
Ocuparam o posto da Receita Federal na aduana de Porto Sete Quedas, em Guaíra (PR), na manhã desta quinta-feira (29). Se formaram congestionamentos nos dois lados do Rio Paraguai.
(Foto: Divulgação/PF)
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Muntazer Al Zaidi, o jornalista iraquiano que jogou sapatos em Bush filho, no dia 14 de setembro de 2008, em sua última visita a Bagdá, foi preso e torturado pelo governo títere daquele país. Mas nada será capaz de apagar o ato de coragem daquela homem.
Jogar sapatos em outra pessoa é um ato de profundo desprezo na cultura árabe e islâmica. Jogou os sapatos gritando: “este é o seu beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro", "Isto é pelas viúvas e órfãos e todos os mortos no Iraque".
Na confusão que se sucedeu, a assessora da Casa Branca Dana Perino, que foi atingida por um microfone, declarou que "um homem atirando seus sapatos não representa o povo iraquiano como todo". Apesar de que no dia seguinte milhares de pessoas saíram às ruas para exigir a libertação de Zaidi, em uma coisa a lambebotas de Bush tem razão. O povo iraquiano como um todo não está jogando sapatos nos ianques, mas balas e bombas, e se não o fizeram no gerente do império foi por mera falta de oportunidade. Mas, como ato simbólico, os sapatos até que cumpriram seu papel.
Após seu ato de bravura o jornalista ficou nove meses preso sendo barbaramente torturado pelos sabujos do governo títere. Libertado no dia 15 de setembro, Muntazer Al Zaidi pede o indiciamento de Bush por crimes de guerra.
Na segunda feira, 19 de outubro, O Estado de São Paulo publicou uma entrevista com Zaidi, que reproduzimos abaixo. Como não poderia deixar de ser, o veneno escorre pelos cantos da boca na chamada da entrevista: “Com um terno impecável e relógio de luxo, ele...”, como se isso fosse crime. E mais à frente “Mas sua viagem é permeada de mistérios. Ele não diz quem o financia, qual seu programa na Europa...”. Quanto às torturas que sofreu não há mistério nenhum quanto a quem financiou.
Segue a entrevista:
O senhor imaginava que sua ação contra Bush teria tal repercussão?
De jeito nenhum. Sabia que iria ser difundido pelo mundo. Mas não dessa forma. O que eu fiz não foi como jornalista, foi como cidadão iraquiano indignado por tudo o que vivemos. Estamos com invasores há sete anos. A guerra já somou um milhão de mortos, um milhão de viúvas e 5 milhões de órfãos. Eu não sou e nem quero ser visto como herói. Fiz como um grito de indignação.
O que ocorreu com o senhor após sua prisão naquela sala de imprensa?
Nos três dias seguintes a minha prisão sofri o pior que alguém possa imaginar. A tortura chegou a níveis sem explicação. Fui duramente atingido por barras de ferro, cabos elétricos e tive minha cabeça colocada em um balde de água. Não queriam nada. Não pediam nada. Só me torturavam. Perdi vários dentes, tenho problemas sérios nas costas e claro, tenho medo de que haja uma vingança contra minha família que ainda está no Iraque.
Quem o torturava?
A tortura era realizada por iraquianos mesmo. Mas sob ordens dos americanos. Eles não tinham pena nenhuma.
O que deve ser feito a partir de agora que Bush não está no poder?
Ele e todos os responsáveis pela guerra precisam ser julgados por crime de guerra. Além disso, precisa haver um mecanismo para indenizar o povo do Iraque pelo sofrimento e destruição. Na guerra entre Iraque e Kuwait, a ONU criou uma comissão de compensações para dar dinheiro de forma muito correta ao povo do Kuwait que sofreu com a invasão de Saddam Hussein. Agora, o mesmo deve ser criado para o Iraque. Sofremos abusos e violações graves de direitos humanos.
Mas essas violações não existiam sob o regime de Saddam Hussein?
Claro que sim. Não estou defendendo Saddam nem nada do estilo. O que ocorreu foi uma ditadura impressionante que matou muita gente. Mas o que não esperávamos é que os supostos libertadores cometeriam crimes também.
Qual sua opinião sobre Barack Obama?
Depois de ele tirar os soldados americanos do Iraque eu direi.
E sobre o Iraque?
O país está sem rumo. A guerra não gerou ganhadores. Só perdedores.
O senhor está lançando uma fundação. Para que servirá a entidade?
Meu objetivo é coletar recursos para ajudar os mais indefesos no Iraque. Esses são os órfãos, viuvas e deficientes. Parte do meu trabalho ainda será para garantir proteção aos jornalistas.
Após seu ato contra Bush, governos árabes deixaram claro que estavam dispostos a lhe recompensar. Quanto o senhor recebeu após aquela conferência?
De fato tive ofertas de muitos presentes. Mas não aceitei nenhum.
Onde está o sapato que o senhor atirou em Bush?
Tentei saber, mas o governo deve ter destruído. Minha idéia era de colocar a leilão e, com o dinheiro, ajudar famílias de vítimas.
Morro dos Macacos – RJ
A queda espetacular de um helicóptero da polícia abatido a tiros enquanto sobrevoava o morro dos Macacos, no Rio de Janeiro, despertou os brasileiros na manhã de sábado. Dois policiais morreram na explosão que se sucedeu à queda, no sábado, 17 de outubro, pela manhã. Além do Morro dos Macacos (em Vila Isabel), outras favelas foram invadidas e ocupadas pela Polícia. Na noite anterior – segundo informações oficiais – uma facção rival do Morro do São João teria invadido o Morro dos Macacos, numa disputa pelos pontos de venda de drogas.
