Reproduzimos a nota do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos sobre as prisões dos manifestantes do dia 18 de março contra a presença de Barack Obama no Brasil.
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Nota de repúdio
A repressão pela Polícia Militar à manifestação realizada no Rio de Janeiro do dia 18/03/2011 contra a presença de Barack Obama no Brasil é a comprovação da submissão do Estado brasileiro e seus gerentes ao império norte americano.
Não bastasse a repressão no dia a dia contra o povo pobre da cidade e do campo, têm que mostrar serviço ao seu amo redobrando a repressão policial sobre quaisquer manifestações contra a presença do chefe do império.
O objetivo da presença de Obama no Brasil é renovar os acordos de submissão e saqueio das riquezas nacionais bem como de outros convênios de cooperação para o incremento da repressão dos povos no continente (ocupação do Haiti) e outras regiões de conflitos do mundo.
Não tem limites para as exigências feitas pelo império para a simples passagem da corte imperial por dois dias em duas cidades do país impondo o fechamento do espaço aéreo em regiões inteiras, paralisação de todas as atividades no seu itinerário e seu entorno, supressão do direito de ir e vir de milhares de cidadãos em seu próprio país.
Em correspondência, também não há limites para tanta vassalagem, bajulação e a forma vergonhosa com que as “autoridades” fazem questão de cumprir o exigido. Como verdadeiros sabujos correm de um lado para o outro num frenesi ridículo para atendê-los. Mais ridícula ainda é a decepção dos milhares que foram cortados, sem satisfação alguma, da lista de puxa-sacos oficiais para o encontro com o sr. Obama.
Repudiamos a presença do sr. Obama no país e repudiamos mais uma vez a repressão contra os manifestantes e exigimos a imediata libertação dos estudantes e demais manifestantes presos.
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Abaixo o servilismo ao império!
Pela soberania nacional!
Pelos direitos democráticos do povo!
Pela liberdade de manifestação!
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Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – Cebraspo
Rio de janeiro, 19 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Onu ordena banho de sangue na Líbia
No domingo novos ataques foram lançados, também sob a desculpa da “proteção dos civis”. Kadafi declarou um cessar fogo que não foi “aceito” por Obama, que ordenou a continuação dos ataques.
O porta-voz da Liga árabe ensaiou uma tímida crítica, a respeito de ‘exageros’ nos ataques, mas no mesmo dia foi enquadrado e desautorizado. Para os próximos dias países do Oriente médio devem participar da agressão, já que estão adiantados os preparativos de Omã e Jordânia para demonstrarem sua sabujisse.
A gerência semicolonial de kadafi promete armar o povo e diz estar preparada para uma longa guerra, o que de fato deve ocorrer, devido a que o regime tem uma relativamente grande base de massas disposta a defendê-lo.
Mais uma vez, o imperialismo não esconde seu intento de promover uma nova partilha do mundo e conjurar sua profunda crise, agravada pelos levantamentos na região do Magreb e do Oriente Médio, que fizeram subir o preço do petróleo, e ainda pelo terremoto no Japão e o acidente nuclear, que arruinou uma das maiores economias do mundo e fizeram desaparecer do dia para a noite, trilhões de dólares das bolsas de valores.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Camponesas celebram o 8 de março
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Com informações do Movimento Feminino Popular
Os Núcleos do Movimento Feminino Popular de Jaru, de Porto Velho e de Corumbiara - Rondônia – divulgam as atividades realizadas em celebração do 8 de março, dia internacional da mulher trabalhadora.
Contra a criminalização do aborto
Para celebrar a data, foram promovidas duas palestras na Universidade Federal de Rondônia - UNIR de Porto Velho contra a criminalização do aborto, nas quais participaram cerca de 140 estudantes de pedagogia, letras, ciências sociais, direito e outros cursos. a . Durante as palestras, foi exibido o documentário “Habeas corpus”. O documentário narra a história real de uma jovem de 19 anos que estava grávida, porém o bebê era portador de uma rara síndrome que o condenaria à morte logo após seu nascimento. A justiça permitiu o aborto que foi iniciado num hospital em Goiânia. Pouco tempo depois, os médicos interromperam o procedimento, devido a um habeas corpus redigido à mão por um padre.
