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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mapuches chilenos completam 84 dias de greve de fome

Por Ana Lúcia Nunes

Quatro presos políticos mapuches completam hoje (6 de junho) 84 dias da greve de fome, iniciada no último 15 de março, como protesto ao julgamento parcial que receberam, à condição de preso político e a todos os vícios que envolvem o processo. Jonathan Huillical Méndez, Jose Huenuche Reimán e Ramón LLanquileo Pilquimánoram haviam sido condenados a vinte anos de prisão por uma tentativa de homicídio e o roubo a um agricultor, em 2008. Entidades de direitos humanos contestam a validada das provas e do julgamento dos mapuches.

Na última sexta-feira, 03 de junho, eles tiveram suas penas revistas pela justiça chilena. As penas foram rebaixadas para três anos, exceto a de Héctor Llaitul Carillanca, ex-dirigente da Coordenadora Arauco Malleco (movimento que organiza a luta mapuche no Chile), que foi sentenciado a quatro anos, mas antes deve cumprir outra condenação de cinco anos. O rebaixamento das penas é, sem dúvida, uma resposta às intensas manifestações que vem sendo realizadas no Chile e no exterior. Diversas organizações condenam a perseguição do Estado chileno aos mapuches. No Chile ainda vigoram leis antiterroristas da época do regime militar. No caso dos mapuches, foi usado o recurso de testemunhas sem rosto. Atualmente, há mais de cinquenta presos políticos mapuches no Chile e muitos mapuches passaram à clandestinidade para seguir com sua luta por autoderteminação.

Segundo o último informe médico, divulgado em 29 de maio, Héctor Llaitul Carrillanca, de 43 anos, perdeu 23 kg, e Jonathan Sady Huillical Méndez, de 23 anos, perdeu 21 kg. Os dois estão seriamente desnutridos. Jose Huenuche Reimán e Ramón LLanquileo Pilquimánoram estão hospitalizados e não há maiores informações sobre o estado de saúde deles. Veja a cobertura completa na próxima edição de AND.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Espanha: Manifestantes entram em confronto com aparatos repressivos em Barcelona

Por Rafael Gomes



Cerca de cem pessoas ficaram feridas no confronto ocorrido na Praça Catalunya,
centro de Barcelona, no dia 27 de maio, entre manifestantes e a tropa de choque da
polícia espanhola. O massivo protesto foi contra as medidas de austeridade da gerência
Zapatero e a alta taxa de desemprego no país.
O aparato repressivo do Estado espanhol agiu de forma truculenta quando os
manifestantes se recusaram a deixar a praça. Imagens divulgadas por canais de TV
mostram trabalhadores sendo agredidos de forma covarde por policiais, pessoas com
mãos e cabeças ensanguentadas. 37 policiais ficaram feridos.
O povo espanhol se mantém firme nos protestos que vêm ocorrendo praticamente todos
os dias há cerca de duas semanas. Além dos trabalhadores, a juventude também vai às
ruas. O índice de desemprego entre os jovens de 16 e 25 anos de idade é de 45%, quase
o dobro da média na União Europeia, que é de 21%.

terça-feira, 17 de maio de 2011

17 de maio: 31° aniversário da Guerra Popular no Peru

A Guerra Popular no Peru foi deflagrada em 17 de maio de 1980 durante as eleições gerais, no povoado de Chusqui, estado de Ayacucho. Após realizarem agitação e propaganda denunciando a farsa eleitoral, uma coluna de guerrilheiros dirigida pelo Partido Comunista do Peru (PCP) incendiou as urnas e se retirou. Com essa declaração pública de guerra ao velho Estado, o PCP elevou, desde os Andes, a bandeira da Guerra Popular e da defesa do marxismo-leninismo-maoísmo como mando e guia da nova onda da revolução proletária mundial.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tortura sai dos porões – sinal dos tempos

Luiz Carcerelli


Que o USA sempre usou, estimulou e ensinou a tortura não é novidade. O que não é exatamente novo, mas incomum, é assumi-la publicamente e justificá-la. É o que mostra uma matéria publicada hoje no Estado de São Paulo sob o título “Falcões voltam a defender uso de 'tortura'”. Abaixo reproduzimos alguns trechos.

