greve dos bombeiros do Rio

Por Patrick Granja

No último domingo, bombeiros de vários quartéis do Rio de Janeiro se reuniram nas escadarias da Assembleia Legislativa para protestar. Além do reajuste de seus salários, considerados os piores do Brasil, a categoria exige a libertação dos 439 bombeiros presos no protesto da última sexta-feira.

Cerca de 3 mil bombeiros ocuparam o quartel central da corporação no Rio de Janeiro exigindo que o gerenciamento Cabral negociasse suas reivindicações, entre elas o reajuste salarial dos atuais 950 para R$ 2 mil reais. A ocupação do quartel foi fruto do desenrolar de um movimento que já dura vários dias, porém sem nenhum avanço nas negociações devido à recusa do governo em negociar com os grevistas.

Os bombeiros e seus familiares, como forma de protesto, passavam a noite no quartel quando, por volta das 6h da manhã, cerca de 150 policiais do Bope e a tropa de choque da PM invadiram o quartel disparando bombas, balas de borracha e até tiros de fuzil.

Cléa Borges, a esposa do bombeiro Túlio Anselmo Borges Meneghelli, sofreu um aborto durante a invasão policial.

Horas depois, o gerente estadual Sérgio Cabral foi à TV e chamou os bombeiros de “vândalos e criminosos”. Declarou as ações da greve como “inaceitáveis do ponto de vista do Estado de direito democrático”. Atribuiu ao movimento motivação política e fingiu indignação ao declarar que era um absurdo os bombeiros se insurgirem contra seu governo, como se tudo estivesse sendo feito para levar as negociações a bom termo.

Sérgio Cabral, em seu discurso, acusou o movimento grevista de “prejudicar uma instituição respeitada”, mas omite o que desencadeou o movimento: o baixíssimo salário pago aos integrantes da corporação.

A atitude do gerenciamento Cabral é apenas mais uma confirmação de sua essência fascista. Ao ordenar a repressão brutal aos bombeiros e seus familiares que ocupavam o quartel, Cabral disse que “mesmo que recebessem o pior salário do Brasil”, a ocupação do quartel “não teria justificativa”. Diz isso, buscando justificar disparos de fuzil contra grevistas e seus familiares. Ataca os grevistas, acusando-os de invadir e depredar um prédio público, quando foi ele quem ordenou que a polícia abrisse fogo e lançasse bombas no interior do quartel.


Na tarde de domingo, quando a reportagem de AND cobria a manifestação dos bombeiros no centro da cidade, panos vermelhos podiam ser vistos nas janelas dos prédios saudando a luta e prestando solidariedade. Pesquisas de opinião revelam o unânime apoio da população do Rio à justa luta dos bombeiros, que seguem mobilizados e afirmam que permanecerão mobilizados até a conquista de suas reivindicações.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, o também fascista César Maia, postou o seguinte comentário na internet: “Depois de chamar médicos de vagabundos, Cabral chama os bombeiros de vândalos. Às mães da Rocinha propôs aborto para não gestarem traficantes. Himmler perde.” Na falta de uma melhor fonte para descrever todo o fascismo das atitudes e declarações do atual gerente de turno estadual, registramos esta pela veracidade das palavras.

Túlio Anselmo, o bombeiro cuja esposa sofreu um aborto durante a invasão policial protestou: "Não somos bichos. Não somos bandidos. Nós não apresentávamos perigo nenhum. Nosso objetivo é apenas pedir mais alimentação. Eu salvo a vida dos outros e ganho menos de R$ 1 mil para sustentar minha família. Isso não é justo. Mataram meu filho!"

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Abusos marcam o início das remoções no Largo do Campinho

Por Patrick Granja



Na última sexta-feira, agentes da prefeitura voltaram ao Largo do Campinho, zona Norte do Rio, com um aparato de guerra para remover uma parte dos moradores. Apesar de terem aceitado a ínfima indenização oferecida pela prefeitura, moradores sofreram inúmeros abusos durante a ação. Muitos deles tiveram seus estabelecimentos comerciais invadidos e outros foram incluidos no trajeto das remoções em cima da hora. Revoltados, moradores se queixaram com os agentes responsáveis pela remoção, mas não foram ouvidos.
Depois de muita resistência, com protestos radicalizados, moradores do Largo do Campinho conseguiram forçar a prefeitura a negociar. Contudo, mesmo após um acordo unilateral, uma imposição às famílias removidas, a prefeitura não abriu mão de sua prática comum nas favelas do Rio. Quando nossa equipe deixou o local, famílias que ainda não haviam sido pagas estavam desesperadas, na chuva, sem outra opção que não dormir na rua.