Camponesas celebram o 8 de março
A Área Revolucionária Zé Bentão, antiga fazenda Santa Elina, em Corumbiara, retomada por camponeses em 2010, foi o palco escolhido pelo MFP para as celebrações deste ano. Bandeiras vermelhas do Movimento ornavam a área. Na entrada do barracão onde funciona a Assembleia Popular, uma faixa conclamava a “Despertar a fúria revolucionária da mulher”, ao lado das bandeiras da Palestina, do MFP, da Liga dos Camponeses Pobres e do Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina – Codevise.
O ato contou com a participação de dezenas de camponesas e camponeses. A camponesa Dina, viúva do dirigente camponês Zé Bentão, foi homenageada por sua participação ativa na Revolução Agrária e no MFP. Outra homenagem especial foi feita à camponesa Maria Helena, conhecida como Nega. Ela foi moradora da Área Revolucionária Zé Bentão e faleceu em novembro de 2010, aos 32 anos, vítima do descaso do Estado com a saúde pública. No pouco tempo que viveu na área, teve uma participação intensa, foi uma das coordenadoras da festa do corte Popular das terras. Maria Helena deixou esposo, um casal de filhos e a saudade entre familiares e amigos.
Após as homenagens, o ato foi encerrado com o canto da música “Aroeira” (Geraldo Vandré), apresentado pelas mulheres.
Ainda como parte da celebração do 8 de março, os núcleos do MFP de Corumbiara e Porto velho realizaram reuniões e atividades de formação, debateram os princípios do movimento e tarefas práticas com camponesas, estudantes e professoras da região. O MFP organizou panfletagens sobre a data em Corumbiara, Cerejeiras, Espigão D’Oeste, Jaru e Porto Velho. Em Corumbiara, duas militantes do Movimento Feminino Popular falaram em uma rádio local sobre o movimento e o 8 de março.
Com informações do Movimento Feminino Popular
Os Núcleos do Movimento Feminino Popular de Jaru, de Porto Velho e de Corumbiara - Rondônia – divulgam as atividades realizadas em celebração do 8 de março, dia internacional da mulher trabalhadora.
Contra a criminalização do aborto
Para celebrar a data, foram promovidas duas palestras na Universidade Federal de Rondônia - UNIR de Porto Velho contra a criminalização do aborto, nas quais participaram cerca de 140 estudantes de pedagogia, letras, ciências sociais, direito e outros cursos. a . Durante as palestras, foi exibido o documentário “Habeas corpus”. O documentário narra a história real de uma jovem de 19 anos que estava grávida, porém o bebê era portador de uma rara síndrome que o condenaria à morte logo após seu nascimento. A justiça permitiu o aborto que foi iniciado num hospital em Goiânia. Pouco tempo depois, os médicos interromperam o procedimento, devido a um habeas corpus redigido à mão por um padre.
Camponesas celebram o 8 de março
A Área Revolucionária Zé Bentão, antiga fazenda Santa Elina, em Corumbiara, retomada por camponeses em 2010, foi o palco escolhido pelo MFP para as celebrações deste ano. Bandeiras vermelhas do Movimento ornavam a área. Na entrada do barracão onde funciona a Assembleia Popular, uma faixa conclamava a “Despertar a fúria revolucionária da mulher”, ao lado das bandeiras da Palestina, do MFP, da Liga dos Camponeses Pobres e do Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina – Codevise.
O ato contou com a participação de dezenas de camponesas e camponeses. A camponesa Dina, viúva do dirigente camponês Zé Bentão, foi homenageada por sua participação ativa na Revolução Agrária e no MFP. Outra homenagem especial foi feita à camponesa Maria Helena, conhecida como Nega. Ela foi moradora da Área Revolucionária Zé Bentão e faleceu em novembro de 2010, aos 32 anos, vítima do descaso do Estado com a saúde pública. No pouco tempo que viveu na área, teve uma participação intensa, foi uma das coordenadoras da festa do corte Popular das terras. Maria Helena deixou esposo, um casal de filhos e a saudade entre familiares e amigos.
Após as homenagens, o ato foi encerrado com o canto da música “Aroeira” (Geraldo Vandré), apresentado pelas mulheres.