"Os EUA não torturam", afirmou Obama, um dia após ser eleito, na cerimônia em que assinou a proibição do uso dos "métodos reforçados de interrogatório."

E mais abaixo,

"Claro que valiosas informações foram obtidas nesses tipos de interrogatório", disse Leon Panetta, diretor da CIA em entrevista à CBS, falando das “confissões” obtidas de prisioneiros brutalmente torturados de Guantânanamo e outras câmaras clandestinas ianques espalhadas pelo mundo. "Acho que a questão que todo mundo sempre debate é se esse procedimento deve ou não ser usado para extrair informações. Francamente, é uma questão em aberto."

Ideólogo da tortura no governo Bush e professor de Direito da Universidade da Califórnia, John Yoo voltou a justificar a prática, dizendo que ela foi "fundamental" para rastrear Bin Laden. "Obama pode levar o crédito, corretamente, pelo sucesso da operação. Mas isso foi graças às duras decisões tomadas pelo governo Bush", escreveu Yoo à revista National Review. "Os democratas criticaram Bush por ter excedido seus poderes e violado a Carta de Direitos."

Setores militares dos EUA igualmente defendem a tortura, mesmo que a prática ilegal poupe as vítimas de serem processadas. Foi o que aconteceu ao saudita Maad Al-Qahtani, suspeito de ter sido o 20º sequestrador dos aviões usados no 11 de Setembro, ao mauritano Mohamed Ould Salahi e a boa parte dos 170 prisioneiros de Guantánamo” (o grifo é nosso).

Sinal dos tempos


Sabedores de que a crise se aprofunda, de que os povos se levantam e que sua posição se torna cada vez mais insustentável, os imperialistas passam a divulgar essas práticas hediondas como senha para os gerenciamentos títeres espalhados pelo mundo, afinal, o que é bom para o USA é bom para a Índia, para a Colômbia, para o Peru, para a Síria e para Brasil...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

11 de abril de 1972: início dos combates da Guerrilha do Araguaia

Republicamos uma composição de Cadinho Faria e Toninho Camargo em homenagem à Guerrilha do Araguaia



Brotará o teu sorriso
Teu amor sincero
Essa terra que te guarda
Conservou teu sangue
Levantou teu nome
Nunca há de te esquecer

Ficará tua certeza
Teu caminho oculto
Tua fantasiaEsse sonho vai ligeiro
Rio de águas turvas
Livre pelo tempo
Até o mar se enfurecer



E esse dia, quando o dia?
Eu não vejo a hora de
Gritar a festa
E essa festa
Vai acontecer

O teu sonho, lindo sonho
Veja, ainda é hora de
Levar à frente
E pela frente
Muito que aprender

No Araguaia passa um rio
Rio onde plantaste tua liberdade
Camponês, homem da terra
Vingará teu sangue
Sonhará contigo
Nunca há de te esquecer


Leia o artigo publicado na nova edição (n° 76) do AND:
39 anos do início da Guerrilha do Araguaia - Osvaldão: o comandante negro do Araguaia

“Ajudando o povo líbio a se libertar”

Ao se iniciarem os ataques, o chanceler francês afirmou que o objetivo da operação seria “ajudar o povo líbio a se libertar”. A isso seguiram-se os “visar somente alvos militares” de praxe. E como para os imperialistas a vida dos povos dos países dominados não vale nada, nas trapalhadas também de praxe, em suas ações militares, atingiram seus aliados em solo líbio.

Enquanto isso é o povo quem paga a conta, agora com sangue, como se vê no vídeo abaixo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Londres: Violento protesto contra cortes no orçamento

Rafael Gomes




Em Londres, capital da Inglaterra, o sábado (26/3) foi marcado por um massivo e violento confronto entre manifestantes e os aparatos repressivos. Cerca de 250 mil pessoas ocuparam o centro da cidade na manifestação, que foi a maior dos últimos anos no país, contra o corte de US$ 130 bilhões em gastos públicos por parte da gerência do primeiro-ministro David Cameron.

Os manifestantes quebraram agências bancárias, fizeram pichações de protestos pelo centro de Londres, atiraram bombas, granadas de fumaça e lâmpadas cheias de amônia contra a tropa de choque da polícia. Alguns jovens conseguiram invadir uma agência do HSBC. Outros escalaram até o topo da loja de alimentos de luxo Fortnum & Mason e atearam fogo a materiais que estavam sendo usados no protesto na Oxford Street, a principal rua de comércio londrina.

