quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sem-terra é morto a tiros em Alagoas

SÍLVIA FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO


Um coordenador da LCP (Liga dos Camponeses Pobres) em Alagoas foi morto a tiros na tarde de ontem em um acampamento de sem-terra no município de Messias (38 km de Maceió).


Elias Francisco Santos da Silva, 31, foi atingido por disparos vindos de uma mata próxima ao local, segundo integrantes do movimento. Ele morreu no local. O agricultor deixou mulher e seis filhos.


A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a morte. Ninguém foi preso até o início da tarde desta quinta-feira (9).


Cerca de 80 famílias ligadas à LCP estão acampadas no local há aproximadamente um ano. A área pertence à usina Utinga Leão, que, segundo integrantes do movimento, já obteve na Justiça a reintegração de posse da área. A saída das famílias está sendo negociada.


Segundo Ana da Silva, coordenadora da LCP, algumas famílias já deixaram o acampamento com medo de novos ataques.


Além da LCP, há na área pertencente à usina três acampamentos da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outros do MTL (Movimento Trabalho, Luta e Liberdade).


No ano passado, a Utinga Leão, alegando passar por crise financeira, reduziu a produção e deixou de pagar salários aos trabalhadores. O governo do Estado chegou a distribuir cesta básicas aos funcionários


Foto do Enterro de Elias Francisco Santos da Silva - Fonte Boca de Caera - Colaborador de AND em Alagoas


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Blog do AND de casa nova

Comunicamos a mudança de endereço do blog do Jornal A Nova Democracia para http://blog.anovademocracia.com.br. Solicitamos a nossos seguidores que se recadastrem no novo blog.

Entrevista exclusiva com pastor que teve a casa saqueada por policiais

O desabafo de uma vítima

da polícia na Vila Cruzeiro


Nota de Patrick Granja, publicada no BLOG do jornal A Nova Democracia










Imagem da entrevista de Ronai ao jornal Correio Brasiliense

No sábado, dia 4 de dezembro, a equipe de reportagem de AND esteve na casa do pastor e morador da Vila Cruzeiro, Ronai Braga, de 32 anos, que como mostra um vídeo feito pelos repórteres do jornal Correio Brasiliense, teve a sua casa invadida, revirada, depredada e saqueada por policiais durante a mega-operação militar das tropas do Estado reacionário nos complexo de favelas da Penha e do Alemão.


Em entrevista exclusiva, Ronai falou do momento em que percebeu que sua casa havia sido invadida e relatou o seu sentimento de revolta e indignação. A esposa de Ronai, a todo o momento, chorava e interrompia a entrevista para extravasar toda a sua frustração. Isso porque os 31 mil que Ronai economizou durante 8 anos, seriam gastos com uma nova moradia, financiada pela Caixa Econômica Federal, fora da Vila Cruzeiro, pois segundo o pastor, “a região não é um bom ambiente para se criar filhos”.

As pessoas que dizem que eu sou bandido, que esse dinheiro era do tráfico, não sabem o que é você estar agarrado a um sonho, estar com ele em suas mãos e, de repente, ir tudo por água abaixo. Trabalhar e lutar pelo seu sonho e, em um instante, tudo desaparecer. È a maior dor que um ser humano pode sentir — lamenta.



Acompanhada de um membro do Conselho Popular do Complexo do Alemão e de um representante da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, nossa equipe fotografou os documentos que comprovam a origem do dinheiro roubado pelos policiais e as evidências de que as tropas invasoras sabiam que Ronai não era ligado ao tráfico, como seus ternos de pastor, bíblias e seus documentos que estavam em cima da mesa, mas mesmo assim roubaram seu dinheiro e destruíram a sua casa.

Meu filho mais velho tem 9 anos e veio me perguntar ‘papai, foram os policiais que fizeram isso?’. O que eu vou dizer para ele? Sempre ensinei meu filho a ser honesto. Outro dia ele chegou em casa com a borracha de um coleguinha do colégio e eu dei uma bronca nele por ter pedido emprestado e não ter devolvido. Agora a polícia vem aqui e faz isso? O que eu vou dizer pra ele? O que ele vai ficar pensando do Estado e da polícia? — pergunta Ronai.