Ainda como parte da celebração do 8 de março, os núcleos do MFP de Corumbiara e Porto velho realizaram reuniões e atividades de formação, debateram os princípios do movimento e tarefas práticas com camponesas, estudantes e professoras da região. O MFP organizou panfletagens sobre a data em Corumbiara, Cerejeiras, Espigão D’Oeste, Jaru e Porto Velho. Em Corumbiara, duas militantes do Movimento Feminino Popular falaram em uma rádio local sobre o movimento e o 8 de março.
terça-feira, 15 de março de 2011
Monarquias reacionárias se unem contra revolta popular: tudo que seu mestre mandar...
Na sexta-feira, dia 11, o secretário de defesa ianque esteve no Bahrein reunido com altos funcionários barenitas. Hoje a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos invadem o Bahrein para sufocar a rebelião. Coincidência como esse é só o encontro do coelhinho da Páscoa com o Papai Noel em abril em um país muçulmano. O fato é que 1000 militares sauditas e 500 dos Emirados entraram em território barenita sob o alerta de Hilary Clinton para que tenham moderação, entenda-se não percam o Bahrein de forma alguma.
sexta-feira, 11 de março de 2011
UPP acaba com carnaval a tiros na Cidade de Deus, RJ
Moradores da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, denunciam que foram agredidos por policiais da UPP instalada no local durante uma festa de carnaval na madrugada de 9 de março.
Após uma briga entre duas pessoas, os policiais tentaram acabar com a festa. Diante da recusa dos moradores em encerrar a festa de carnaval, os policiais iniciaram as agressões com cassetetes, spray de pimenta e fizeram vários disparos.
A ação policial foi registrada pelo fotógrafo Toni Barros e, quando os policiais perceberam que estavam sendo filmados, tentaram tomar a câmera. Nas imagens é possível ouvir a resposta do fotógrafo: “Não vou dar não. Sou fotógrafo, jornalista, eu sou jornalista”. A câmera foi destruída, mas o cartão de memória que armazenava as imagens ficou intacto e, mais uma vez, todos puderam ver o que significa a política de “pacificação” nas favelas do Rio.
Enquanto os plantões do monopólio dos meios de comunicação falavam apenas de “folia” e adereços, nas favelas do Rio a rotina de repressão e criminalização da pobreza se manteve inalterada.
Após uma briga entre duas pessoas, os policiais tentaram acabar com a festa. Diante da recusa dos moradores em encerrar a festa de carnaval, os policiais iniciaram as agressões com cassetetes, spray de pimenta e fizeram vários disparos.
A ação policial foi registrada pelo fotógrafo Toni Barros e, quando os policiais perceberam que estavam sendo filmados, tentaram tomar a câmera. Nas imagens é possível ouvir a resposta do fotógrafo: “Não vou dar não. Sou fotógrafo, jornalista, eu sou jornalista”. A câmera foi destruída, mas o cartão de memória que armazenava as imagens ficou intacto e, mais uma vez, todos puderam ver o que significa a política de “pacificação” nas favelas do Rio.
Enquanto os plantões do monopólio dos meios de comunicação falavam apenas de “folia” e adereços, nas favelas do Rio a rotina de repressão e criminalização da pobreza se manteve inalterada.
quinta-feira, 10 de março de 2011
SP: Transportes caros e de péssima qualidade.
Cansada de lotar ônibus que demoram de três a quatro horas para levar o trabalhador de casa ao trabalho e pagar cada vês mais caro por isso (o último aumento foi de absurdos 17,4%) a população paulistana saiu às ruas em protesto. Por volta das 7:15 da manhã do dia 4 milhares de pessoas bloquearam a estrada M'Boi Mirim exigindo melhores condições de transporte. O protesto afetou 59 linhas de ônibus que trafegam no local e a prefeitura se viu obrigada a marcar uma reunião para “discutir o assunto”. Causou especial revolta o fato de muitos policiais presentes terem suas identificações escondidas.
Pesar pelo falecimento de Paulo Queiroz
Paulo Queiroz era membro do conselho editorial de A Nova Democracia e, desde Rondônia, colaborava com a luta pela imprensa democrática e popular.