O protesto terminou com 214 detidos e 66 pessoas feridas. Também durante o último fim de semana, a polícia britânica ficou em alerta devido às ameaças de protestos violentos durante o casamento do príncipe Willian, um dos parasitas da “família real”.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Chile e El Salvador: Manifestantes antiimperialistas vão às ruas contra Obama

Após sua passagem pelo Brasil, o chefe do imperialismo ianque Barack Obama visitou o Chile, no dia 21, e El Salvador, no dia 22, concluindo sua visita à América Latina.

Na segunda-feira, 21, centenas de chilenos entraram em confronto com a polícia a duas quadras do palácio La Moneda, na capital Santiago, e em diversas cidades do país. Pelo menos 15 manifestantes foram presos durante os protestos.

[nggallery id=24]Na tentativa de conter o repúdio popular à presença de Obama, os aparatos repressivos do Estado chileno usaram carros hidrantes e armaram forte esquema de segurança. A população sustentava a palavra de ordem “Fora ianques da América Latina!”.

Um dia antes, no domingo, uma bomba de ruído explodiu na sede do Instituto Chileno Norte-Americano de Cultura, horas antes da chegada do líder ianque.

Em El Salvador, no último dia de Obama em solo latino, terça-feira, 22, milhares também marcharam em protesto. As manifestações começaram antes mesmo da chegada do chefe ianque. 15 pessoas foram presas. Os manifestantes exigiram a saída de Obama e contestaram a política de imigração contra latinos que vivem no USA.

terça-feira, 22 de março de 2011

A BATALHA NÃO É PELA LÍBIA

A batalha não é pela Líbia
Como diz a grande mídia

A batalha não é pela Líbia
É sim por aqueles que decidem
O que temos que ver
Comer
Vestir
Adorar
A batalha é pela saúde
Da OTAN

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Greve geral e protestos na Grécia

Milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia nas massivas manifestações que explodiram em Atenas, capital da Grécia, nesta quarta-feira, contra o plano de austeridade econômica imposto pelo pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa manifestação, a primeira grande de 2011, ocorreu em apoio a greve geral de 24h convocada no país.

Os trabalhadores e a juventude grega em marcha até o parlamento atacaram, com coquetéis molotov, a tropa de choque que se manteve posicionada em frente ao ministério das Finanças, na praça central de Syntagma. Um policial ficou ferido após ser atingido por uma bomba incendiária. Segundo os organizadores da manifestação, 60.000 gregos foram às ruas em protesto.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Egito em festa

Após um turbilhão de manifestações que durou 18 dias, Hosni Mubarak renunciou ao cargo nesta sexta-feira, 11 de fevereiro, após um governo de quase 30 anos de corrupção, entreguismo e submissão ao imperialismo. Um governo que se sustentou oprimindo o povo egípcio com uma “lei de emergência” que durou todo este tempo.

Na véspera, tentou ainda uma última manobra, transferir poder ao vice, que for indicado por ele. Tal atitude aumentou a revolta popular e hoje pela manhã o exército prometeu reformas democráticas se o povo se retirasse das ruas. Nada disso surtiu efeito, as massas egípcias mostraram sua firme determinação de por fim, de uma vez por todas a quase 30 anos de opressão.

O anúncio da renúncia foi feito pelo recém-nomeado vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, em um curto pronunciamento na TV estatal. "O presidente Mohammed Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de presidente da república e encarregou o Alto Conselho Militar de cuidar das questões de Estado", disse Suleiman.

Os enfrentamentos dos últimos dias deixaram mais de 300 mortos e 5.000 feridos. Eles começaram em 25 de janeiro, inspirados pela queda do presidente da Tunísia, avolumando assim a onda que lava o Magerb e o Oriente Médio. O sangue destes mártires abre o caminho para transformações que possibilitaram que o povo da região se organize para conseguir mudanças ainda mais profundas.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Levante popular no Sudão

Seguindo o exemplo dos outros países do Norte da África, a população do Sudão também se levanta em massivos e combativos protestos. Nesse país, o regime fascista de Omar Hassan al Bashir está usando de todos os métodos de terror para tentar conter a fúria popular.