Despejo em prédios do projeto Minha Casa, Minha Vida deixa dezenas de famílias na rua

Por Patrick Granja



Na semana passada, policiais federais, civis e militares participaram de uma ação de despejo em três condomínios do projeto Minha Casa, Minha Vida, em Campo Grande. Segundo a secretaria de habitação, os moradores invadiram os apartamentos. Entretanto, de acordo com outras pessoas que moram no local, os imóveis estavam abandonados, já que poucas famílias aceitam as moradias pequenas e isoladas do Centro da cidade. Contudo, os imóveis serviam de abrigo a dezenas de famílias que viviam nas ruas por diferentes motivos. Mesmo assim, não houve diálogo com os gerenciamentos de turno que mobilizaram um aparato de guerra para expulsar as famílias. Já o monopólio da imprensa, criminalizou o movimento insinuando que grupos paramilitares teriam comandado as invasões.
No segundo dia de despejos, nossa equipe também esteve no local e flagrou dezenas de famílias abandonadas na rua com seus móveis sem ter para onde ir. Segundo os moradores com situação regularizada, a prefeitura e a Caixa Econômica Federal proibem a venda ou o aluguel das moradias obrigando dezenas de famílias a viverem confinadas em uma região 60 quilômetros afastada do Centro da cidade.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Despejo em prédios do projeto 'Minha Casa, Minha Vida' deixa dezenas de famílias na rua

Por Patrick Granja



Na semana passada, policiais federais, civis e militares participaram de uma ação de despejo em três condomínios do projeto Minha Casa, Minha Vida, em Campo Grande, zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo a secretaria de habitação, os moradores invadiram os apartamentos. Entretanto, de acordo com outras pessoas que moram no local, os imóveis estavam abandonados, já que poucas famílias aceitam as moradias pequenas e isoladas do Centro da cidade. Contudo, os imóveis serviam de abrigo a dezenas de famílias que viviam nas ruas por diferentes motivos. Mesmo assim, não houve diálogo com os gerenciamentos de turno que mobilizaram um aparato de guerra para expulsar as famílias. Já o monopólio da imprensa, criminalizou o movimento insinuando que grupos paramilitares teriam comandado as invasões.

No segundo dia de despejos, nossa equipe também esteve no local e flagrou dezenas de famílias abandonadas na rua com seus móveis sem ter para onde ir. Segundo os moradores com situação regularizada, a prefeitura e a Caixa Econômica Federal proibem a venda ou o aluguel das moradias obrigando dezenas de famílias a viverem confinadas em uma região 60 quilômetros afastada do Centro da cidade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Transcarioca: Moradores da rua Domingos Lopes resistem à remoção

Por Patrick Granja



A Transcarioca será um corredor expresso de ônibus que ligará a Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, ao aeroporto internacional. Contudo, no seu caminho, várias famílias estão sendo removidas arbitrariamente pela prefeitura e suas construtoras e empreiteiras contratadas. Próximo ao Largo do Campinho, moradores da rua Domingos Lopes estão sendo ameaçados de remoção sem nenhum tipo de indenização. Segundo eles, nem ao menos o aluguel social foi oferecido às famílias, muitas delas nascidas e criadas no local. Muitos dos moradores já sofrem com problemas físicos e psicológicos. Entretanto, todos se mostraram inconformados com o tom da prefeitura e preparados para resistir. Um deles sofre de estrofia muscular nos membros inferiores e omeopatia e, além disso, tem uma enteada com sidrome de down. Ele protestou contra o autoritarismo da prefeitura.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vigília denuncia desmantelamento do Núcleo de Terras da Defesoria Pública do Rio