Surpreendidos pelo tiroteio no morro, moradores atearam fogo a pneus e 2 ônibus num dos acessos à favela, segundo um delegado para chamar a atenção da polícia para que intervisse no conflito entre os traficantes. Em outros pontos da cidade mais 6 ônibus foram incendiados. A polícia atribui os incêndios a traficantes visando distrair e dividir as forças policiais.
Segundo informações policiais, 19 pessoas foram mortas no morro dos Macacos, mas não foi especificado quantos morreram na suposta invasão do morro por traficantes e quantos pela ação da polícia. Mas, como de praxe, todos foram chamados de bandidos. Oito feridos foram internados em hospitais da região.
Porém os familiares de três jovens mortos em um carro – o auxiliar administrativo Leonardo Fernandes Paulino, de 27 anos, o mecânico Marcelo da Costa Ferreira Gomes, de 26 anos, e o ajudante de pedreiro Francisco Ailton Vieira, de 25 anos – se revoltarem com as afirmações de que seriam bandidos e refutaram as acusações em seu funeral. O único sobrevivente entre os amigos, Francisco Halailtom Vieira, de 23 anos — irmão de Francisco Ailton — ainda está internado no CTI do Hospital do Andaraí.
– Hoje é um dia negro para esta família de trabalhadores, definiu uma amiga de Leonardo. [jornal Extra, 19 de outubro de 2009]
— Essa bala foi retirada do Marcelo quando os moradores estavam carregando o corpo para a rua — disse um dos tios de Marcelo, José Marconi Andrade, de 48 anos, mostrando o projétil. — Queremos saber se essa bala foi disparada pela polícia ou pelos bandidos. E que o secretário de Segurança venha a público dizer que os três garotos não eram bandidos. [jornal Extra, 19 de outubro de 2009]
– Taxado como bandido, jamais. Eram pobres mas não precisavam dessa vida – diz a mãe de Aílton e Alaílton, Maria Luíza da Silva. [Bom Dia Brasil, 19 de outubro]
Enquanto as famílias dos jovens os sepultavam com protestos, os policiais que descarregaram chuvas de balas no morro foram enterrados como “heróis” sob chuva de pétalas de rosas.
Tal evento, há poucos dias da definição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 soa como a senha para “limpeza” dos bairros pobres prometida pelos gerentes Luiz Inácio, Paes e Cabral como condição para a realização dos jogos com “segurança”.
Novos e grandes massacres estão sendo preparados pelo velho Estado contra o povo pobre do Rio de Janeiro.
Rafael Gomes
Trabalhadores que utilizam o ramal de Japeri do trem da Supervia se revoltaram, nesta quarta-feira (7/10), contra as péssimas condições do sistema ferroviário do Rio de Janeiro.
O gerente estadual Sérgio Cabral Filho logo se apressou a afirmar que "o que aconteceu lá em Nilópolis foi sem dúvida uma ação de vândalos. Nada justifica o vandalismo ”. Isso certamente porque o mesmo não utiliza os trens superlotados da Supervia e nem ganha um salário mínimo por mês para ter que pagar o abusivo preço de 2,60 por passagem. O monopólio dos meios de comunicação carioca também se apressou em criminalizar o protesto dos trabalhadores. A PM foi acionada e durante a manifestação 10 pessoas ficaram feridas.
Após o episódio ocorrido, a Supervia, que tem concessão por 50 anos (25 anos renováveis por mais 25 anos) para manutenção e operação comercial da malha ferroviária urbana de passageiros da região metropolitana do Rio de Janeiro, decidiu liberar a roleta e deixar o embarque gratuito até às 10:00 desta quinta-feira (8/10).
O fato é que, diante do preço abusivo das passagens, das péssimas condições em que embarcam os passageiros e o sucateamento de todo o sistema ferroviário, os trabalhadores se vêem obrigados a protestar e pedir medidas cabais para a melhoria do transporte e o fim dos acidentes que já chegaram a matar trabalhadores nesses últimos anos.
Patrick Granja
Nos dias 6 e 7 de outubro, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Istambul para protestar contra as políticas imperialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que tiveram suas cúpulas reunidas na capital turca para a realização de mais uma assembléia anual.
Há uma semana, dirigentes do imperialismo das duas entidades já chegavam ao país sendo rechaçados pelas massas. Foi o caso do diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que recebeu uma sapatada do estudante Selcuk Ozbek, de 24 anos, durante palestra na Universidade de Istambul em seu primeiro dia na capital. O rapaz acabou preso.
O estopim se deu hoje, desde a manhã, em grande manifestação promovida por sindicatos combativos com o apoio do TKP/ML (Partido Comunista da Turquia/Marxista Leninista). O protesto contou com mais de 2 mil pessoas e foi marcado por ininterruptos confrontos com a polícia turca, onde um homem de 55 anos, identificado como Ishak Kavlo, foi morto e 78 pessoas foram presas. Vários policiais ficaram feridos, alguns com queimaduras graves causadas pelos coquetéis molov atirados pelos manifestantes. Uma loja da rede McDonald’s e vários bancos foram atacados pela massa, mesmo com a repressão ferrenha da tropa de choque da polícia turca, que utilizou jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão.
“O centro de Istambul transformou-se, esta terça-feira, num palco de guerrilha urbana”, descreveu o jornal português A Bola.
Manifestantes de reuniram no distrito de Beyoglu e seguiram até a praça Taksim, de onde pretendiam partir para o centro de convenções onde os inimigos estavam reunidos, entre eles o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que firmou acordo promovendo o Brasil a credor do FMI, com um bônus de 10 bilhões de reais para o sustento de políticas imperialistas pelo mundo.
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