Durante vários dias, as manifestações aconteceram em diversas partes do país, com grande participação do movimento estudantil. Universidades foram cercadas pelas forças policiais na tentativa de impedir as manifestações. No fim de janeiro, um estudante foi morto durante os confrontos.

Na quinta-feira, dia 3 de fevereiro, o exército reacionário sudanês prendeu um grupo de jornalistas do Partido Comunista do Sudão que contestam o regime. Dez jornalistas do jornal Al Midan (órgão do Partido Comunista) e um membro do comitê central, Hassan Gattan, foram detidos. O grupo é acusado de ser um dos principais agitadores das manifestações contra Hassan.

O presidente Omar Hassan al Bashir tem um mandado emitido pelo Tribunal Penal Internacional que pede a sua imediata prisão. Ele é acusado pelo genocídio de mais de 400 mil sudaneses e de expulsar mais de 2 milhões de pessoas de suas casas em Darfur.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Onda de protestos chega a Jordânia

Com os massivos levantes populares que vêm sacudindo a Tunísia, o Egito e a Argélia, a onda de protestos chegou a Jordânia, país localizado no Oriente Médio.
Após vários dias de manifestações, nesta terça-feira, 1º de fevereiro, o rei Abdullah 2º se viu obrigado a destituir todo o seu governo, inclusive seu primeiro-ministro Samir Rifai.
A pobreza e a corrupção desenfreada foram os principais motivos dos protestos, que tiveram seu estopim com o anúncio do aumento dos preços dos produtos alimentícios e combustíveis. Nas ruas de todo o país, milhares de jordanianos carregavam faixas com os dizeres “O nosso governo é uma cambada de ladrões!” e “Não à pobreza e à fome!”. A população também exige a renúncia do rei Abdullah.
As manifestações na Jordânia estão sendo influenciadas pelos protestos que vêm estremecendo o Norte da África onde, diariamente, e apesar da repressão, milhões de pessoas vão às ruas desafiar o velho regime, contra a fome, a miséria, a corrupção e a exploração.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Palestinos protestam contra conciliação

Rafael Gomes




Milhares de palestinos realizaram um protesto nesta quarta-feira, 26, na Faixa de Gaza e no campo de refugiados de Khan Yunis, contra o presidente da conciliadora Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

O motivo do protesto foi uma reportagem exibida pela emissora de televisão Al-Jazeera, do Catar, mostrando documentos diplomáticos do USA vazados na internet, divulgados pelo site WikiLeaks, sobre as negociações entre os árabes e os israelenses. Nos documentos, Mahmoud Abbas demonstra estar disposto a fazer generosas concessões ao Estado sionista Israel e dar informações sobre o destino de milhões de palestinos refugiados.

O Hamas, organização que lidera a resistência palestina, acusou Abbas de vender os direitos dos palestinos. Durante as manifestações, foram exibidas fotografias de Abbas e de negociadores palestinos da “Autoridade”, ao lado de bandeiras de Israel. Enfurecida, a população gritava "vão para casa, traidores!".

Dois dias antes, 24/1, um grupo de manifestantes palestinos invadiram um escritório da emissora Al-Jazeera, na cidade de Ramala, na Cisjordânia. O “negociador-chefe” palestino, Saeb Erekat, disse que teme ser executado pelo vazamento de documentos secretos que dizem respeito às conciliações com Israel.

Mais um crime sionista

Sionistas residentes da colônia israelense de Yitzhar, Norte da Cisjordânia ocupada, dispararam e mataram nesta quinta-feira, 27 de janeiro, um palestino de 19 anos. O jovem foi transferido para um hospital de Nablus, onde os médicos certificaram sua morte.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Dia de ira" no Egito

Centenas de egípcios foram às ruas da capital Cairo, nesta terça-feira, 25/1, em manifestação contra o governo de Hosni Mubarak. O protesto, inspirado nas rebeliões populares que ocorrem na Tunísia, foi apelidado pelos manifestantes de "Dia da Ira".