Por Patrick Granja


Nos dias 11 e 12 de maio, dezenas de vítimas das criminosas remoções de favelas levadas a cabo pela prefeitura participaram de uma vigília seguida de uma manifestação na porta da defensoria pública do Rio de Janeiro. Os manifestantes denunciam que, no dia 29 de abril, defensores do Núcleo de Terras e Habitação foram impedidos de entrar na defensoria, transferidos para outros municípios e os estagiários demitidos. Segundo os militantes, o núcleo foi desmobilizado, após mudanças na defensoria impostas pelo gerente Sérgio Cabral, como a substituição do defensor chefe. A mudança tornou precária o apoio jurídico a esses movimentos.

Um dos fundadores do Núcleo de Terras da defensoria, o procurador aposentado do estado do Rio e professor, Doutor Miguel Baldez, esteve na manifestação e criticou a ação dos gerenciamentos municipal e estadual. Manifestantes ainda mandaram um recado para os gerentes de turno ao citarem o texto "Os Dias da Comuna", de Bertold Brecht.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Bombeiros em greve exigem a libertação de liderança presa pela polícia



Patrick Granja



Há quase um mês em greve, bombeiros militares do Rio de Janeiro, a maioria deles guarda-vidas, fizeram uma manifestação na porta da Assembléia Legislativa no dia 16 de maio. A categoria reinvindica a abertura de negociação com o gerenciamento estadual para elevar o piso atual de 950 reais, considerado o pior do Brasil, para 2 mil reais. Apesar das catástrofes nos morros do Bumba e dos Prazeres, na Região Serrana, no início desse ano e em Angra dos Reis no início do ano passado, nas quais a categoria prestou seus serviços, o gerente Sérgio Cabral vem tratando a categoria com indiferença, negando-se a negociar.

Além do aumento do piso salarial, os bombeiros exigem a libertação imediata do capitão bombeiro Lauro Cesar Botto, preso arbitrariamente acusado de liderar o movimento. Outros quatro bombeiros estão com a prisão decretada mas negam-se a se apresentar a justiça. Contudo, a perseguição ao movimento só fez aumentar a adesão de mais bombeiros à greve, que já mobiliza 70% do efetivo no estado do Rio. Os manifestantes ainda saudaram o apoio do jornal A Nova Democracia a sua greve com uma salva de palmas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Família de floristas é atacada pelo choque de ordem na Praça Saens Pena

Por Patrick Granja.


Há duas semanas, o prefeito Eduardo Paes implementou o choque de ordem permanente na Tijuca. A medida inclui a presença ostensiva de guardas municipais no entorno da tradicional Praça Saen Pena, na zona norte da cidade. No dia 2 de maio, o quiosque da mais antiga floricultura de rua da Saens Pena foi atacado por agentes de repressão do velho Estado. Os filhos de dona Elzi, proprietaria do quiosque foram agredidos pelos guardas que tentavam roubar sua mercadoria. Segundo a GM, dona Elzi não teria apresentado a documentação necessária para expor suas flores do lado de fora do quiosque.

Como forma de protesto, os filhos de dona Elzi iniciaram um abaixo assinado para repudiar a violenta ação dos guardas municipais. Quando nossa equipe de reportagem esteve no local, o documento já possuia mais de mil assinaturas. As pessoas que quiserem assinar devem comparecer ao quiosque de dona Elzi, na ru Soares da Costa, esquina com a praça Saens Pena, ou entrar em contato com Débora, filha de dona Elzi (93578744 / deboramsoares@hotmail.com)



To buy the raw footage from the video above, please contact us by phone: (0xx21) 2256-6303, or by email: agenciadenoticiasand@gmail.com. Our videos are filmed by qualified professionals, well known in popular movements, from the slums to the universities. Help the democratic and popular press, help AND.
Para comprar as imagens não editadas do vídeo acima, entre em contato conosco pelo telefone (0xx21) 2256-6303 ou pelo email agenciadenoticiasand@gmail.com. Nossos vídeos são filmados por profissionais qualificados e notórios nos movimentos populares, das favelas às universidades. Apóie a imprensa democrática e popular. Apóie AND.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Moradores do Morro da Providência ameaçados de remoção pela Prefeitura

Por Patrick Granja.