Há três décadas o companheiro, paraibano de nascença, vivia e trabalhava em Rondônia. Colaborou com vários veículos de imprensa e foi justamente através da sua valente coluna Política em Três Tempos no Estadão do Norte que travamos conhecimento. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Rondônia, correspondente do Jornal do Brasil (RJ) na Amazônia, foi articulista político dos jornais O Guaporé, Diário da Amazônia, Estadão do Norte, entre outros. Colaborou também com o portal Tudo Rondônia e era o editor geral da página na internet Rondônia Sim.
Aqueles que encontravam as portas do monopólio da comunicação fechadas para os apelos populares, tinham em Paulo Queiroz um porta-voz militante. Dava voz aos camponeses, operários, estudantes, povos indígenas...
Aos 63 anos de idade, Paulo Queiroz não impunha limites para o seu trabalho. Faleceu na sede do Rondônia Sim. Seu corpo foi encontrado por parentes na tarde de ontem, dia 9 de março, e está sendo velado na sede da Reitoria da Unir desde 12 horas desta quinta-feira.
A Nova Democracia lamenta profundamente a perda do companheiro Paulo Queiroz. Em sua homenagem publicamos uma de suas colunas Política em Três Tempos.
Homenagem ao dia internacional da mulher trabalhadora
Vídeo produzido por A Nova Democracia em celebração ao 8 de março, o dia internacional da mulher trabalhadora.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Vídeo: Vila Harmonia é atacada pelas tropas da prefeitura do Rio de Janeiro
Patrick Granja
No dia 25 de fevereiro, a Vila Harmonia amanheceu cercada de caminhões de mudanças, retroescavadeiras e funcionários da Prefeitura do Rio, sob o comando do prefeito Eduardo Paes. Após algumas semanas de reassentamentos negociados nas comunidades do Campinho e do Metrô/Mangueira, a Prefeitura acionou todo seu lobby junto ao Tribunal de Justiça do Rio para atacar a Vila Harmonia.
Os funcionários da Subprefeitura da Barra da Tijuca chegaram, como sempre, com seu aparato de arrogância e seus capangas da Guarda Municipal, e deram logo início às diversas ameaças de que não deixariam pedra sobre pedra e de que derrubariam as casas com gente dentro, caso necessário.
Os Desembargadores do tribunal de Justiça do Rio, inebriados por algum canto maldito do Prefeito após suas reuniões com o Presidente do TJ, nada fizeram para proteger as famílias. Nenhum dos argumentos dos defesnsores públicos foi ouvido e nenhuma outra possibilidade de negociação é oferecida. A comunidade Vila Harmonia abriga famílias que residem há mais de cem anos na região do Recreio dos Bandeirantes. Chegaram lá, provavelmente como sobreviventes de famílias escravas, ainda no início do século XX e possuiam documentação que comprova isso.
Depois de meses de resistência e frente aos problemas de saúde de alguns trabalhadores e trabalhadoras por conta dos ataques da prefeitura, a Vila Harmonia aceitou sair. Contudo, os moradores prometem continuar engordando as fileiras daqueles que resistem aos desmandos desse gerenciamento fascista que já expulsou mais de 15 mil famílias de suas casas.
Muito além da UPP: a limpeza étnica em torno dos enclaves fortificados dos ricos
Há mais de dois anos da implantação da UPP (Unidade de Policia Pacificadora) no morro Santa Marta, Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. O que melhorou? Aqui apresento uma ótica de quem vive lá.
Já estamos em 2011, e ainda quase nada de melhoria coletiva chegou ao morro do Santa Marta. Sim, medidas paliativas sim, isso chegou e irá chegar sempre. Eu me refiro a mudanças revolucionárias, onde o povo poderá viver de forma igualitária, com mais saúde, moradia digna, alimentação de qualidade. Isso não chegou e vai além da UPP.
Falo além da UPP, porque me lembro de toda a midiática em prol da revolução chamada de UPP. Isso fez até os próprios policiais acreditarem que eles realmente são revolucionários. Certo dia eu conversei com um deles e ele mim afirmou que trouxe melhoria para a favela Santa Marta. Eu em seguida o perguntei se ele poderia fazer uma reforma na minha casa, pois estar com várias infiltrações. Ele ficou sem me responder.