Nos confrontos, a polícia egípcia utilizou canhões d'água contra a população, que respondeu com pedras. O estado de alerta foi decretado em diversos pontos de Cairo e em outras áreas do Egito, para evitar que os protestos se propagassem. O Estado fascista do Egito, amedrontado com as rebeliões populares que acontecem nos países vizinhos, teme que as manifestações ganhem apoio popular e tomem maiores dimensões.

Os protestos que ocorreram hoje no Egito se somam aos massivos levantes que há semanas vêm ocorrendo na Tunísia e na Argélia, fazendo estremecer o Norte da África.

Tunísia: População desafia toque de recolher e protestos continuam




Rafael Gomes





Nesta segunda-feira, 24/1, milhares de manifestantes desafiaram o toque de recolher imposto pelo velho Estado tunisiano devido aos massivos e violentos protestos que se iniciaram no país há mais de um mês, quando a juventude iniciou combativos protestos contra os altos índices de desemprego e o aumento de produtos básicos. Desde então, as manifestações rapidamente obtiveram largo apoio popular e adquiriram uma conotação política [ver postagem do dia 13 de janeiro, Rebelião Popular na Tunísia].

Em desesperados pedidos de calma à população, a gerência fascista de Ben Ali se viu obrigada a ordenar o fechamento de escolas e universidades e escolas, e a mandar, cotidianamente, o exército às ruas para conter a fúria popular. Mais de 70 manifestantes já morreram em confrontos com a polícia.

Todas as medidas fascistas tomadas contra a população pelo regime não foram suficientes, e Ben Ali foi obrigado a deixar a Tunísia no dia 14 de janeiro, passando o controle do país para o exército e o comando interino do governo para o primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi.

Na segunda-feira da semana passada, 17 de janeiro, o comando interino tunisiano convocou a formação de um governo para funcionar durante o período transitório até as próximas eleições, convocadas para dentro de seis meses.

Na noite de ontem, a população se manteve concentrada diante do Palácio de Governo, na capital Tunís, exigindo a saída de todos os ministros do regime anterior que permanecem no atual Executivo de transição.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rebelião popular na Tunísia

Rafael Gomes


[nggallery id=8]

Depois de vários dias de violentos confrontos entre manifestantes e as forças de repressão na Argélia, também na Tunísia, país localizado no Norte da África, a população vai às ruas contra a corrupção, o aumento abusivo de produtos básicos e o desemprego.

Na madrugada de quarta para quinta-feira, 13/1, ao menos oito manifestantes morreram em violentos confrontos com a polícia na capital Tunís. Três dias antes, no dia 10/1, no mais violento protesto dos que se arrastam há quase um mês, 14 manifestantes morreram. Nesse dia, os protestos começaram no funeral das vítimas da violência em manifestações ocorridas na véspera.

Também nas cidades suburbanas de Ettadhamen e Intikaka, a 15 quilômetros de Tunís, foram registados confrontos violentos. Apesar do toque de recolher decretado pelo governo de Zine Al Abidine, a população da Tunísia continua firme em sua luta e, em cada vez mais massivos levantes, enfrenta as forças policiais do Estado fascista tunisino.

Ao todo, durante o mês de protestos, 66 mortes já foram registradas. Os levantes contra o desemprego e a corrupção na Tunísia tiveram início depois que se espalhou a notícia de que o jovem Mohammed Bouazidi Samir teria se suicidado. Samir, que tinha diploma universitário, não encontrava trabalho e vendia legumes e frutas pelas ruas de Sidi Bouzaine, sem licença para tal. A polícia confiscou a mercadoria e, no dia 17/12, Samir ateou fogo a si próprio. No país, em um curtoperíodo de tempo, suicídios semelhantes já foram feitos por cinco jovens.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Declaração do Comitê Central do Partido Comunista da Índia (maoista


Comitê Central do Partido Comunista da Índia (maoista)


Comunicado à imprensa


24 de dezembro de 2010


Servir ao povo não é conspirar!

Apoiar a luta do povo nunca pode ser sedição!!

Os caloteiros que acumulam fortunas de bilhões de rúpias são os autênticos conspiradores!!

Os gângsters que estão vendendo nosso país aos imperialistas são os autênticos traidores!!