O morro da providência, no Centro do Rio de Janeiro, é um dos mais antigos da cidade e depois do início da militarização moradores não estão tendo sossego. Além das denúncias de abusos por parte dos militares, a população do lendário morro da favella está sendo atacada pela prefeitura, que ameaça remover centenas de famílias do local. O motivo das remoções são inúmeros, entre eles, obras de maquiagem do projeto Morar Carioca e a existência de supostas áreas de risco.
O projeto Morar Carioca pode ser considerado uma das maiores obras de maquiagem já anunciadas pelos gerenciamentos municipais. Mesmo sem escolas, hospitais, moradias dignas e saneamento, moradores do morro da Providência estão sendo removidos para dar lugar a parques, praças, árvores e um teleférico.
Dona Sônia e sua família vivem a 42 anos na favela. Segundo a prefeitura, a construção de uma praça na localidade conhecida como 60, onde dona Sônia mora, prevê a remoção de sua casa, mas a aposentada e sua família não gostaram nada da idéia. Filho de dona Sônia, o cavaquinista Sidney Ferreira é deficiente visual e também está com a sua casa marcada para ser removida. A proposta da prefeitura para os moradores que estão ameaçados de remoção é uma casa em Cosmos, a 60 quilômetros do local, ou o famigerado aluguel social.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A paciência do povo está se esgotando

Luiz Carcerelli




Continua chovendo no Rio de Janeiro, e pobre daquele que seguir a orientação do prefeito Eduardo Paes e ficar em casa. Certamente terá seu dia de trabalho descontado ou, como este ano já choveu muito e faltar ao trabalho sempre com a mesma desculpa dá para desconfiar, perderá o emprego. Logicamente, se aqueles que, por total descaso não tomam providências para evitar o que todos sabem que acontece quando chove, faltarem ao trabalho, ninguém notará. Apenas com o passar do tempo uma sensação de alívio irá aumentando.

Mas a edição revista e ampliada de Sandra Cavalcante (parlamentar de extrema-direita, discípula de Carlos Lacerda, que teve seu auge político nos anos do gerenciamento militar), cuja ânsia de remover pobres e “melhorar a paisagem” para os visitantes estrangeiros supera a de sua mestra e muito, pede paciência ao povo e sugere, mais uma vez, que o povo fique em casa, sem decretar ponto facultativo. Já já recomeça o blá blá blá sobre áreas de risco e construções irregulares.

Forte chuva castiga o Rio e Janeiro

Por Patrick Granja


Imagens exclusivas mostram a enchente causada pela forte chuva que, agora a noite (25 de abril de 2011), castiga o Rio de Janeiro. As imagens foram gravadas próximo ao Maracanã. É possível ver a entrada do estádio nas imagens. Vários carros também aparecem sendo arrastados pela enchurrada que desce do parque nacional da Tijuca em direção a Praça da Bandeira. Um ônibus aparece nas imagens lotado e ilhado no meio de um rio esgoto e lixo carregados pelas águas.

(RJ) Moradores do Sambódromo ameaçados de remoção para obras de maquiagem na Sapucaí

Patrick Granja


Na manhã do dia 25 de abril, funcionários da prefeitura foram até a favela do Sambódromo, ao lado da Marquês de Sapucaí, para remover os moradores para um condomínio em Campo Grande. Descontentes, muitas famílias se negaram a sair. A maioria dos moradores reclama das péssimas condições de habitação dos apartamentos do projeto Minha Casa, Minha Vida, oferecidos pelos gerenciamentos de turno como forma de indenização. A remoção da favela do Sambódromo faz parte do projeto da prefeitura de revitalização e ampliação da Marquês de Sapucaí até o carnaval de 2012.