Agora, eu quero tirar a UPP desse texto e falar sobre a nossa vida hoje no morro Santa Marta. O desafio que será para todos os moradores permanecerem neste território de negócios para a especulação imobiliária. Vejo um outro morro Santa Marta, onde moram estudantes de classe media, estrangeiros. Onde há disputa para alugar um barraco de dois metros quadrados pela quantia de R$ 350. Vejo bar se transformando em república, vejo bares tendo que se adaptar à tendência de ser empreendedor. Vejo as marcas excedentes de bebidas alcoólicas nesses bares, em troca de cadeiras e mesas. Vejo também muitos comércios agonizando para resistir à morte, demitindo funcionários e aumentando seus preços.
Cadê a melhoria que falaram tanto na TV Globo e nos outros meios de comunicação? A Globo viveu ineditamente 30 dias aqui no Santa Marta durante o dia para mostrar as melhorias. Mas nunca nos deu voz.
Agora, existe uma melhoria que eu também reconheço: diminuíram as armas nas mãos dos civis e hoje não ouvimos mais tiros a esmo. O número de mortes com armas letais reduziu. Isso é muito bacana e direito nosso, já que no Brasil não vivemos em uma guerra. Porém, sabemos quem bota essas armas nas mãos dos consumistas do tráfico. E não é morador de favela não.
Fiz uma pesquisa e constatei que para nós trabalhadores e moradores das favelas da Zona Sul, para sobreviver só com esses quatro itens: aluguel (R$ 350 mensais), café da manhã (R$ 3,50 por dia, total de R$ 105 em 30 dias), almoço (R$ 7 por dia, total de 210 em 30 dias), jantar (R$ 7 por dia, total de 210 em 30 dias) terá que desembolsar a quantia de: 875,00 reais. Vale lembrar que o salário mínimo é de R$ 530. Eu não incluo comprar leite, gás de cozinha, remédio, roupa, pagar conta de luz, TV a cabo etc.
Até a chegada das Olimpíadas, não sei se estaremos aqui no morro Santa Marta. Hoje, mais do que nunca, temos um custo de vida muito caro. A nossa conta de luz chega com valores aleatórios. No mês passado eu paguei R$ 50, sem ninguém ficar em casa, pois trabalhamos o dia todo fora. Nesse paguei R$ 45. Tenho conhecimento que alguns moradores estão pagando R$ 80, R$100. Cadê a tarifa social?
Sutilmente, estão “higienizando” a favela, sem que a totalidade dos moradores perceba. A mídia pulveriza a mente do trabalhador com o slogan de favela modelo e que temos que agradecer ao santo Sérgio Cabral governador do Rio de Janeiro. O Presidente Lula veio ao morro Santa Marta em setembro de 2010 e propagou que temos que esquecer o nome favela, pois esse já passou e é feio. Mas ninguém comenta a omissão com os moradores do pico do morro, pois lá não chegou absolutamente nada de urbanização. Toda essa transição beneficiou alguém: os enclaves fortificados dos ricos. Esses estão felizes da vida, com o aumento dos seus imóveis, de R$150 mil para R$ 300 mil e R$ 400 mil etc.
Hoje não podemos realizar o baile funk no morro, mas os blocos de fora do morro, fazem seus eventos aqui e rola mais do que um baile funk. A UPP também fazem suas festas, e não tem nenhum problema.
Faço uma convocação para todos os trabalhadores que querem residir nas favelas, principalmente da Zona Sul. Vamos nos organizar porque as remoções vão vir e toda nossa historia irá virar mais um livro para sociólogos e pesquisadores que não moram em favelas.
Rapper Fiell, coordenador do Coletivo de Hip-hop VISÃO DA FAVELA BRASIL, morador do morro Santa Marta.
www.visaodafavelabr.blogspot.com
fiellateamorte@gmail.com
021-7704-0912
Já estamos em 2011, e ainda quase nada de melhoria coletiva chegou ao morro do Santa Marta. Sim, medidas paliativas sim, isso chegou e irá chegar sempre. Eu me refiro a mudanças revolucionárias, onde o povo poderá viver de forma igualitária, com mais saúde, moradia digna, alimentação de qualidade. Isso não chegou e vai além da UPP.