Participar dos protestos organizados de 2 a 8 de janeiro de 2011 contra as sentenças do tribunal do governo fascista de Chhattisgarh que condenaram o ativista pro-direitos civis Dr. Binayak Sen, o dirigente maoísta Narayana Sanyal e o comerciante Piyush Guha a prisão perpétua, acusados de sedição, e o redator de imprensa Asit Sengupta a oito anos de cárcere!

Em 24 de dezembro o tribunal do distrito de Raipur condenou a prisão perpétua o ativista pro-direitos civis, Dr Binayak sem, o membro do Birô Político de nosso Partido, camarada Narayan Sanyal e o comerciante Piush Guha, aplicando do Código Penal indiano, a Lei Especial de Ordem Pública de Chhattisgrarh e a Lei para Prevenção de Atividades Ilegais (IPC, CSPCA e UAPA, respectivamente em suas siglas em inglês), implicando-lhes em causas falsas. As prisões perpétuas foram ditadas por B.P. Verna em aplicação das seções 124 do IPC (sedição) e 120B (conspiração). As condenações foram ditadas também pela aplicação de diversas seções da CSPCA e UAPA. O encarceramento de oito anos imposto a Asit Sengupta foi ditado no mesmo dia por O.P. Gupta. Ambos juízos são os últimos aportes ao enorme arsenal de medidas repressivas, antipopulares e fascistas das classes dominantes indianas.

Condenar a prisão perpétua o membro do Birô Político de nosso Partido, camarada Narayan Sanual, a Binayak Sen, médico que dedicou sua vida, como médico, a servir desinteressadamente ao povo pobre, além do proeminente ativista pró-direitos civis e vice-presidente da União Popular pelas Liberdades Civís (PUCL, sigla em inglês) e a Piyush Guha, comerciante de Kolkata, é o mais vergonhoso que podiam fazer estes governantes por muito que alardeiem que esta é a maior democracia do mundo. Opor-se às políticas repressivas do governo, aos fascistas Salwa Judum (paramilitares organizados pelas classes dominantes indianas), levantar a voz em defesa da revogação da sinistra CSPSA e apoiar as justas iniciativas do povo são “os delitos” cometidos pelo Dr. Binayak Sen em virtude dos quais foi castigado com a prisão perpétua. Quando foi detido em maio de 2007 e encarcerado durante dois anos, se organizaram imensos protestos e fizeram públicas duras condenações por parte de setores democráticos, a comunidade médica, ganhadores do Prêmio Nobel e muitas outras pessoas da Índia e do exterior. Pronunciar esta sentença, que passa por cima de tudo isto, só pode significar que os fascistas que governam carecem de escrúpulos ou de vergonha ao lançar uma ameaça a todos os setores democráticos, progressistas e patrióticos de nosso país. Se responder positivamente às demandas do povo, de maneira legal e democrática, se servir ao povo sinceramente e criticar as políticas antipopulares do governo é “sedição”, então alguém não pode imaginar que tipo de “democracia” se pratica neste país e quanto perigosa é para o povo.

A condenação a oito anos de cárcere ditada contra Asit Sengupta, redator da versão em hindi de “Um Mundo a Ganhar”, que é publicado em várias línguas de todo o mundo, que se consome no cárcere há três anos sob a falsa acusação de participação em atividades maoístas, não é mais que asfixiar a liberdade de imprensa. Recentemente, os bandidos Raman Singh, Primeiro Ministro de Chhattisgarh, Viswaranjan, Diretor Geral de Polícia, Longkumer, Inspetor Geral de Bastar, e Kalluri, Superintendente de Polícia de Dantewada, publicaram folhetos com o nome “Maa Danteswari Adivasi Swabhimani Manch” e declararam abertamente que matariam os jornalistas SRK Pllai, Anil Sharma e Yaswat Rai junto com os democratas Himanshu Kumar e Arundhati Roy, E tiveram o atrevimento de declarar que, de fato, é obra sua.

Este é o “Estado de direito” com que nos esmagam dia após dia nossos governantes!

O Camarada Narayan Sanyal, um veterano comunista de 73 anos, que começou sua vida revolucionária em 1968 e dedicou mais de quatro decênios de sua vida a libertação dos oprimidos, está enfermo, com vários problemas de saúde e se consome nos tenebrosos calabouços do governo fascista de Chhattisgarh já há cinco anos. O bando terrorista de Sonia-Manmohan-Chidambaran-Raman Sigh assassina dirigentes maoístas em falsos enfrentamentos e condena muitos deles a duríssimos castigos em aplicação de leis sinistras. Estão submetidos a tortura física e psicológica nas condições inumanas que imperam no cárcere.