Dias antes, nossa equipe esteve na favela do Sambódromo para ouvir os moradores. Revoltados, muitos se mostraram dispostos a resistir. O objetivo das famílias seria permanecer no local, ou lutar por uma alternativa habitacional que não altere as suas rotinas.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Abandonados, desabrigados de Nova Friburgo denunciam desvio de verba e até de alimentos

Por Patrick Granja


No dia 14 de abril, nossa equipe de reportagem voltou a Nova Friburgo para registrar a trágica situação das pessoas que perderam suas casas nos deslizamentos causados pela trágica chuva do início do ano. Quatro meses depois, a maioria dos trabalhadores pobres que ficaram desabrigados continua morando em abrigos improvisados e sem perspectivas de um novo lar. As pessoas abrigadas no antigo posto de saúde Sasi, no bairro de Olaria, reclamam da falta de espaço, alimentos, condições sanitárias e até mesmo atendimento médico, apesar da existência de uma policlínica pública no mesmo local.
Segundo denúncias dos próprios desabrigados, verbas do aluguel social e até mesmo alimentos dos abrigos estariam sendo desviados. Além disso, nenhuma alternativa habitacional foi dada pelo Estado às pessoas atingidas e muita delas estão voltando para as suas casas nas áreas de risco.
No dia anterior, cerca de 400 pessoas participaram de uma manifestação no Centro de Nova Friburgo para cobrar do prefeito Dermeval Neto uma solução para a situação dos desabrigados.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vila Quaxime: Moradores de Madureira são expulsos de suas casas pela prefeitura do Rio


Patrick Granja




Na manhã do dia 13 de abril, moradores da Vila Quaxime, em Madureira, foram atacados pela prefeitura do Rio em mais uma ação de despejo na zona norte da cidade. Os moradores, alguns no local há 30 anos, resistiram à operação e se negaram a sair do local. Segundo eles, nada além do famigerado aluguel social foi oferecido pelos gerenciamentos de turno como indenização. A covarde ação da prefeitura é parte do projeto para a construção do corredor expresso de ônibus transcarioca, que ligará a Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, a Penha, na zona norte.

Depois de muita resistência e muitas intimidações dos agentes de repressão do Estado, os moradores aceitaram sair em troca dos cheques do aluguel social. A prefeitura garantiu aos moradores que só iria intervir nas casas depois que os cheques fossem entregues. Contudo, a mobília dos moradores foi retirada e até o fim da noite nada havia sido pago pelo prefeito Eduardo Paes. A maioria dos moradores disse que só saiu temendo as ameaças da Polícia Militar.

sábado, 9 de abril de 2011

Desabrigados de Niterói fazem protesto depois de um ano da tragédia e do descaso

Há um ano atrás, quase duzentas pessoas morreram depois que uma forte chuva provocou deslizamentos em mais de 40 favelas de Niterói e São Gonçalo. Para lembrar a data, centenas de desabrigados se reuniram no Centro de Niterói, onde realizaram uma manifestação cobrando do prefeito Jorge Roberto da Silveira as promessas feitas às famílias que perderam suas casas.

Um ano depois, a maioria dessas pessoas não recebeu nenhuma retaguarda do Estado e muitos continuam morando em abrigos ou na casa de parentes. As famílias mais desamparadas, sem opções, voltaram para as áreas de risco para não dormirem nas ruas. Até mesmo as famílias indenizadas com o aluguel social, estão há meses sem receber os cheques e muitas já foram despejadas.

Semanas antes, os desabrigados fizeram um protesto na porta da quadra da escola de samba viradouro, onde os cheque do aluguel social seriam destribuidos. A polícia atacou a massa violentamente, usando spray de pimenta e deixando mulheres, crianças e idosos feridos.

O protesto, no aniversário da tragédia, começou por volta das 15 horas e os manifestantes percorreram a Rua da Conceição, uma das vias mais movimentadas do Centro de Niterói, até a câmara de veradores. Vários carros do Batalhão de Choque da PM, além de um ônibus e outros cinco carros do 12º BPM trataram de intimidar a massa do início ao fim da maniestação. Um homem, idoso, foi preso e arrastado por PMs até a viatura como um animal, sob os gritos de protesto da combativa multidão.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Estudantes, professores e funcionários da educação protestam no Centro do Rio

