terça-feira, 21 de dezembro de 2010
O jornalismo veste a camisa
Por Sylvia Moretzsohn
Publicado no Observatório da Imprensa
Quando recebeu, no início de novembro, um prêmio de telejornalismo pelas entrevistas com os generais Leônidas Pires Gonçalves e Newton Cruz sobre os bastidores da ditadura no Brasil, Geneton Moraes Neto escreveu uma "pequena carta aos que gastam sola de sapato fazendo jornalismo" em que afirmava: "Fazer jornalismo é produzir memória". E concluía com a seguinte definição:
"Fazer jornalismo é desconfiar, sempre, sempre e sempre. A lição de um editor inglês vale para todos: toda vez que estiver ouvindo um personagem – seja ele um delegado de polícia, um praticante de ioga ou um astro da música – pergunte sempre a si mesmo, intimamente: por que será que estes bastardos estão mentindo para mim?"
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Dilma quer espalhar terror fascista pelo país inteiro
A gerente recém-eleita, empolgada com a operação no Complexo do Alemão, afirmou que tudo foi apenas um laboratório e que a “experiência” deve ser ampliada. Colocar a Marinha para patrulhar a Bahia de Guanabara, comprar aviões de configuração conhecida como COIN (contrainsurgência) para “patrulhar fronteiras”, usar as forças armadas para “livrar outras comunidades do tráfico”, foram alguns dos temas debatidos no conclave fascista que reuniu na segunda-feira, 29 de novembro, além de Roussef, o ex Libelú e futuro chefe da casa civil, Antônio Palocci, o governador e o vice do Rio.
Na avaliação do vice-governador, a convergência pela repressão é benéfica para as forças armadas, porque elas são criticadas por estarem “ajudando” no Haiti e não no Brasil. Sem dúvida, existem críticas à participação do Brasil na invasão ao Haiti, cujo único objetivo é liberar soldados ianques para atuarem no Iraque e no Afeganistão. Mas quase ninguém quer tornar o Brasil um novo Haiti.
Já Luiz Inácio, no apagar das luzes de sua gerência, afirma, ao estilo de seus chefes do norte, “(As Tropas) vão ficar o tempo que for necessário para garantirmos a paz”. Ou seja, ficarão por muito tempo, já que com o aprofundamento da crise e a falta de perspectivas oferecidas pelo oportunismo será inevitável o acirramento da revolta popular. Ai restará aos governantes tachar todos de traficantes.
Um fato merece ainda destaque, os blindados da Marinha voltaram a circular, agora com jornalistas do monopólio dos meios de comunicação, particularmente de sua facção hegemônica. Tudo para sentirem o clima da ação. É o “bonde da contrapropaganda”.