Em julho de 2010, o militante de nosso Partido, camarada Malati Santi Priya e o operário Surenda Kosaria foram condenados a dez anos de cárcere, acusados de enviar cds de propaganda maoísta a membros da Assembleia Legislativa. A sentença se baseou nas declarações de testemunhas falsas. Amitabh Bagchi, membro do Birô Político de nosso Partido, e o camarada Kartik, membro do comitê estadual de Bengala Ocidental, encarcerados na prisão Ranchi, também foram condenados a prisão perpétua em um julgamento rápido em Panduranga Rddy, e outras três pessoas a uma pena de quatro anos de cárcere pelo caso Alipiri (atentado contra o ex-Primeiro Ministro Candrababu), baseando-se em declarações de falsas testemunhas. Muitos outros militantes revolucionários e gente do povo pobre estão sendo condenados a penas duríssimas, incluindo-se a pena de morte pelos tribunais reacionários a serviço das classes dominantes e exploradoras. Os camaradas Sushil Roy e Kobad Gandhi, veteranos dirigentes, padecem por diversos problemas de saúde e dos próprios derivados de sua idade, aos camaradas Shobha, Patitpavam Haldar, Pramod Mishra, Vijay, Asoutsh, Balaraj, Chitan, Biman, Bidhan, Chandi Sarkar, Balganesh e Jeetan Marandi de Abhen Jharkhand e a milhares de outros camaradas é negada a possibilidade de liberdade sob fiança ao implicar-lhes, uma atrás da outra, em acusações falsas os obrigando a consumir-se nos cárceres durante anos e anos. Em Bengala Ocidental, ao camarada Swapan Das, preso sob o amparo da UAPA, foi negada a assistência médica na prisão, convertendo-o no primeiro mártir desta lei draconiana.

O governo da Aliança Progressista Unida (UPA, sigla em inglês), decidiu vender nossos recursos naturais e humanos ao imperialismo como Vedanta e a burguesia compradora como Tata, Essar, Jindal, Mittal, etc., declarou que o PCI (maoísta) é a maior ameaça à segurança interna, por haver enveredado em um caminho de oferecer uma tenaz resistência a esta pilhagem ilimitada. Como parte deste processo de saque, o governo difunde uma propaganda repugnante e mal intencionada, graças a sua máquina propagandística. Desde agosto de 2009, em nome da Operação Caçada Verde, os governos da União e estaduais recorrem a ataques brutais contra o movimento revolucionário, em especial estão massacrando os adivasis ao lançar milhões de policiais e paramilitares em Chhattisgarh, Orisha, Bihar, Jharkland, Andra Pradesh, Bengala Ocidental e outros estados. Esta ofensiva é levada a cabo sob a direção e pleno apoio dos imperialistas, especialmente os imperialistas ianques. Os governantes exploradores empregam todos os meios a seu alcance para apresentar o nosso Partido (que luta com o nobre objetivo de estabelecer um governo popular das classes democráticas, baseando-se na unidade dos operários e camponeses, uma vez derrotados os imperialistas, a burguesia compradora burocrática e as classes feudais) como “terrorista” e “traidor”. Por que não se ficham sob a acusação de SEDIÇÃO os ministros, os dirigentes políticos e grandes burgueses e seus agentes da bolsa, os autênticos traidores que estão acumulando milhões de rúpias em fraudes e colocando-os em bancos suíços, a todos esses que sem a menor vergonha passeiam pelos cenários do poder? Por que não se chama de CONSPIRADORES a todos esses criminosos que perpetraram e fizeram possível a tragédia do escapamento de gaz de Bhopal? Como pode ser SEDIÇÃO lutar denodadamente pela libertação das massas trabalhadoras? Como se pode chamar de CONSPIRADORES aos democratas que alçaram sua voz e sua pena em apoio aos movimentos populares?