Na última quinta-feira, dia 31 de março, cerca de dez mil estudantes, professores e funcionários da educação fizeram uma manifestação no Centro do Rio de Janeiro para reivindicar educação pública gratuita e de qualidade. A passeata percorreu a avenida Rio Branco e entre as bandeiras do movimento estavam o passe-livre para estudantes universitários, reajuste salarial para professores e funcionários da educação, fim da intervenção do Estado nos Grêmios Estudantis e o pagamento dos dois meses de salários atrasados para os professores da rede federal.
O ato também celebrou o Dia Nacional do Estudante. Comemorado anualmente no dia 28 de março, a data faz referência ao assassinato do estudante Edson Luiz, em 1968. O jovem foi morto por tropas do exército no restaurante estudantil Calabouço, durante um protesto por melhores condições de alimentação para os estudantes. Semanas depois foi decretado o Ato Institucional número 5, inaugurando os anos mais tenebrosos do regime militar fascista. Na missa de sétimo dia do estudante, milhares de pessoas se reuniram para protestar. A cavalaria do exército atacou a massa. Vários estudantes foram presos e muitos outros ficaram feridos.
A passeata da última quinta-feira foi acompanhada pela equipe de reportagem e o comitê de apoio ao AND, que distribuiram jornais e registraram a manifestação. Na próxima edição, confira matéria exclusiva sobre o Dia Nacional do Estudante e dessa passeata.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Blogueiro que denunciava crimes do Estado sofre atentado no Rio

Patrick Granja




Na manhã do dia 23 de março, o blogueiro e advogado Ricardo Gama, de 40 anos, foi baleado com três tiros em uma travessa do bairro de Copacabana. Dois tiros acertaram o rosto de Ricardo e um, o peito. Ricardo foi socorrido por moradores do bairro e lavado para o Hospital Copa D’or.

Ricardo Gama tornou-se conhecido no Rio de Janeiro por seu blog na internet, onde denuncia os crimes do Estado contra o povo, em especial o choque de ordem do prefeito Eduardo Paes, encarregado de roubar camelôs, prender moradores de rua e demolir casas e estabelecimentos comerciais em favelas e bairros pobres. Através de seu portal, Ricardo Gama denunciava também os crimes do gerenciamento estadual, como a corrupção na secretaria estadual de cultura e nas polícias militar e civil e, até mesmo, um vídeo exclusivo onde o jovem Leandro dos Santos de Paula, de 18 anos, morador da favela de Manguinhos, zona norte do Rio, aparece sendo chamado de otário pelo gerente estadual Sérgio Cabral, na companhia de Luiz Inácio. Antes de ser insultado por Cabral, o rapaz reivindicava melhorias na favela, como a construção de centros esportivos e a abertura para a população de um centro de lazer, construído meses antes pelos gerenciamentos de turno.

Depois de passar por duas cirurgias, o quadro de saúde de Ricardo, segundo a direção do hospital, é estável e no final de março, o advogado já caminhava pelos corredores da UTI neurológica.

Segundo testemunhas, os tiros foram disparados por um homem em um carro, que chegou a chamar Ricardo pelo nome antes de atirar contra o blogueiro. Além disso, segundo as pessoas que o socorreram, Ricardo chegou ao hospital ainda consciente e dizia, repetidas vezes, que o crime era “queima de arquivo”.

Resta saber qual das inúmeras denúncias de Ricardo incomodou os gerenciamentos de turno, profundamente preocupados com a repercussão mundial que suas atrocidades têm tido graças ao árduo trabalho da imprensa democrática e popular, que inclui portais na internet, jornais como AND e vários outros veículos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Protesto no Rio rechaça a presença de Obama no Brasil

No dia 18 de março, no Rio de Janeiro, cerca de 150 manifestantes protestaram contra a presença de Barack Obama no Brasil.

Representando os anseios antiimperialistas dos povos em luta em todo o mundo, os manifestantes dirigiram-se da Candelária, no centro do Rio até o consulado ianque, com palavras de ordem “Fora já daí, Obama do Brasil e Dilma do Haiti”, “Fora ianques da América Latina”, “Fora do Brasil, Obama genocida”, “Yankees, go home” (ianques, voltem para casa).

Durante o protesto em frente ao consulado ianque, do meio dos manifestantes foram arremessados coquetéis molotov (artefatos explosivos incendiários amplamente utilizados em protestos de massas em todo o mundo) contra o prédio do consulado. Um segurança do consulado foi ferido.