Imagens da documentação que comprova a origem do dinheiro roubado:





Crescem denúncias de abusos de policiais no Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro

Moradores denunciam abuso policial no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
Depoimentos colhidos por Patrick Granja no local.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Julian Assange é preso na Suécia


Leonardo Gaudio


Julian Assange, fundador do Wikileaks, site que divulgava documentos secretos sobre a agressão ianque contra os povos do mundo foi preso. O Wikileaks revelou documentos importantes da agressão contra o Iraque e Afeganistão e ainda sobre Guantânamo, e revelou mais de 250 mil correspondências diplomáticas ianques.
Descaradamente visando encobrir a motivação política da perseguição contra Julian Assange, desqualificando-o, a Interpol emitiu ordem de prisão “por suspeita de estupro e agressão sexual”.

A perseguição torna-se ainda mais clara quando o banco suíço no qual o Wikileaks abriu uma conta para arrecadar fundos para a defesa de seu fundador, simplesmente cancelou a conta alegando que recebeu informações falsas do correntista.

Kristinn Hrafnsson porta-voz do wikileaks avisou que o trabalho de divulgação dos documentos secretos continuará, dizendo ainda que qualquer desenvolvimento relacionado com Julian Assange não vão mudar os planos que temos em relação às publicações de hoje e nos próximos dias.

Disse ainda que o site será mantido por um grupo em Londres e em outros locais.

Dentre os milhares de documentos divulgados existe um que fala da aprazível cidade mineira de Araxá, conhecida nacionalmente por seus doces e internacionalmente por concentrar 75% da produção mundial de nióbio que tem como uma de suas utilizações principais o processo de enriquecimento de urânio. Segundo o documento divulgado pelo Wikileaks o impérium afirma que um ataque contra este local afetaria a segurança do USA. Ou seja Se acham no direto de “proteger” um recurso mineral que, em tese, nem deles é. Não é por acaso que vale tudo para impedir a divulgação destes documentos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dilma quer espalhar terror fascista pelo país inteiro


A gerente recém-eleita, empolgada com a operação no Complexo do Alemão, afirmou que tudo foi apenas um laboratório e que a “experiência” deve ser ampliada. Colocar a Marinha para patrulhar a Bahia de Guanabara, comprar aviões de configuração conhecida como COIN (contrainsurgência) para “patrulhar fronteiras”, usar as forças armadas para “livrar outras comunidades do tráfico”, foram alguns dos temas debatidos no conclave fascista que reuniu na segunda-feira, 29 de novembro, além de Roussef, o ex Libelú e futuro chefe da casa civil, Antônio Palocci, o governador e o vice do Rio.
Na avaliação do vice-governador, a convergência pela repressão é benéfica para as forças armadas, porque elas são criticadas por estarem “ajudando” no Haiti e não no Brasil. Sem dúvida, existem críticas à participação do Brasil na invasão ao Haiti, cujo único objetivo é liberar soldados ianques para atuarem no Iraque e no Afeganistão. Mas quase ninguém quer tornar o Brasil um novo Haiti.
Já Luiz Inácio, no apagar das luzes de sua gerência, afirma, ao estilo de seus chefes do norte, “(As Tropas) vão ficar o tempo que for necessário para garantirmos a paz”. Ou seja, ficarão por muito tempo, já que com o aprofundamento da crise e a falta de perspectivas oferecidas pelo oportunismo será inevitável o acirramento da revolta popular. Ai restará aos governantes tachar todos de traficantes.
Um fato merece ainda destaque, os blindados da Marinha voltaram a circular, agora com jornalistas do monopólio dos meios de comunicação, particularmente de sua facção hegemônica. Tudo para sentirem o clima da ação. É o “bonde da contrapropaganda”.