Estas sentenças são apenas uma parte da mais ampla conspiração das classes dirigentes para eliminar todo tipo de barreiras políticas econômicas neoliberais, antipopulares, antipatrióticas e imorais. É um sinal de alarme que indica que a repressão fascista se intensificará ainda mais no futuro próximo. Estes juízos são uma revelação para todos aqueles que creem e quem se engana inocentemente que existe todavia alguma aparência de democracia neste país. Ainda em suas declarações explícitas o bando governante afirma que o movimento maoísta é seu objetivo principal, o que está sucedendo na realidade é um violento ataque fascista às forças progressistas e democráticas que desejam o bem estar do povo e aspiram proteger os interesses do nosso país frente aos imperialistas. Nosso Partido chama o povo a levantar-se unido contra esta ofensiva, para derrotá-la em resoluta luta.

Os governos compradores recorrem à eliminação dos movimentos populares e das lutas de libertação nacional mediante o emprego de leis sinistras como a UAPA, a CSPCA, a Lei de Poderes Especiais das Forças Armadas (AFSPA – sigla em inglês) seguindo os passos do governo ianque que promulgou leis sinistras como a Lei de Segurança Nacional (Homeland Security Act – em inglês). O sistema legal reacionário que nunca tomou o desconforto de perseguir ou condenar aos terroristas de extrema direita que assassinaram muitos inocentes nos atentados à bomba da mesquita A Meca de Hyderabed, Malegaon e Ajmer Sarif ou a todos os escroques e gânsters políticos implicados em fraudes como o 2G Espectrum (pelo valor de 10,76 milhões de rúpias), os jogos da Commonwealth, a Sociedade Imobiliária Adarsh, as terras de Karnataka e dezenas e dezenas de fraudes mais, condena com veemência os revolucionários, os dirigentes populares, os democratas e militantes do movimento de libertação da Caxemira e do Nordeste.

O Comitê Central do PCI (Maoísta) faz um chamamento a todas as forças democráticas e patrióticas, aos militantes das lutas de libertação nacional e a todos os ativistas pró-direitos civis, organizações, estudantes, intelectuais, professores, escritores, artistas, doutores, advogados, amigos dos meios de imprensa, operários e camponeses para que saiam às ruas para condenar e opor-se a estas sentenças ditadas em virtude do sistema legal reacionário pelo conluio do governo da UPA, da União e do governo do Bharatiya Janata Party (Partido do Povo Indiano- BJP- sigla em inglês) de Chhattisgarh. Chamamos a todos a organizar protestos unidos e militantes exigindo a revogação imediata da UAPA, da CSPCA, da MOCCA e da AFSPA. Fazemos um chamamento a todas as organizações, coletivos e pessoas progressistas, democratas e revolucionários de distintos países para que condenem com dureza este ato criminal das classes dirigentes indianas e expressem seu veemente protesto através dos diversos meios democráticos de luta. No passado a comunidade internacional se alçou com toda sua poderosa solidariedade do lado dos movimentos populares indianos, condenou a detenção de Binayak Sen – e exigiu sua libertação imediata. Agora chegou o momento de desempenhar este papel com maior firmeza.

Nosso Partido chama o povo a protestar contra estas condenações e de norte a sul, de leste a oeste de todo o país durante a semana de 2 à 8 de janeiro, participando criativamente em diversas atividades de rechaço como entrevistas coletivas, declarações dharnas (sentadas em hindi), rasta rokos (bloqueios de rodovias em hindi), encontros, reuniões de protesto, passeatas, campanhas de recolhimento de assinaturas, vestindo roupas com insígnias negras, desfraldando bandeiras negras, queimando efígies etc. E tomar parte nas batalhas legais de condenação inequívoca das políticas antipopulares, traidoras e fascistas das classes dirigentes.

Nosso Partido faz um chamamento a todos os membros de nossas fileiras, às forças do EGPL e às organizações de massas revolucionárias para que adotem diversas formas de protestos nesta ocasião mediante mobilização de amplas massas.

Nosso Comitê Central deixa bem claro que não há um chamamento ao bandh (greve) como parte desta semana de protestos e solicita ao povo e aos meios que não caiam na propaganda deliberada da polícia que pretendia fazer passar estes protestos como um chamamento ao bandh.

(Abhay) porta-voz,

Comitê Central do PCI (Maoista).