Falo além da UPP, porque me lembro de toda a midiática em prol da revolução chamada de UPP. Isso fez até os próprios policiais acreditarem que eles realmente são revolucionários. Certo dia eu conversei com um deles e ele mim afirmou que trouxe melhoria para a favela Santa Marta. Eu em seguida o perguntei se ele poderia fazer uma reforma na minha casa, pois estar com várias infiltrações. Ele ficou sem me responder.
Agora, eu quero tirar a UPP desse texto e falar sobre a nossa vida hoje no morro Santa Marta. O desafio que será para todos os moradores permanecerem neste território de negócios para a especulação imobiliária. Vejo um outro morro Santa Marta, onde moram estudantes de classe media, estrangeiros. Onde há disputa para alugar um barraco de dois metros quadrados pela quantia de R$ 350. Vejo bar se transformando em república, vejo bares tendo que se adaptar à tendência de ser empreendedor. Vejo as marcas excedentes de bebidas alcoólicas nesses bares, em troca de cadeiras e mesas. Vejo também muitos comércios agonizando para resistir à morte, demitindo funcionários e aumentando seus preços.
Cadê a melhoria que falaram tanto na TV Globo e nos outros meios de comunicação? A Globo viveu ineditamente 30 dias aqui no Santa Marta durante o dia para mostrar as melhorias. Mas nunca nos deu voz.
Agora, existe uma melhoria que eu também reconheço: diminuíram as armas nas mãos dos civis e hoje não ouvimos mais tiros a esmo. O número de mortes com armas letais reduziu. Isso é muito bacana e direito nosso, já que no Brasil não vivemos em uma guerra. Porém, sabemos quem bota essas armas nas mãos dos consumistas do tráfico. E não é morador de favela não.
Fiz uma pesquisa e constatei que para nós trabalhadores e moradores das favelas da Zona Sul, para sobreviver só com esses quatro itens: aluguel (R$ 350 mensais), café da manhã (R$ 3,50 por dia, total de R$ 105 em 30 dias), almoço (R$ 7 por dia, total de 210 em 30 dias), jantar (R$ 7 por dia, total de 210 em 30 dias) terá que desembolsar a quantia de: 875,00 reais. Vale lembrar que o salário mínimo é de R$ 530. Eu não incluo comprar leite, gás de cozinha, remédio, roupa, pagar conta de luz, TV a cabo etc.
Até a chegada das Olimpíadas, não sei se estaremos aqui no morro Santa Marta. Hoje, mais do que nunca, temos um custo de vida muito caro. A nossa conta de luz chega com valores aleatórios. No mês passado eu paguei R$ 50, sem ninguém ficar em casa, pois trabalhamos o dia todo fora. Nesse paguei R$ 45. Tenho conhecimento que alguns moradores estão pagando R$ 80, R$100. Cadê a tarifa social?
Sutilmente, estão “higienizando” a favela, sem que a totalidade dos moradores perceba. A mídia pulveriza a mente do trabalhador com o slogan de favela modelo e que temos que agradecer ao santo Sérgio Cabral governador do Rio de Janeiro. O Presidente Lula veio ao morro Santa Marta em setembro de 2010 e propagou que temos que esquecer o nome favela, pois esse já passou e é feio. Mas ninguém comenta a omissão com os moradores do pico do morro, pois lá não chegou absolutamente nada de urbanização. Toda essa transição beneficiou alguém: os enclaves fortificados dos ricos. Esses estão felizes da vida, com o aumento dos seus imóveis, de R$150 mil para R$ 300 mil e R$ 400 mil etc.
Hoje não podemos realizar o baile funk no morro, mas os blocos de fora do morro, fazem seus eventos aqui e rola mais do que um baile funk. A UPP também fazem suas festas, e não tem nenhum problema.
Faço uma convocação para todos os trabalhadores que querem residir nas favelas, principalmente da Zona Sul. Vamos nos organizar porque as remoções vão vir e toda nossa historia irá virar mais um livro para sociólogos e pesquisadores que não moram em favelas.
Rapper Fiell, coordenador do Coletivo de Hip-hop VISÃO DA FAVELA BRASIL, morador do morro Santa Marta.
www.visaodafavelabr.blogspot.com
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021-7704-0912
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