Durante todo o tempo, desde a concentração dos manifestantes, a Polícia Militar agiu com truculência, primeiramente exibindo ostensivamente escopetas e cassetetes com o intuito de intimidar os presentes no ato, proibindo que o carro de som circulasse junto aos manifestantes. Quando os manifestantes protestavam em frente ao consulado ianque, utilizaram contra eles bombas e dispararam com armas de fogo.

Após o protesto, a PM do Rio cercou um grupo de manifestantes, revistou-os e prendeu 13 pessoas, entre elas um menor. Na manhã desta segunda-feira, os manifestantes foram soltos. Várias entidades declararam seu repúdio à repressão ao protesto. Abaixo, AND reproduz, uma delas, do Centro Brasileiro de solidariedade aos Povos – Cebraspo.

O que as classes reacionárias serviçais do imperialismo, as forças de repressão e o monopólio das comunicações não puderam impedir foi que as festividades e o festival de servilismo preparado pelos gerenciamentos de turno fossem combativamente maculados pelos manifestantes, que com seu ato vigoroso registraram que Obama, representante do Estado e do exército mais assassinos do mundo, não é bem vindo em nosso país.

sexta-feira, 11 de março de 2011

UPP acaba com carnaval a tiros na Cidade de Deus, RJ

Moradores da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, denunciam que foram agredidos por policiais da UPP instalada no local durante uma festa de carnaval na madrugada de 9 de março.

Após uma briga entre duas pessoas, os policiais tentaram acabar com a festa. Diante da recusa dos moradores em encerrar a festa de carnaval, os policiais iniciaram as agressões com cassetetes, spray de pimenta e fizeram vários disparos.

A ação policial foi registrada pelo fotógrafo Toni Barros e, quando os policiais perceberam que estavam sendo filmados, tentaram tomar a câmera. Nas imagens é possível ouvir a resposta do fotógrafo: “Não vou dar não. Sou fotógrafo, jornalista, eu sou jornalista”. A câmera foi destruída, mas o cartão de memória que armazenava as imagens ficou intacto e, mais uma vez, todos puderam ver o que significa a política de “pacificação” nas favelas do Rio.

Enquanto os plantões do monopólio dos meios de comunicação falavam apenas de “folia” e adereços, nas favelas do Rio a rotina de repressão e criminalização da pobreza se manteve inalterada.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vídeo: Vila Harmonia é atacada pelas tropas da prefeitura do Rio de Janeiro

Patrick Granja


No dia 25 de fevereiro, a Vila Harmonia amanheceu cercada de caminhões de mudanças, retroescavadeiras e funcionários da Prefeitura do Rio, sob o comando do prefeito Eduardo Paes. Após algumas semanas de reassentamentos negociados nas comunidades do Campinho e do Metrô/Mangueira, a Prefeitura acionou todo seu lobby junto ao Tribunal de Justiça do Rio para atacar a Vila Harmonia.

Os funcionários da Subprefeitura da Barra da Tijuca chegaram, como sempre, com seu aparato de arrogância e seus capangas da Guarda Municipal, e deram logo início às diversas ameaças de que não deixariam pedra sobre pedra e de que derrubariam as casas com gente dentro, caso necessário.

Os Desembargadores do tribunal de Justiça do Rio, inebriados por algum canto maldito do Prefeito após suas reuniões com o Presidente do TJ, nada fizeram para proteger as famílias. Nenhum dos argumentos dos defesnsores públicos foi ouvido e nenhuma outra possibilidade de negociação é oferecida. A comunidade Vila Harmonia abriga famílias que residem há mais de cem anos na região do Recreio dos Bandeirantes. Chegaram lá, provavelmente como sobreviventes de famílias escravas, ainda no início do século XX e possuiam documentação que comprova isso.

Depois de meses de resistência e frente aos problemas de saúde de alguns trabalhadores e trabalhadoras por conta dos ataques da prefeitura, a Vila Harmonia aceitou sair. Contudo, os moradores prometem continuar engordando as fileiras daqueles que resistem aos desmandos desse gerenciamento fascista que já expulsou mais de 15 mil famílias de suas casas.